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    Cultura


    11ª Mostra de Teatro do Amazonas nesta segunda

    O espetáculo “A Herança Maldita de Mercedita de La Cruz” tem como eixo principal a decadência da cidade de Manaus - fotos: Divulgação

    Ideia do teatro é fazer a palavra o seu tom insubstituível, com alma e sentimento, e ainda permitir que o silêncio, seja ouvido assim como em uma boa música, por isso parafraseando Clarice Lispector, entra em cena de 27 a 29 de março a primeira fase da 11ª Mostra de Teatro do Amazonas, período em que se comemora o Dia Mundial do Teatro e do Circo, exatamente dia 27.

    A Mostra é uma iniciativa da Federação de Teatro do Amazonas (Fetam) e segundo o presidente Douglas Rodrigues, o teatro Amazonense está em construção e o maior exemplo dessa conquista foi a UEA com curso de Teatro. Mesmo assim é preciso melhorar muita coisa, nos últimos dez anos o Norte conseguiu um destaque dentro dos programas do governo, atualmente desmoronou. “Temos que avançar e o trabalho da Federação juntamente com os artistas é ser sempre um revolucionário do seu tempo. Não foi o teatro do Estado que regrediu, a sociedade está declinando e nós artistas somos também sociedade, caímos juntos, pelo menos temos consciência da atual conjuntura. A maioria nem percebe a falta de sentido dos homens, a arte devolve os sentidos, ela sempre foi luz, esse é o teatro no amazonas ou em qualquer parte do mundo”.

    Quem abre o evento é a companhia Ateliê 23 com o drama ‘Ensaios de Despedida’. O espetáculo será às 20h, no Les Artistes Café Teatro, com acesso gratuito à população. Para Eric Lima, diretor de “Ensaios de Despedida’ abrir a Mostra já consagrada como a do Amazonas deixa todos do Ateliê felizes com o convite. “Acreditamos que estar nesse lugar não nos separa dos demais artistas da cidade, pelo contrário, somos apenas um dos atuais exemplos existentes de muita resistência e amor ao nosso trabalho. A sede do Ateliê nesse mesmo dia (27/3) completa 2 anos. E são 2 anos que ficamos em temporada todos os fins de semana de fevereiro à dezembro, logo, participar da abertura é, sem dúvida, um reconhecimento pelo nosso trabalho”.

    No dia seguinte, terça-feira, dia 28, A Companhia de Teatro Apareceu a Margarida retoma a comédia “A herança maldita de Mercedita de La Cruz” no palco do Teatro Amazonas, às 20h, com ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada para estudantes com carteira).

    Escrita por Sérgio Cardoso, com direção de Chico Cardoso, a peça é um dos maiores êxitos do teatro amazonense, com quase 30 mil espectadores.

    Questionado sobre o sucesso da peça que já tem 10 anos, o ator Michel Guerreiro conta que foi uma surpresa agradável, já que o sucesso não é uma fórmula exata, mas o trabalho sim. “Mercedita é um espetáculo fundamental para o avançar do teatro amazonense, porque continuar se apresentando e tendo público é uma vitória. Já participamos de uma mostra e voltamos nessa décima primeira como convidados para uma apresentação comemorativa dessa linda década com mais de cem apresentações”.

    A 11ª Mostra de Teatro do Amazonas voltará para uma segunda etapa, de 24 a 30 de abril, com 14 espetáculos no Les Artistes CaféTeatro

    Fechando a primeira etapa da Mostra de 2017, a Companhia Trilhares apresenta para o público infantojuvenil a clássica obra ‘Os Saltimbancos’, de Chico Buarque. A única sessão da peça será às 16h, do dia 29 de março (quarta-feira), também no Teatro Amazonas, com ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia-entrada para estudantes com carteira).

    A 11ª Mostra de Teatro do Amazonas voltará para uma segunda etapa, de 24 a 30 de abril, com 14 espetáculos no Les Artistes CaféTeatro. Os grupos teatrais e artistas interessados em participar deverão enviar e-mail para a Fetam até o dia 25 de março, no seguinte endereço eletrônico: [email protected]

    O evento é uma realização da Federação de Teatro do Amazonas, com apoio cultural do Governo do Amazonas por meio da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), da Prefeitura de Manaus, através da Manauscult, e da Prefeitura de Rio Preto da Eva.

    Um pouco sobre ‘Ensaios de Despedida’

    Dirigida por Eric Lima, a montagem ‘Ensaios de Despedida’ traz a história de um casal, vivido pelos atores Taciano Soares e Thais Vasconcelos, em várias fases do relacionamento. “Nesse momento, eles passam por um conflito, que não afirmar se eles estão se separando ou não. Nós deixamos isso para o público decidir”, declarou Eric. O enredo da peça ainda se baseia em histórias de relacionamentos dos próprios integrantes da companhia, com recortes de filmes importantes e referências diversas no campo da arte.

    A obra começou a ser construída durante ao evento ‘Mostra Inútil’, primeiro experimento do Ateliê 23. Isso determinou as alças de pesquisa que nortearam o espetáculo. “Ele faz parte dessa pesquisa que temos sobre relacionamentos, sobre modernidade líquida, amores líquidos, o que tem a ver com a obra do escritor Bauman, e, ainda, outras questões”, destacou o diretor, que também assina a provocação dramatúrgica da montagem.

    Sucesso e clássico

    O espetáculo “A Herança Maldita de Mercedita de La Cruz” tem como eixo principal a decadência em que a cidade de Manaus mergulhou na transição da década de 40 para 50, em consequência do declínio econômico, provocado pela queda vertiginosa da borracha da Amazônia no mercado mundial. Momento em que todas as famílias tradicionais da cidade se mudaram para o Rio de Janeiro, em busca de dias melhores, fugindo do caos econômico e da bancarrota.

    A comédia completou 10 anos nos palcos locais com os atores Michel Guerrero, Arnaldo Barreto e Nivaldo Mota e Hely Pinto. Na trajetória, percorreu estados do Brasil, como Rio de Janeiro, Acre e Amapá.

    Um clássico infantil, ‘os Saltimbancos’ atravessa gerações com o mesmo brilho e frescor. A história da luta de quatro bichos contra a máquina opressora, exploradora e cada vez mais exigente, uma conotação do sistema capitalista: opressor versus oprimido. Inspirado na clássica adaptação de Chico Buarque de Holanda, o espetáculo marca o primeiro musical da Cia. Trilhares.

    Bruna Chagas

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