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    Dança


    Bailarina realiza ensaio fotográfico em marombas de Parintins

    O pai da bailarina Aglynes Máina utilizou o cenário da cheia do Rio Amazonas, em Parintins, para realizar o ensaio fotográfico

     

    Aos 13 anos, a menina utilizou os trajes de dança e se equilibrou nas marombas
    Aos 13 anos, a menina utilizou os trajes de dança e se equilibrou nas marombas | Foto: Gledson Oliveira

    PARINTINS (AM) – A cheia do Rio Amazonas atingiu Parintins (distante 369 metros em linha reta de Manaus) e superou a marca de maior cheia que a cidade já registrou. Com a situação de transbordamento, as principais ruas ficaram alagadas e a enchente causou a necessidade de marombas (pontes de madeira) em diversos locais.

    Em frente a esse cenário, o professor de dança e acadêmico do curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) em Parintins, Gledson Oliveira, se inspirou para um ensaio fotográfico com a filha, Aglynes Máina, e aproveitou os conhecimentos de balé para isso.

    Aos 13 anos, a menina utilizou os trajes de dança e se equilibrou nas marombas para interpretar “Elevé Acaraú”, uma atividade acadêmica do pai que viralizou nas redes sociais.

     

    Bailarina iniciou a trajetória na dança aos 3 anos
    Bailarina iniciou a trajetória na dança aos 3 anos | Foto: Gledson Oliveira

    Acostumado a ficar na frente das câmeras, e não atrás delas, Gledson utilizou o próprio aparelho celular para realizar as fotografias do primeiro ensaio que elaborou. “O objetivo maior era alcançar nota para a disciplina da faculdade, não esperava toda essa repercussão”, disse. Apesar disso, o objetivo do professor era claro: gostaria de entregar algo não só documental, mas também artístico.

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    Verifiquei os locais em Parintins e observei uma performance, os movimentos de balé, a postura e quis trazer esse contraste de realidades "

    Gledson Oliveira, acadêmico do curso de Artes Visuais

     

    Talento

    Aglynes começou a dançar aos 3 anos no Liceu de Artes e Ofícios Cláudio Santoro, em Parintins, sendo aluna do pai, que é professor no local, e segue no caminho da dança até hoje. A filha foi convidada espontaneamente para participar no projeto, e revela como ficou nervosa para aceitar o pedido.

    “Eu não imaginei como seria fazer posições de balé em cima de pontes, fiquei um pouco preocupada. Quando chegamos lá, as pessoas ficaram olhando para a gente e no começo foi muito diferente de tudo que eu já fiz”, contou a pequena, que, apesar da idade, já acumula 10 anos de experiência na dança.

     

    Repercussão também foi algo que agradou pai e filha
    Repercussão também foi algo que agradou pai e filha | Foto: Gledson Oliveira

    A repercussão também foi algo que agradou pai e filha, e ambos contaram como ficaram felizes pelo reconhecimento. A bailarina afirmou como espera que esse seja um dos primeiros momentos de um grande futuro. “O meu grande sonho é ser reconhecida pelo meu trabalho”, falou Aglynes.

    Atividade acadêmica

      Do francês, o termo “Elevé” dá nome a uma das posturas do ballet clássico e em português, significa elevação. Já o termo “Acaraú” tem origem na língua indígena Tupi e significa “rio das garças”, em português.  

    Segundo Gledson, o sentido de “elevação do rio das garças” estabelece uma conexão com o cenário natural da enchente em Parintins e, ao mesmo tempo, acessa o universo simbólico do clássico “Lago dos Cisnes”, ballet dramático de autoria do compositor russo Piotr Ilitch Tchaikovski.

     

    Objetivo do ensaio era enfatizar o contraste de cenários
    Objetivo do ensaio era enfatizar o contraste de cenários | Foto: Gledson Oliveira

    “O contraste do espetáculo a céu aberto pelas passarelas de madeira sobre as águas da maior enchente do Rio Amazonas já testemunhada em Parintins e a ligação com a simbologia clássica do ballet russo provocam, de imediato, um ruído sensorial naqueles que se deparam com a cena”, explicou.

    O acadêmico ainda ressaltou como a composição das fotografias oferece opostos: a dança clássica oferece uma delicadeza e leveza em contraste com a força e caos da enchente

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    As fotografias do ensaio compartilham realidades e cenários particulares, distantes dos olhares dos grandes centros urbanos e das grandes e clássicas escolas de arte do mundo e, talvez por isso, com maior ímpeto e liberdade "

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