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    Vida em poesia


    Poetas trabalham pela resistência de sua arte

    Amazonenses falam sobre o que os levou a praticar a escrita literária e como esse processo se tornou uma profissão, mesmo estando em extinção

    O amazonense Jonathas Oliveira começou a escrever poesias aos 12 anos | Foto: Reprodução

    É possível contemplar a arte de várias formas. Uma das formas mais apreciadas no mundo é a prática milenar da arte de escrever em versos. De expressar sentimentos profundos em palavras.

    E para solidificar a importância dessa arte na história da humanidade, foi criado pela Unesco, o Dia Mundial da Poesia, comemorado anualmente no dia 21 de março. Um dia todinho dedicado aos versos dos poetas mundo a fora.

    Várias são as inspirações dos poetas para versar seus textos. A natureza, sem dúvida, é uma das principais. Para o poeta amazonense Celdo Braga, do grupo Imbaúba, a Amazônia é sua inspiração exclusiva.

    “Todas minhas obras são voltadas para a Amazônia, seja música ou poesia. A partir do momento que eu fundei o grupo Raízes Cabocla (primeiro grupo do músico) eu assumi a dimensão de “cantar” minha terra para o resto da minha vida, sempre ressaltando o valor que tem essa região”, disse.

    As obras do poetas retratam o cotidiano singular do povo amazônico, as sutilezas da flora e os mistérios da fauna. “Encaro isso como uma grande causa, é a minha missão na vida, descrever em versos e em música todas as nuances que acontecem nesse ecossistema”, comenta o músico que também é vice-presidente do Conselho Municipal de Política Cultural (ConCultura).

    Celdo Braga
    Celdo Braga | Foto: Reprodução

    Para o poeta, além de incentivar a leitura de poesias, é fundamental educar as novas gerações ao que concerne a valoração da cultura. “É necessário realizar oficinas educativas com as crianças para que possam valorizar cada vez mais a cultura do Norte. “Os amazonenses não têm o sentimento de pertencimento com a terra, e então, é mais fácil passar esses valores para as crianças”.

    O poeta começou a escrever muito cedo, apenas com 11 anos de idade, numa atividade escolar. “Era um concurso de poesia para falar sobre o bem que fazemos sem olhar para quem. Ganhei em primeiro lugar e depois daí não parei mais, me tornei poeta”, lembra.

    Ele conclui lembrando que a importância da poesia deve ser ressaltada constantemente e não apenas nas datas comemorativas. “O Dia Mundial da Poesia é importante para ser avaliada e aplaudida por todas suas dimensões, mas deveria ser estendido para todos os dias, para que dessa forma a prática de escrever e apreciar uma bela poesia seja natural do cotidiano de todos”, finaliza.

    Novos talentos

    Podemos perceber que a prática da escrita tem se popularizado, e hoje em dia, é possível encontrar vários sites, blogs, e páginas nas redes sociais de jovens escritores. Muitos escrevem apenas para expressar sentimentos presentes, mas outros, como o Jonathas Oliveira, 30, levaram a prática a um outro nível.

    O jovem poeta e músico, começou muito cedo, aos 12 anos, quando seu pai não o deixava brincar de pipa, na rua. “Meu pai tinha um extremo cuidado comigo e não me deixava ir para a rua, por conta dos perigos e do sol. Foi assim que surgiu “Céu de Pipas”, o meu primeiro poema. Foi uma linguagem lúdica, ingênua e inocente, mas cheia de significado”, conta.

    O empenho na escrita foi tamanho que o poeta decidiu copilar as obras e transformá-las em livro. “’Tudo sobre meu nada’ foi publicado em 2015 e depois passei a escrever para a Revista Poética Brasileira, sempre enviando poemas. Ainda esse ano irei lançar um inédito”, revela o autor que tem em Carlos Drummond de Andrade, sua principal inspiração.

    Ainda sobre as inspirações do escritor, ele comenta que estão totalmente associadas ao seu processo criativo diário. “Sou muito sensível a qualquer tipo de estímulos e faço leitura de tudo, em todos os sentidos. Um cheiro, um toque, um olhar ou um som. Tudo isso são ferramentas que me estimulam na criação”, conclui Oliveira.

    Céu de Pipas é o primeiro poema de Jonathas
    Céu de Pipas é o primeiro poema de Jonathas | Foto: Reprodução

    Céu de Pipa

    Céu das Pipas

    Algumas Quedando

    Outras cortando e aparando

     

    No talo...

    Na mão...

    É tempo de Soltar Pipa

    Chegou o Verão

     

    No Campo de Areia

    Na laje ou na rua

    Suor e Seroto

    Queda Penoso! (Teu Pai é perigoso)

     

    O Céu é das Pipas!

     

    O Dia no Sol

    Pilando Cerol Descaindo...

    Embiocando...

     

    Nessa Alegria

    O tempo vai passando

    Já são 18:30hs

    Mamãe tá chamando


     (Jonathas Oliveira)

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