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    Atividades


    Oficina faz reconstrução de saberes e práticas culturais indígenas

    A atividade é voltada para os jovens das etnias Dessana, Tukano e Tuyuca, etnias que habitam na região do Alto Rio Negro

     

    | Foto: Divulgação

    O primeiro Centro de Medicina Indígena da Amazônia, o Bahserikowi, realiza neste sábado (27), de 9h às 14h, a primeira oficina de uma série de três, todas voltadas à cultura indígena da etnia Yepamahsã (Tukano). A atividade é realizada no Centro de Medicina Indígena da Amazônia, localizada no centro de Manaus, e busca valorizar práticas indígenas, além de promover um espaço de troca de conhecimentos entre anciãos e jovens da etnias Tukano, Tuyuca e Dessana. 

    O projeto foi contemplado na Lei Aldir Blanc - prêmio Feliciano Lana da Secretaria de Cultura do Estado do Amazonas, e conta com a parceria da Pedra de Fogo Produções. 

    A primeira oficina tem como tema “Cosmografia Tukano”, sendo este, o conjunto de conhecimentos indígenas que se fundamentam em três grandes tripés: Kihti ukuse (mitologias), bahsese (benzimentos) e bahsamori (práticas sociais). 

    Ivan Menezes, fundador do centro de medicina, explica que a oficina vai compartilhar com os jovens os conceitos acerca do  corpus mítico tukano (Kihti Ukuse),  repertório de palavras, expressões e discursos que possibilitam a comunicação de um conhecedor especialista (Bahsesse), e o conjunto de expressões rituais (Bahsamori). 

    “Nós, os povos indígenas do Brasil, possuímos a nossa cultura e nossas próprias concepções cosmológicas. Atualmente, muitos jovens e crianças migram para a cidade e, ao entrar na universidade, estes acabam se distanciando dos seus costumes. Por isso, com esta atividade, nós buscamos mostrar aos participantes a ciência indígena, a nossa história, nossa origem, apontar a estes jovens que nós também somos especialistas da nossa cultura, buscando, desta forma, desmistificar os conceitos construídos pelos pesquisadores não-indígenas ”, conta. 

    Ivan Menezes reitera, ainda, que as oficinas não pretendem “ensinar”, mas sim proporcionar a troca de conhecimento entre os participantes. “Aqui buscamos valorizar a cultura material, buscamos promover um espaço de troca de saberes entre os próprios Tukanos, Tuyucas e Dessanas, com o propósito de despertar uma chave de leitura para compreender o sentido e a relação entre os povos indígenas".

    A atividade é voltada para os jovens das etnias Dessana, Tukano e Tuyuca, etnias que habitam na região do Alto Rio Negro.

    Oficina de kariçú

    No dia 03 de abril, o Centro de Medicina Indígena promove a sua segunda oficina, intitulada “Kariçú”, a atividade vai orientar os participantes a usar o instrumento de sopro feito de “bambú”, que é tocado coletivamente. O Kariçú é um instrumento muito importante entre os povos indígenas do Rio Negro, podendo ser utilizado tanto na música instrumental (orquestras), quanto em acompanhamento da voz (canções solo).

    Os povos indígenas cultivam sua musicalidade tocando o kariçú durante as festas. Entre as práticas socias estão as danças de toque de kariçú, que fazem parte da prática social dos povos indígenas do Alto Rio Negro. Kariçú, entre outros instrumentos musicais, é um instrumento importante para a vida social, pois ensinar os jovens indígenas a tocar os instrumentos é preservar a cultura dos povos indígenas do Alto Rio Negro.

    Oficina de grafismo 

    Já no dia 10 de abril, será a vez da oficina de “Grafismo Indígena’’, que trata-se da manifestação cultural dos povos indígenas que utilizam a pintura como meio de expressão ligado aos diversos sentidos e relações sociais e cosmopolítica. Assim, a oficina possibilitará ensinar aos jovens indígenas a importância e significado de cada grafismo, como por exemplo,  grafismo para proteção da pessoa, da guerra, de doença. 

    Sobre o Bahserikowi’i - O Centro de Medicina Indígena da Amazônia é um projeto que visa fortalecer a identidade étnica, cultural e a organização social dos povos originários, além de ser uma fonte de renda para as famílias e comunidades. É idealizado e coordenado pelo doutorando em Antropologia, pela Universidade Federal do Amazonas, João Paulo Barreto, indígena da etnia Tukano, do Alto Rio Negro. No espaço vão funcionar os seguintes projetos: Medicina Indígena, Amazônia Originários, Programa de Cursos de Línguas Indígenas e Cosmologias Indígenas e Saúde.

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