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    Dia Internacional da Mulher


    Elas dominam todas as artes: mulheres que orgulham a cultura do AM

    Dentro e fora do Amazonas, diversos nomes representam a força feminina nas mais diversas áreas da arte. Confira a homenagem do EM TEMPO para o Dia Internacional da Mulher

     

    Elas orgulham a cultura amazonense
    Elas orgulham a cultura amazonense | Foto: Divulgação

    Manaus - Há muito tempo a arte já não é mais vista como uma ação predominantemente masculina, e, inclusive, muitas mulheres são os maiores nomes do teatro, música e dança nacionais. No Amazonas, isso não é diferente.

    No Dia Internacional da Mulher, o EM TEMPO preparou uma homenagem às grandes personalidades que representam a cultura amazonense dentro e fora do estado. Confira a trajetória das artistas que são orgulho para o Amazonas:

    Música

    Karine Aguiar

     

    Karine Aguiar
    Karine Aguiar | Foto: Divulgação

    Conhecida como “Musa do Jungle Jazz”, Karine Aguiar é cantora, compositora, pesquisadora e escritora. Desde 2007, ela vem atuando profissionalmente no cenário regional e internacional e, em diversas ocasiões, já divulgou a cultura do Amazonas em espaços com grande repercussão.

    Em 2011, foi convidada, em Manaus, pelo pianista Vana Gierig para uma gravação em Nova Iorque. O resultado desse encontro foi o CD “Arraial do Mundo”, gravado e produzido em Nova Iorque, trazendo uma combinação entre o Jazz e os ritmos musicais amazônicos. Em 2012, o “Arraial do Mundo” foi lançado no Teatro Amazonas.

    Outra menção honrosa da atuação de Karine Aguiar fora do Amazonas ocorreu em 2014, quando foi convidada para se apresentar na sede da UNESCO, em Paris. Acompanhada pelo baterista e percussionista amazonense Ygor Saunier, juntos, apresentaram os ritmos da Amazônia para a Europa.

    Entre muitos projetos que consolidaram o nome de Karine Aguiar, a amazonense foi premiada, em Paris, pelo Portail du Brésil en France como “Melhor CD de MPB” e possui dois CD’s gravados, o Arraial do Mundo e Organic (2016), em parceria com produtores norte-americanos e europeus.

    Atualmente, ela vem ganhando força no território italiano e, em parceria com o Gen Rosso International Performing Arts Group, realizou uma estreia mundial com transmissão para 180 países.

    Djuena Tikuna

     

    Djuena Tikuna
    Djuena Tikuna | Foto: Divulgação

    Cantora e compositora nascida na região do Alto Solimões, Djuena Tikuna fez história ao ser consagrada como a primeira indígena a protagonizar um espetáculo no palco do Teatro Amazonas. Com um trabalho de divulgação da cultura do próprio povo, ela também cantou o Hino Nacional em língua Tikuna na abertura das Olimpíadas, em 2016.

    Além disso, ela é a primeira jornalista indígena formada no Amazonas e um dos principais nomes ligados ao ativismo pelas causas indígenas. Djuena Tikuna, cujo nome significa “onça que pula no rio”, também passou pelo teatro, mas a música falou mais alto.

    No cenário nacional, a artista participou de eventos de importância, como RIO +20, FEMUCIC - Festival da Cidade Canção de Maringá - PR, evento realizado pelo SESC, entre outros eventos indígenas, como nas assembleias de organizações e mostras culturais.

    Com canções entoadas na língua Tikuna, Djuena lançou o CD “Tchautchiüãne”, que contou com a participação de vários artistas e convidados indígenas.

    Internacionalmente, ela foi a primeira indígena do Amazonas a ser indicada na categoria de “Melhor Artista Indígena Internacional”, no prêmio “Indigenous Music Awards”, no Canadá. Ela concorreu com o álbum lançado no Teatro Amazonas.

    Literatura

    Astrid Cabral

     

    Astrid Cabral
    Astrid Cabral | Foto: Divulgação

    Uma das integrantes do movimento renovador da cultura do Amazonas, o Clube da Madrugada, Astrid Cabral carrega longas contribuições como poetisa, contista, professora e funcionária pública.

