Fonte: OpenWeather

    NAMORADOS


    Casais de artistas do Amazonas contam como é dividir o amor e a arte

    Hoje é dia de celebrar o amor. E é mergulhado nesse clima de romance que decidimos conversar com artistas do Amazonas que dividem a vida e também a arte com seus amores

     

    | Foto: Divulgação

    Manaus - Em celebração ao Dia dos Namorados, comemorando neste sábado (12), o EM TEMPO entrevistou casais do Amazonas que dividem não só a vida, mas o trabalho artístico e as inspirações. Músicos, dançarinos, cantoras e produtoras foram alguns dos profissionais da Cultura que toparam dividir um pouco da peculiaridade de como é viver um relacionamento dentro da Arte.

    Márcia Novo (cantora) e Thaianty dos Santos (diretora artística)

     

    | Foto: Divulgação

    Márcia Novo, 33, é cantora amazonense com quatro álbuns lançados e está há uma década com sua namorada, a produtora artística Thaianty dos Santos. Elas também trabalham juntas em vários projetos, com Márcia nos palcos e Thaianty nos bastidores, cuidando da direção artística. 

    "Eu e Thai nos conhecemos trabalhando juntas. Ela foi trabalhar com meu produtor musical no tempo em que eu morava em Campinas. Eu precisava de uma produtora que viajasse comigo, me acompanhasse para as coisas. Aí acabamos por nos conectar, compor juntas, produzir videoclipes e shows, inventar projetos. Não nos desgrudamos mais", conta Márcia. 

    A cantora também conta que trabalhar junto com a companheira é "uma relação de muito amor, muita evolução juntas".  Para as duas, a intimidade foi importante até para o trabalho, já que tornou a produção dos espetáculos mais fácil, tanto para Thaianty, como diretora artística, quanto para Márcia, que tem na namorada uma tradutora dos anseios para sua arte que ela não consegue expressar sozinha.

    "Nós trocamos muito. A Thai conseguiu, nesses dez anos juntos, entrevistar o que eu queria visualmente para a minha arte. Seja em clipes, espetáculos, outros projetos, ela consegue perceber quando eu me sinto confortável ou não com algo sem que eu precise dizer", afirma a cantora.

    A arte acaba por não escapar de fazer parte da relação, não ficando restrita ao trabalho, mas tornando-se intrínseca ao próprio relacionamento. 

    "Não tem como escapar. Mesmo nos intervalos, a arte entra: seja compondo juntas, assistindo um filme, fazendo uma graça. É algo muito legal".

    Obra que marcou o casal: a canção "Saia de Arraia", composta pelas duas e presente no disco "Novas canções do beiradão (2015)", de Márcia.

    Gabriella Dias (cantora) e Romulo Augusto (violonista)

     

    Gabriella Dias e Romulo Augusto são cantora e violinista, respectivamente, e apresentam-se juntos em Manaus.
    Gabriella Dias e Romulo Augusto são cantora e violinista, respectivamente, e apresentam-se juntos em Manaus. | Foto: Reprodução/Acervo do casal

    Gabriella Dias é cantora amazonense de 23 anos e namora há três com o violonista Romulo Augusto, de 30. Ambos estudaram Música na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O casal trabalha juntos nos espetáculos de Gabriela, com Rômulo no violão e nos arranjos, e com repertório escolhido por Gabriela. Já se apresentaram

    Os dois se conheceram pelos corredores da Ufam. "Ele me viu tocando violão e me adicionou nas redes sociais e começou a me mandar mensagem. Mas ainda demorou para a gente namorar, ficamos amigos por quase um ano. Começamos a tocar em algumas apresentações juntos antes de namorar, e nos ensaios tivemos uma aproximação maior e começamos a gostar um do outro e namorar", explica a cantora.

    Romulo e Gabriella gostavam das mesmas músicas e logo começaram a organizar apresentações juntos. Segundo a cantora, uma das maiores vantagens é que eles sempre podem estar juntos para pensar na arte que fazem juntos. A desvantagem: ter que saber separar a rotina profissional da rotina pessoal dos dois. 

    "Mas é um namoro tranquilo, calmo. Fica mais fácil comunicar com a intimidade para desenvolver os projetos, mas também temos mais intimidade para discordar, então tem seus lados. O que eu acho mais legal é compartilhar: trocamos muito, somos muito parceiros, tiramos dúvidas um com o outro. Temos projetos individuais também, e nos apoiamos neles. Nosso relacionamento tem a ver com a música, estamos 24h por dia conectados à música", Gabriella conta.

    Obra que marcou o casal: o álbum Luz de Djavan, de 1982, que ouviram muito em momentos importantes do relacionamento.

