Fonte: OpenWeather

    Mistério


    Lenda da Matinta Perera: amazonenses relatam 'causos' sinistros

    A lenda é comum entre as pessoas mais tradicionais e moradores dos interiores amazônicos

    Matinta Perera | Foto: Malika

    "Voltavam de uma festa tarde da noite, quando ouviram um forte assobio, daqueles que fazem qualquer um tremer de medo, e sem hesitar gritaram: - Matinta Perera, vem buscar teu tabaco! Mais que depressa correram mata afora", contou a jornalista amazonense Adália Marques, destacando, entre risos, que essa é parte de uma das histórias que o pai contava a ela quando era criança. 

    O imaginário caboclo é repleto de lendas e causos encantadores, que muitas das vezes chegam a assustar os mais jovens. Muitas dessas lendas são passadas de geração em geração e fazem parte do senso comum da população.

     Conforme explica o historiador João Pinheiro, “as lendas não possuem um contexto que as tornem reais. São apenas relatos daqueles que dizem ter vivido algo ou que ouviram alguém contar".

    Matinta Perera, como conta o historiador, é uma das lendas que seguem vivas, não só no interior do Amazonas, mas também entre os moradores da capital. Ele diz que, em alguns lugares, acredita-se que existem velhas com o poder misterioso de se transformar na ave “Rasga Mortalha” e que, à noite,  saem assobiando, anunciando maus presságios.

    Para não acontecer nada de ruim, o caboclo corajoso oferece tabaco. No dia seguinte, uma senhora vestida em trapos, bate na porta em busca do fumo prometido.

    Matinta Perera
    Matinta Perera | Foto: Malika


    A Lenda

    João Pinheiro relata que a lenda da Matinta Perera possui várias versões: Uma trata da história de uma ave branca conhecida popularmente como “Rasga Mortalha”. O pássaro voa por diversos lugares e, segundo a crendice popular, quando pousa em uma casa e assobia fortemente, manda um aviso sinistro: alguém daquela residência irá morrer.

    Outra versão, narrada por Nemésio Damasceno, de 75 anos, morador da Comunidade Aninga, em Parintins, dá conta do receio que vem da floresta. "Na mata, durante a noite, é possível ouvir alguns barulhos impossíveis de serem identificados. Um assobio forte e estremecedor é sinal para que se saiba que a Matinta Pereira está na região. Os mais antigos contam que devemos oferecer tabaco, pois o assobio é sinal de que algo muito ruim irá acontecer.  Ao oferecer o fumo, na manhã seguinte é dito e certo, que alguém irá buscar. Por isso, se você prometer, terá que cumprir".

    Damasceno conta que já esteve bem próximo da criatura. "Há muito tempo, quando não havia energia elétrica na comunidade, eu e meu primo estávamos em casa à noite. Apagamos a lamparina e ouvimos um barulho estranho, sentimos a presença de um vulto. Acendemos a lamparina e olhamos em volta. Não vimos nada. Apagamos novamente e só senti aquela 'lambada' no couro. 'Pá'! Com certeza era a bendita da Matinta!"

    Já imaginou se acontecesse com você?


    Leia mais:

    Curupira: criado historicamente para defender a natureza

    Cobra Grande: a lenda que habita o subsolo da catedral de Itacoatiara

    Quadrinhos ‘Rio Negro’ traz a história de lendas indígenas da Amazônia


    Comentários