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    Setor cultural e turístico


    'Caminharemos lado a lado com a classe artística', diz Alonso Oliveira

    Em entrevista ao EM TEMPO, o novo secretário da Manauscult, Alonso Oliveira, compartilhou os planos à frente da pasta

     

    Alonso Oliveira atuou como vereador da cidade de Manaus por dois mandatos
    Alonso Oliveira atuou como vereador da cidade de Manaus por dois mandatos | Foto: Divulgação

    Manaus - Advogado trabalhista há mais de 30 anos, o manauara Alonso Oliveira assume o comando da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) em momento de preocupação para a classe artística e para o setor turístico da capital.

    Bacharel em Direito pela antiga Universidade do Amazonas (UA), atualmente Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Alonso Oliveira atuou como vereador de Manaus por dois mandatos, em 2013-2016 e 2019-2020. Além de militante do direito previdenciário, o titular tem como bandeira de luta questões sociais e de assistência. 

    Em entrevista ao EM TEMPO, o atual diretor-presidente da fundação compartilhou os planos à frente da pasta, os desafios que deve enfrentar e a verba que a Manauscult terá no ano que se inicia.

     

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    EM TEMPO: Você está assumindo a Fundação Municipal de Cultura e Turismo (Manauscult) em um período crítico em Manaus. Com as limitações impostas pela pandemia de Covid-19, como você pretende exercer um trabalho justo nesse cenário, dando a assistência necessária aos trabalhadores do setor?

    Alonso Oliveira: Nossa cidade e as pessoas passam por um momento difícil e, por isso, nossa prioridade será o direito à vida. Estamos concluindo a fase de transição na Manauscult e estou trabalhando com os nossos diretores de Cultura, Turismo e Eventos para definirmos ações que serão executadas em caráter emergencial com o objetivo de apoiar os artistas, agentes da cultura e do turismo, que tiveram suas atividades impactadas pela pandemia.

    ET: Quais serão suas primeiras ações à frente dessa pasta?

    AO: Já nesta segunda semana da gestão do prefeito David Almeida, anunciamos a criação de uma Comissão Interdisciplinar que irá prestar apoio aos artistas, agentes culturais e do turismo que estão acometidos pela Covid-19. Essa Comissão contará com representantes da Manauscult, Concultura, Semsa, Semasc e do Fundo Manaus Solidária. Nosso propósito é auxiliar nossos trabalhadores das artes e do turismo e seus familiares.

     

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    ET: Na sua visão como gestor público, qual deve ser o papel da prefeitura no fomento à cultura e ao turismo?

    AO: Nossas ações serão norteadas por duas questões: o direito que as pessoas têm à cultura e o direito à vida. Por isso, nossos trabalhos estão voltados para os profissionais do setor que estão na ponta, os artistas de diferentes segmentos, guias de turismo e os piloteiros de lanchas que realizam passeios turísticos. Quanto às ações culturais, a Manauscult possui uma política de editais consolidada e trabalharemos para que estes recursos cheguem aos agentes produtores de cultura. Quanto ao turismo, também entendemos que esse é o momento que precisamos construir uma interlocução com os profissionais do turismo e prepararmos nosso trade turístico para quando tudo isso passar.

    ET: Como você pretende manter um canal de comunicação com a classe artística nesse período de pandemia, de forma que atenda às necessidades do setor cultural?

    AO: Além da Comissão Interdisciplinar que montamos, todos os nossos principais contatos digitais: redes sociais, o portal Viva Manaus e os endereços eletrônicos estarão à disposição da classe artística para orientações e apoio. Queremos ampliar e atualizar o cadastro dos agentes culturais de todos os segmentos.

     

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    ET: Quais são os trabalhos mais relevantes que você exerceu anteriormente, especificamente na cultura e no turismo, que você pode destacar para a gestão à frente dessa pasta?