    Adriana Góes e Getúlio Lima (bailarinos) 

     

    Casal Getúlio e Adriana durante apresentação.
    Casal Getúlio e Adriana durante apresentação. | Foto: Reprodução

    Adriana Góes (39) e Getúlio Lima (47) são bailarinos e estão juntos há mais de 21 anos. Os dois já trabalharam juntos no Corpo de Dança do Amazonas, e Adriana continua lá, enquanto Getúlio é professor do curso de dança da Universidade do Amazonas (UEA) e trabalha no setor de projetos da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AACD).

    "A gente se conheceu através da minha mãe. Ele me viu me apresentar e me achou talentosa, e perguntou se eu não queria fazer audição para o Corpo de Dança. Lá nós fomos colegas de trabalho, e aí veio uma iniciativa do Itaú Cultural para selecionar projetos, e participamos juntos. Foi aí que nos aproximamos", conta Adriana.

     Para Getúlio, unir a arte dos dois foi natural. "Foi natural, porque entramos na mesma audição para o Corpo de Dança do Amazonas. Lá, a gente trabalhou junto por 20 anos. Como artistas e casal a gente sempre está conversando sobre esse universo da arte, independente de planejar apresentações ou outras coisas. A arte nos move e construímos nossa família por meio dela".

    O casal tem os filhos Pedro Henrique, de 19 anos e Maria Clara, de 3, e Adriana está grávida, com previsão para dar à luz em janeiro de 2022. "As particularidades que eu vejo são que, quando trabalhávamos juntos, aproveitávamos as viagens como pequenas luas de mel. Trabalhávamos no Corpo de Dança viajando pelo Brasil e no tempo livre a gente aproveitava para conhecer outros lugares e para ficar juntos", conta Adriana.

    Obra que marcou o casal: o disco Maritmo, Adriana Calcanhotto (1998).

    Timóteo Esteves (violoncelista) e Elis Green (violinista)

     

    | Foto: Divulgação

    Timóteo Esteves (36) e Elis Green (30) são músicos que trabalham juntos, e estão juntos há quase dez anos. 

    "Nós nos conhecemos em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, quando participávamos de uma orquestra chamada Mariuccia Iacovino. A orquestra fazia anualmente turnês, e nesse ano, íamos participar do Festival del Sol, da Bolívia. Um ano depois, fomos fazer uma turnê nos EUA e no fim da viagem, em que o voo foi cancelado, eu e Timóteo acabamos tendo que ajudar quem não sabia falar inglês do grupo, e começamos a nos aproximar. A gente até dançou um tango nesse dia", os dois contam.

     "Num dia, o Timóteo começou a ensaiar uma música com membros da orquestra e apresentou. Foi o que chamou minha atenção primeiro", conta Elis. 

    Com Elis em Campos dos Goytacazes e Timóteo de volta a Manaus após a viagem, os dois começaram a namorar à distância. Depois de Elis vir visitar e conhecer Manaus, os dois noivaram e se casaram, e ela veio para a capital do Amazonas. Os dois começaram a tocar juntos em casamentos, compor e tocar em apresentações com o Tearte Duo, em que se apresentam com violino e violoncelo.

    "A gente se completa, temos talentos diferentes. O Timóteo é mais de criar, compor, arranjar. Eu sou a parte mais detalhista, que foca no que falta, nas partes que podem melhorar, no aperfeiçoamento. Nós também tentamos separar um espaço para o trabalho em casa, temos um escritório. A Tearte, nossa companhia de arte, surgiu para que possamos fazer nosso trabalho com carinho e atenção, como uma música artesanal. Acho que acabamos por expressar nosso amor pela música e um pelo outro e esse nosso amor já se multiplicou, na nossa filha Joana", reflete Elis.

    "Acho que nosso diferencial é esse. Quando você toca, estão lá suas características musicais. Quando um casal toca junto, as emoções desse casal aparecem para o público. Isso é algo muito importante para a gente, porque como músicos instrumentais, nós nos comunicamos com olhares, e como nos conhecemos e tocamos há um longo tempo, já sabemos o que o outro está dizendo sem que precise dizer. Entendemos a musicalidade do outro. Temos intimidade não só como casal, mas musical", discorre Timóteo.

    Namorar um parceiro de arte, para os dois é importante na medida em que os dois entendem as necessidades artísticas um do outro. "Muitos amigos têm dificuldades com seus parceiros porque as pessoas não entendem, por exemplo, o tempo de prática que um instrumento exige. Estar casado com um parceiro da arte se torna um pouco mais fácil, porque a pessoa entende e muitas vezes te ajuda", Timóteo conta.

    Obra que marcou o casal: A canção "Chega de Saudade", de Vinícius de Moraes e Antônio Carlos Jobim, interpretada por João Gilberto.

    Leia mais:

    Confira filmes para assistir com o crush nesse Dia dos Namorados

    Internet foi “cupido” de casais que se formaram durante a pandemia

    Dia dos namorados em casa? Confira filmes para assistir com o crush

    Comentários