    Na área cultural, a amazonense escreveu poesias e os mais variados trabalhos, ganhando importantes prêmios, além de colaborar com jornais e revistas.

    Nas poesias, Astrid constantemente utilizava cenários e características regionais, como na poesia: “minha infância é hoje aquele peixe de prata que me escorregou da mão como se fosse sabão. Mergulho no antigo rio atrás do peixe vadio’’.

    Como acadêmica, lecionou língua e literatura na Universidade de Brasília (UnB), onde integrou a primeira turma de docentes, saindo em 1965, em consequência do Golpe Militar.

    Em 1968, ingressou por concurso no Itamaraty, tendo servido como Oficial de Chancelaria em Brasília, Beirute, Rio e Chicago. Com a Anistia, foi reintegrada à UnB em 1988.

    Violeta Branca

     

    | Foto: Divulgação

    Ao lançar o primeiro livro, com apenas 19 anos, Violeta Branca não só se tornou pioneira na poesia amazonense, como surpreendeu uma década com a publicação que foi vista como “ousada” pelos críticos da época.

    Durante toda a vida, a escritora foi uma participante ativa da cultura do Amazonas, e também marcou a história da literatura por ser a primeira mulher a ingressar numa Academia de Letras no Brasil. Violeta ocupou a cadeira número 28 da Academia Amazonense.

    Dois anos depois de publicar “Ritmos de Inquieta Alegria”, em 1935, Violeta casou-se e se mudou para o Rio de Janeiro, mas continuou publicando poemas na revista amazonense “A Selva”.

    O segundo livro veio somente após 47 anos. Em 1982, Violeta Branca publicou “Reencontros - Poemas de Ontem e de Hoje”, última publicação da amazonense. A escritora morreu no dia 07 de outubro de 2000.

    Em vida e mesmo após a morte, foi homenageada constantemente entre escritores como Genesino Braga, Tenório Telles, Marcos Frederico Krüger e Almir Diniz, que no livro “Mulheres”, a relembrou no soneto intitulado “Canto de Liberdade”.

    Artes plásticas

    Rosa dos Anjos

     

    "Herdei esse dom do meu avô, que eu cresci assistindo produzir cerâmica marajoara"
    "Herdei esse dom do meu avô, que eu cresci assistindo produzir cerâmica marajoara" | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Apesar de não ter nascido em terras amazonenses, quase cinco décadas vivendo em Manaus tornaram a artista plástica Rosa dos Anjos um “patrimônio” da terra baré.

    E, com pelo menos 30 anos de atuação na arte, ela também se consolidou como um dos nomes a serem lembrados quando se fala da cultura do Amazonas.

    Aos dois anos de idade, a família de Rosa dos Anjos saiu do Pará para morar em Manaus, e mesmo longe de casa, sempre buscou manter as raízes indígenas. 

    Com exposições de biojoias autorais no Museu de Arte Oscar Niemeyer, trabalhos na Suíça, Áustria, feira de artesanatos em Milão, Cuba, França, Portugal, África e quase toda a América Latina, a artesã é dona de uma carreira sólida na arte. Uma das obras, intitulada “Voo da Paz”, foi entregue em mãos ao Papa Francisco, e hoje faz parte do acervo oficial do Vaticano.

    Atualmente, ela trabalha na “Rosa dos Anjos – Atelier e Galeria de Arte” com projetos educacionais e artísticos para jovens ribeirinhos, além da produção de artes autorais e qualificação profissional.

    Hadna Abreu

     

    Hadna Abreu
    Hadna Abreu | Foto: Divulgação

    Desde 2009, o trabalho da artista visual Hadna Abreu ganhou espaço não só em Manaus, mas em território nacional.

    Formada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a artista já teve trabalhos expostos nas principais galerias da capital e participou de exposições em São Paulo (SP) e Salvador (BA).

    Já ilustrou livros para instituições como o Centro de Estudo Integrado da Biodiversidade Amazônica (Cenbam), Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) e para o Instituto Socioambiental (ISA). Atualmente, atua como professora de desenho e pintura no próprio ateliê.