    AO: Fui vereador e aprendi que os agentes públicos devem estar atentos às demandas da sociedade. Por isso destinei emendas parlamentares para diferentes manifestações culturais populares, como a realização de eventos nos bairros. Defendo que nossas ações contemplem a Cultura, Educação, Esporte e Lazer. Entendo que devemos ouvir a sociedade e na nossa gestão faremos o possível para caminharmos lado a lado com a classe artística.

    ET: Os eventos que fazem parte do calendário oficial de Manaus, como o Passo a Paço, colaboram muito para a movimentação não só da cultura na capital, mas também da economia. Após o período de pandemia, como será o planejamento para a realização dessas atividades? O que continua e o que deve ser reformulado? 

    AO: Em 2021, os grandes eventos que integram a grade da Manauscult seguem no calendário da Prefeitura de Manaus. Para o primeiro semestre do ano, ainda por conta da pandemia da Covid-19, deverão ser estudadas alternativas para o Carnaval de Manaus, tanto de rua, como o Desfile das Escolas de Samba. Além disso, eventos tradicionais, como o Festival Folclórico do Amazonas, Boi Manaus, Festival Passo a Paço e Réveillon passarão por reformulações, considerando a importância sociocultural desses projetos.

     

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    ET: Os editais públicos de fomento à cultura são essenciais na movimentação das atividades artísticas, e os contemplados desses editais já foram premiados por todo Brasil. Esses editais permanecerão na sua gestão?

    AO: Os editais são instrumentos importantes de ação pública para incentivar a política cultural da cidade Manaus. Essa forma de promoção cultural segue na nossa gestão e será ampliada com novos editais de fomento aos artistas que ajudam a movimentar culturalmente a cidade. Ainda sob esse cenário de pandemia, alternativas deverão ser planejadas para a execução do processo por meio de plataformas alternativas.

    ET: Recentemente, a classe artística tem se mobilizado com maior frequência para fazer com que ações culturais cheguem até a periferia. Há algum projeto para incentivar essa “descentralização” e fazer com que os bairros mais pobres recebam essas atividades?

    AO: Sim, não só para que cheguem à periferia, mas que sejam executados em conjunto com outras pastas da Prefeitura de Manaus. Um desses projetos que já podemos citar se chama “Farol do Conhecimento”, onde a Manauscult e o Concultura atuarão em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) e suas Divisões Distritais Zonais (DDZs), inicialmente na identificação de espaços subutilizados nos bairros de Manaus para que possam ser transformados em Espaços Interdisciplinares, visando à educação, cultura, saúde, esporte e lazer de crianças e adolescentes. A proposta do projeto é que, em um único espaço, seja possível ter acesso a bibliotecas, internet, cursos de formação e qualificação e complementação à formação escolar, tendo como alicerces a cultura e a educação.

     

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    ET: As realizações e revitalizações da gestão anterior no Centro Histórico de Manaus transformaram o espaço acessível para diversas realizações culturais e tornaram a cidade mais turística. Como você planeja dar continuidade nesse cenário?

    AO: A História do Centro de Manaus se cruza com a própria história da criação da cidade de Manaus. É nossa intenção trabalhar ainda mais no segmento cultural, como também na área do turismo. Além do complexo cultural que ali já se encontra com o Museu da Cidade de Manaus, Centro Cultural Óscar Ramos, Centro de Arqueologia de Manaus, Biblioteca Municipal João Bosco Pantoja Evangelista, o Centro Histórico deverá ser palco para outras manifestações artísticas e festivais culturais, contribuindo diretamente para o turismo. Em breve anunciaremos um programa de ações para fomentar a vida artística de Manaus e revitalizar o centro histórico de nossa cidade. O fundamento de nosso trabalho será ocupar o centro, gerando oportunidade de trabalho e geração de renda.

    ET: Qual deve ser a verba da pasta em 2021?

    AO: Estamos trabalhando na reestruturação do orçamento Manauscult, fazendo ajustes para que tenhamos mais recursos para investir nas nossas ações culturais. O valor estimado será de, aproximadamente, R$ 30 milhões. Para ampliar os recursos adotaremos uma política de busca de parceiros na sociedade em geral e na iniciativa privada.

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