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    Homenagem


    Prefeitura de Manaus decreta luto oficial pela morte de Zezinho Corrêa

    O decreto de luto outorgado pelo prefeito começou no sábado 06/02. O cantor Zezinho Corrêa morreu na madrugada de sexta (05/02)

     

    Zezinho lutou por mais de um mês contra o covid-19. Na sexta (06/02) não resistiu e faleceu
    Zezinho lutou por mais de um mês contra o covid-19. Na sexta (06/02) não resistiu e faleceu | Foto: Divulgação/Manauscult

    Manaus - O prefeito de Manaus, David Almeida, declarou luto oficial de três dias pela morte do cantor amazonense Zezinho Corrêa, ocorrida na manhã deste sábado, 6/2. O decreto de luto, uma homenagem e reconhecimento à expressiva e incansável difusão do artista à cultura amazonense, foi publicado em edição extra do Diário Oficial do Município (DOM) na noite de hoje.

    Zezinho Corrêa morreu aos 69 anos em decorrência do agravamento da Covid-19. O corpo do cantor foi velado no balneário do Sesc, zona Oeste, em cerimônia restrita a amigos e familiares. Zezinho foi sepultado no cemitério São João Batista, zona Centro-Sul, no final da tarde.

    Durante o período referido no decreto, a bandeira nacional e demais pavilhões ficarão hasteados a meio mastro na sede dos órgãos e entidades componentes da administração pública municipal.

    Homenagens

    Durante todo o sábado, familiares, amigos e fãs, brasileiros e estrangeiros, prestaram homenagens nas redes sociais a Zezinho Corrêa, ícone da música amazonense. O presidente do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), o escritor e poeta Tenório Telles, dedicou uma poesia ao amigo intitulada “O tic-tic-tac das araras” em alusão ao hit “Tic Tic Tac”, eternizada e consagrada na voz do cantor à frente do grupo Carrapicho.

    O tic-tic-tac das araras

    Tenório Telles


    Querido Zezinho,

    Hoje de manhã acordei com a cantoria

    de um casal de araras:

    Ao abrir a janela – encenavam

    seu canto desajeitado e belo.

    Estavam num açaizeiro


    comendo os frutos: tic-tic-tac...

    Notei que o dia aos poucos

    ia se colorindo de azul, vermelho e amarelo.

    Achei tudo surpreendente:

    Elas nunca tinham aparecido antes.

    Logo depois soube que partiste.

    Como acredito no invisível

    e no mistério das coisas,

    pensei que as araras estavam

    cantando e colorindo a manhã

    para te celebrar – como antigamente

    se celebravam os artistas, os poetas e os heróis.

    Também pensei que aquelas araras podiam

    estar levando teu Ser

    [esse grão de eternidade

    com que nascemos]

    para o paraíso dos bons

    dos que encantam a vida

    e a ajudam a ser melhor.

    Com teu canto, Zé, levaste

    pra tantos lugares

    pra terras distantes

    o nosso chão e a nossa gente.

    E agora – Zé – as araras se foram:

    Só vieram te saudar...

    Com o choro preso na garganta,

    não consigo entender por que

    essas coisas acontecem.

    Nossa cidade vive enlutada

    com tantas partidas,

    com a dor de pais, mães, filhos

    – tantas amizades e amores quebrados...

    : Manaus se tornou uma cidade sitiada pela dor,

    os cemitérios não param de crescer...

    E agora – Zé – essa nuvem de suplício

    te levou também de nós:

    mais que a dor da perda,

    daqui pra frente – a dor maior

    será viver sem o teu canto,

    sem a tua alegria

    e sem a bondade dos teus gestos.

    Zé,

    que as araras te acompanhem

    e chegues bem ao lugar onde

    os bons descansam da lida do mundo

    – e o grão do teu ser

    floresça belo e luminoso

    e de lá sigas cantando

    e encantando nossas vidas.

    *Com informações da assessoria

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