    Um dos trabalhos de maior destaque de Hadna Abreu une arte, ciência e tecnologia, exibindo os primeiros testes na exposição “Contos de Uma Amazônia Fantástica”, onde também assinou a primeira curadoria.

    Hadna Abreu iniciou a carreira participando de exposições coletivas na faculdade, e posteriormente, envolveu-se com a arte urbana onde produzia grandes lambe-lambes (colagens em papel) pelos viadutos de Manaus, formando o coletivo de intervenção urbana “ADERE”, o ponta pé inicial para as criações ganharem espaço em diversas galerias e eventos culturais.

    Teatro

    Ednelza Sahdo

     

    Ednelza Sahdo
    Ednelza Sahdo | Foto: Divulgação

    Atriz amazonense com maior tempo no exercício da profissão, com mais de 50 anos de carreira, Ednelza Sahdo também é cantora, diretora e professora de teatro – com o último, ajudou a formar grandes artistas no estado.

    Filha de pai relojoeiro e músico, começou a carreira com apenas 5 anos, na Rádio Difusora, como cantora mirim. Conhecida como a Dama do Teatro Amazonense, também foi porta-bandeira da Escola de Samba da Aparecida por 26 carnavais.

    Ednelza Sahdo já atuou em produções cinematográficas, como “Criminosos”, do diretor amazonense Sérgio Andrade, e “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele.

    A longa trajetória no teatro começou em 1966, quando a amazonense foi convidada para atuar na primeira peça da carreira, “O Fardão”. Apesar da peça nunca ter sido apresentada, a paixão pela arte continuou em diversas outras produções.

    Antes disso, Ednelza Sahdo cantou e dublou em clubes do Amazonas, recebendo o título de “Rainha da Dublagem”. Até hoje, ela mantém a força nos palcos, e já recebeu exposições em homenagem aos passos que deu na cultura do estado.

    Ana Cláudia Motta

     

    Ana Cláudia Motta
    Ana Cláudia Motta | Foto: Divulgação

    Atriz, diretora de teatro e produtora cultural com quase 30 anos de carreira artística, Ana Cláudia Motta carrega um longo currículo de contribuições na cultura do Amazonas, que, inclusive, lhe rendeu homenagem pela Câmara Municipal de Manaus e Assembleia Legislativa do Amazonas pelo desenvolvimento da arte no estado.

    Atuou como atriz, ao longo dos anos, nos principais grupos e companhias de teatro locais, e foi indicada a vários prêmios de Melhor Atriz e premiada pelo espetáculo Boi de Pano, no Festival de Teatro da Amazônia. Ainda como atriz, atuou em inúmeros trabalhos para grandes canais de TV e cinema.

    Em 2001, fundou a Associação ArtBrasil, que atua sem fins lucrativos com o objetivo de promover a arte e a cultura, desenvolvendo atividades de dramaturgia, produção, estudo e pesquisa na área das artes cênicas.

    Como diretora de teatro e produtora cultural, também foi contemplada com vários prêmios, inclusive nacionais, e foi contemplada em vários editais pelo Brasil.

    Um dos projetos de destaque da ArtBrasil e de Ana Cláudia Motta é “Quem Casa, Quer Casa”, segundo espetáculo adulto da associação que ganhou os palcos do Amazonas.

    Dança

    Francis Baiardi

     

    Francis Baiardi
    Francis Baiardi | Foto: Divulgação

    Artista independente amazonense, Francis Baiardi pesquisa, cria e atua na dança contemporânea há mais de 30 anos, com estudos em educação e na arte corporal por todo o Brasil.

    Participa do Fórum de Mulheres Afro-Ameríndias e Caribenhas e atuou na construção do Fórum de Dança do Estado do Amazonas, além de ter recebido diversos prêmios da Fundação Nacional das Artes, do Governo do Estado do Amazonas e da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).

    Provocadora e orientadora da Contem Dança Cia, em Manaus, também é membro do Grupo de Pesquisa Científica em Dança da Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

    Trabalha como coordenadora e professora do projeto Apoena – Arte na Zona Norte e atua como artista e professora convidada nos coletivos de artista, associações de dança e projetos sociais em contextos nacionais.

