Fonte: OpenWeather

    Inauguração


    Centro cultural Joaquim Marinho está com portas abertas a partir do dia 11 de novembro

    A figura consagrada da cultura amazonense vai reunir parte de sua trajetória em uma casa de música, coleções e negócios

    A filha do renomado artista, Patrícia Marinho, reunindo as várias faces caricatas de seu pai | Foto: Ione Moreno

    "Quero que o público reviva a época áurea do cinema em Manaus. Sentir os ares da nostalgia e da pipoca quentinha recém saída do carrinho do pipoqueiro momentos antes de esperar em pé para ver o filme do dia. Quero trazer o centro histórico repaginado. Quero resgatar a música boa e as rodas de amigos perdidas com o tempo e a história. Conhecer e mergulhar novas pessoas, novas culturas, trazendo os tempos antigos." Essa é promessa da Casa Cultural Joaquim Marinho, prevista para inaugurar no próximo dia 11 de novembro em homenagem ao aclamado jornalista português, mas bem regionalizado, José Joaquim Marinho.

    Leia também: 'Roda na Praça' - Humor consciente para todas as idades

    A fala é da filha dele, Patrícia Marinho, que teve a ideia, junto com a família, de eternizar o legado do pai transformando sua antiga casa em palco para lembrar e explorar a cultura amazonense. Em entrevista exclusiva ao EMTEMPO, a jornalista revelou os principais cômodos que estão em reforma, como vai ser a programação do espaço, as principais coleções do pai e uma palhinha do que a próxima noite de sábado sugere.

    O salão principal da casa onde serão realizadas as apresentações dos shows noturnos
    O salão principal da casa onde serão realizadas as apresentações dos shows noturnos | Foto: Ione Moreno

    Por dentro da casa que virou centro cultural

    A casa é um labirinto de salas com uma entrada em ladrilhos de cerâmica, enfeitado com um vistoso jardim. O hall abriga as caricaturas de Joaquim feita por diversos autores, incluindo a esposa, mostrando diferentes faces e momentos de vida. A velha máquina de projetar slides e a escrivaninha dos tempos da Borracha dão um tom retrô especial ao ambiente. Patrícia explica que cada um dos aposentos tem uma função singular.

    "O salão principal vai ser o palco improvisado dos artistas, onde as pessoas vão poder sentar nas muretas das estantes ou no chão para verem as apresentações. O bar vai funcionar rodando com comidinhas diferentes com o chefe Sérgio de Araújo. A proposta é fazer uma versão manauara das comidas de bar com o dadinho de tapioca recheado com queijo, o caldinho de feijão, o sanduíche de pernil com queijo coalho, entre outros", destaca ela.

    Patrícia diz que o lugar não é uma camisa de força e que a liturgia dos filmes, da música e da comida sempre vai variar. "A ideia é fazer especiais temáticos dentro do mundo da música. Talvez o janeiro bossa nova, com o cardápio típico carioca de boteco e bandas cantando o estilo, ou um fim de semana do country americano com a costelinha de barbecue como prato principal e as melodias da noite animado quem chega", afirma.

    A primeira saleta vai servir para as exposições de arte do ateliê especial do pintor mineiro Roberto Kleber intitulada 'Caminhos e Cores', onde vai mostrar a realidade das crianças de rua. Serão oferecidos na noite drinks e batidas com petiscos ao longo de todo o evento. 

    A programação de inauguração
    A entrada será gratuita para todos os públicos com previsão de início às 19h com o cantor paraense Nicolas Júnior cantando seus sucessos regionais. Logo após, a banda Ponto 44, do neto de Joaquim, Luis Henrique Marinho, vai animar a estreia da nova casa de shows de Manaus. Para a noite, são esperados os amigos íntimos que acompanharam a história de vida do jornalista, como a cantora Marcia Siqueira, bem como a imprensa e a população em geral.

    Os posteres de divulgação dos filmes que estreavam no Cine Chaplin estarão a disposição do público
    Os posteres de divulgação dos filmes que estreavam no Cine Chaplin estarão a disposição do público | Foto: Ione Moreno

    Paraíso Histórico

    A filha mais velha que seguiu os passos do pai, disse que o eclético, a liberdade e as lembranças vão marcar o centro de exposições. Joaquim é conhecido por suas admiráveis coleções que vão desde selos antigos à objetos eróticos, que até ganhou repercussão nacional no ano passado, em entrevista ao Programa do Jô.

    "Existe uma lacuna no contexto do cinema dos anos 1980 e 1990 que queremos trazer de volta. As conversas ao redor do tabuleiro do Banco Imobiliário, as aspirações por ser um colecionador renomado, as paixões pela cinefilia são a causa de abrirmos nossa casa ao público", comenta.

    O cenário do homem que tem caixas de palitos de fósforos de diferentes datas à coleção de quase três mil carrinhos em miniatura é a que vai preencher a decoração do ambiente. Marinho enfatiza que parte da decoração do renomado Cine Chaplin, objetos históricos da literatura e da cultura amazonense e coleções pessoais reunidas por Joaquim estarão disponíveis para a mostra permanente.

    A coleção de caixas de palitos de fósforos
    A coleção de caixas de palitos de fósforos | Foto: Ione Moreno

    Ela também relata que há no acervo cultural da família portas, pedaços de janela e louças de banheiro de construções históricas do centro de Manaus que foram demolidas no século passado.

    Rei das coleções

    Joaquim possui em torno de 12 mil LPs com discos de vinis autênticos, cerca de 10 mil discos de CDs de artistas regionais variados, 3 mil miniaturas de carrinhos estilos clássico e contemporâneo, além das peças polêmicas mostrando genitálias e posições eróticas. O artista também possui uma vasta pilha de fitas cassete VHS com clássicos do cinema nacional e internacional, selos temáticos e o popular monte de caixinhas de fósforo.

    Miniatura de bonecos colecionados por Joaquim Marinho
    Miniatura de bonecos colecionados por Joaquim Marinho | Foto: Ione Moreno

    História de vida

    Joaquim é jornalista, radialista, cinéfilo, empreendedor e atuou nas secretarias de cultura e de turismo marcando o cenário amazonense. Possui 60 anos de experiência em rádio atuando até hoje no programa Zona Franca, na estação 101,5 das 18h as 20h, todos os domingos. 

    Para Marinho, é comum o meio agitado em que a família viveu até os dias atuais. "Fomos criadas no meio dos artistas, das noites de estreias e das inovações no universo empreendedor e artístico. Nos acostumamos assim. Pretendo continuar isso", finaliza.

    Leia mais:

    A pedido de namorado, mulher leva drogas nas partes íntimas e acaba presa no CDPM II

    Umbanda e candomblé podem ser reconhecidos como patrimônio histórico nacional

    Sanfoneiro da banda '100% Abusado' morre na Torquato Tapajós

    Comentários