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    Uma perda


    Sem visitas, Museu da Amazônia corre risco de fechar as portas

    O Museu da Amazônia é um ponto não só educacional, mas também turístico da capital amazonense e tem grande contribuição para a produção cientifica do Amazonas

     

    | Foto: Arquivo Em Tempo

    Manaus - Com mais de uma década de contribuição para a produção científica no Amazonas, além de popularizar o conhecimento sobre o bioma amazônico e seus significados históricos através de exposições, o Museu da Amazônia (Musa) é um ponto não só educacional, mas também turístico da capital amazonense.

    Criado em janeiro de 2009, o Musa é um fragmento protegido da Floresta Amazônica no meio da cidade. O espaço conta com 100 hectares na Reserva Florestal Adolpho Ducke, sob a gestão do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), que é estudado há mais de 60 anos. 

    Porém, toda essa história pode ter um fim. Sem visitas durante o auge da pandemia da Covid-19 e com um público reduzido após a reabertura - principal receita para a manutenção do espaço – o local enfrenta dificuldades para permanecer de portas abertas.

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    Temos um custo em torno de R$150 mil por mês para folha de pagamento e manutenção do espaço. Para esses gastos, nós dependemos dos valores dos ingressos dos visitantes, pois não temos um apoio nessa direção. E por causa disso, no período da pandemia e sobretudo no período em que ficamos fechados, foi extremamente difícil sobreviver "

    Filippo Stampanoni, diretor científico e um dos sócios-fundadores do Musa

     

     

    | Foto: Arquivo Em Tempo

    Apesar de manter parcerias com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por exemplo, esse apoio é apenas científico e cultural, conforme detalhou Stampanoni.

    “Temos sim parcerias, mas elas geralmente se limitam a projetos. Por exemplo, na última grande exposição que a gente inaugurou, ‘Passado Presente’, sobre paleontologia na Amazônia, foi um projeto aprovado no Pronac (Programa Nacional de Apoio à Cultura) pela Lei Rouanet, mas o financiamento é específico para o projeto, não para custear nossas despesas básicas”, disse.

    Essa mesma exposição dedicada à memória da geóloga Rosalie Benchimol, professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), foi responsável por alavancar a reabertura do espaço e atrair mais visitantes depois do período de quatro meses em que permaneceram fechados.

     

    | Foto:

    “O problema geral é que precisamos da visitação para custear o nosso funcionamento. O auge da pandemia foi o período que corremos maiores riscos. Mas, ao mesmo tempo, não poderíamos abandonar o Musa, deixar todo mundo em casa e fechar as portas, pois precisamos de uma manutenção constante”, esclareceu o diretor científico. Por abrigar um viveiro de orquídeas e bromélias, aquários, serpentário, borboletário e todo o ambiente natural, essa manutenção é essencial para manter o museu vivo.

    Campanhas de apoio

    A alternativa para esses custos foram campanhas de apoio ao Museu da Amazônia, como o “Adote uma Árvore – Amicus Flora”, um programa de adoção de plantas classificadas e registradas que expõe uma placa com o nome do adotante, e o “Salve o Musa”, com apoio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), que divulgou todos os meios de ajudar o local.

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    Dentro dessas campanhas, os valores nos ajudaram a manter nossa estrutura. Mas todos os trabalhadores do Musa tiveram que apertar os cintos: não conseguimos, durante todo o período de pandemia, pagar o valor completo [dos salários] para continuar mantendo vivo o museu, senão, quando reabríssemos para o público, ele estaria destruído "

    Filippo,

     

    Todas as campanhas de apoio permanecem ativas e são fixas. As informações para a contribuição estão disponíveis através do site www.museudaamazonia.org.br.

     

    | Foto: Arquivo Em Tempo

    Previsão otimista

    Mesmo com todas essas articulações, o risco de fechamento do Musa é real. Aberto e funcionando, o Musa ainda não alcança o mesmo número de visitantes que recebia antes da pandemia.

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    Hoje não temos turismo, não vem gente de fora, e isso impacta o museu. Boa parte da receita vinha de turistas, não apenas da população de Manaus. E os moradores também passaram por essas dificuldades econômicas, então uma visita é mais difícil para quem está passando meses e meses por isso "

    afirmou Stampanoni,

     

    Mas a previsão do diretor científico é otimista: com a inauguração da exposição “Passado Presente”, o espaço voltou a um ritmo sustentável. Os gestores apenas não têm certeza de quanto tempo esse ritmo pode continuar. “O problema é que não sabemos se vai ter outra onda, e, até todo mundo ser vacinado, não temos certeza sobre o futuro”, lamentou.

      Para a possibilidade de um novo fechamento, Filippo já busca outras alternativas que envolvem uma loja on-line para a venda de itens e ingressos antecipados. “O que não podemos esquecer, é que o museu não é um empreendimento. Ele é uma associação sem fins lucrativos que administra bens que pertencem ao povo brasileiro – um fragmento da reserva Adolpho Ducke, um bem federal; coleções arqueológicas, que são tombadas e são bens da união; e coleções paleontológicas, que também são bens da união. Temos um grande compromisso com a sociedade”.  

    “Passamos por um período que [o fechamento] era uma possibilidade. Mas, como sempre, temos uma postura muito otimista e a gente tenta lutar até onde dá. Até agora, estamos aqui. E temos bem claro na nossa cabeça: estamos trabalhando por um bem maior”, finalizou.

     

    | Foto: Divulgação

    Conexão com a natureza 

    O museu se conecta com o visitante proporcionando a experiência única de adentrar a floresta. No percurso das trilhas, o turista pode encontrar diversos animais, e plantas nativas, inclusive árvores centenárias, além de viveiro de orquídeas e bromélias, lago, aquários e laboratórios experimentais de serpentes,  insetos e borboletas.

      A grande atração do Musa é uma torre de 42 metros que permite observar uma magnífica vista do dossel das árvores da floresta. A novidade do musa é a nova trilha com 1000 metros de extensão que segue a partir da torre de observação do Musa até o Orquidário. No trajeto é possível conhecer mais sobre a floresta Amazônica e árvores nativas da Reserva Florestal Adolpho Ducke.  

     

    | Foto: Reprodução

    Visite o Musa

    A visitação do Museu da Amazônia é aberta ao público e necessita de agendamento prévio pelo e-mail [email protected] O visitante comum precisa pagar entrada no valor de R$ 50.

    Com esse valor, é possível subir na Torre de Observação, uma das grandes atrações do Musa, e ainda ver o pôr do sol ao lado de um guia. Sem guia a taxa é de R$ 30, mas para Estudantes, idosos brasileiros e moradores de Manaus pagam meia entrada e crianças de até 5 anos não pagam.

    O Musa funciona de segunda-feira à sábado, exceto às quartas-feiras, das 8h30 às 17h. Mais informações estão disponíveis através dos números (92) 3582-3188, (92) 99280-9059 e (92) 99280-4205 (Whatsapp).

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