    Francis Baiardi é idealizadora e realizadora de vários projetos com cunho cultural, social, educacional e artístico. Um dos trabalhos de destaque, “Apoena – Aquele que Vê longe”, foi inspirado na cultura indígena e percorreu, além de vários palcos na capital, tribos e comunidades no Amazonas.

    Gabriela Lima

     

    Gabriela Lima
    Gabriela Lima | Foto: Divulgação

    Mesmo com a pouca idade, a história de Gabriela Lima na dança alcançou olhares em todo o Brasil. Uma trajetória que iniciou por meio do Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro, chegou a estampar os materiais de divulgação do 7º Festival Amazonas de Dança, em 2017.

    Integrante do Balé Experimental do Corpo de Dança do Amazonas, ela coleciona participações em inúmeros festivais e concertos em Manaus e em diversos estados. O início da paixão começou ainda aos 6 anos de idade, por meio de um convite feito para iniciar um curso de balé. Atualmente, é uma bailarina de referência no cenário da arte local.

    No Liceu de Artes e Ofícios Claudio Santoro, Gabriela ingressou na primeira turma de formação artística em dança, no ano de 2003, com participação na Baby Class e seguiu para o Balé Contemporâneo, onde permanece até hoje.

    Participou de todos os espetáculos promovidos pelo Governo do Amazonas, como o primeiro Concerto de Natal intitulado “Quebra Nozes” (2002), no Centro Cultural dos Povos da Amazônia.

    Também já passou por companhias locais como a Contém Dança Cia, da bailarina Francis Baiardi, com a qual apresentou em Manaus o espetáculo premiado pelo Funarte, “Imagens, Ensaios e Insights”. Em 2013, participou do segundo maior festival de dança do mundo, o Festival de Joinville.

    Cinema

    Keila Serruya Sankofa 

     

    Keila Serruya Sankofa
    Keila Serruya Sankofa | Foto: Divulgação

    Entre muitas atuações na capital amazonense, Keila Serruya também é produtora e realizadora audiovisual, além de artista visual. Com um trabalho que expande o cinema fora da sala escura, ela ocupa espaços como praças, terminais de ônibus e locais de grande circulação em Manaus.

    Já participou de mostras e festivais de cinema nacionais e internacionais e também é diretora de produção em séries, curtas, espetáculos, intervenções, festivais e mostras. Articula performances audiovisuais, entre elas “Ancestralidade de Terra” e “Planta e Sem Nome/Sem (Cem) Mortos”.

    Com o projeto de pesquisa artística e audiovisual “Direito à Memória”, trabalha na visibilização de figuras negras importantes para a história do Amazonas, com foco nos personagens que não estão nos livros, nem nos retratos dos museus.

    As narrativas da artista são voltadas às questões ligadas à ancestralidade negra e gênero, utilizando a rua como espaço de diálogo com a cidade e questionando apagamentos de pessoas negras. Keila Serruya Sankofa é gestora do Grupo Picolé da Massa, participa da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) e do Coletivo Tupiniqueen.

    Deborah Haven

     

    Deborah Haven
    Deborah Haven | Foto: Divulgação

    A carreira da amazonense Deborah Haven no audiovisual começou em 2011, mas desde criança ela se mostrou apaixonada por cinema e pela escrita. Em Manaus, começou ajudando na produção de curtas regionais como "O Corno do Corno", "Não Troco Minha Doida Pela Doida de Ninguém" e o documentário "A Última Travessia".

    Contribuiu para comerciais de TV como o especial da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) para a Copa de 2014 e fez intercâmbio em Toronto, Canadá e Los Angeles, Califórnia.

    Em 2016, produziu o primeiro curta-metragem intitulado "A Carta", um filme baseado no próprio livro que não foi publicado. Com o lançamento de "A Carta", lançou o coletivo Dream House Pictures, da qual é idealizadora e representante.

    Com a Dream House Pictures, Deborah criou um currículo cheio de produções como diretora, roteirista, atriz, produtora e editora.

    Durante toda a carreira, acumulou participações em grandes eventos, como o Fake Flash Film Festival, em Berlim, na Alemanha; a 3ª Mostra de Cinema Amazonense e a Mostra Cine Matilha de Filmes Independentes.

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