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    Igreja Católica


    É tempo de conjugar esperanças

    A esperança é transformativa, pois Deus está a nos ensinar que da dor, da morte, nasce a vida sem fim!

    Escrito por Dom Leonardo Ulrich no dia 16 de abril de 2021 - 22:31

     

    | Foto: Divulgação

    Experimentamos dias difíceis em relação à pandemia, tensos em relação à política, decepcionantes em relação à ética. Na análise e reflexão, na busca da verdade do momento que estamos a viver, quase nos afligimos: violência, agressão, palavrão, descaso com a vida, comércio da religião, as negociatas como política, negacionismo, milícias, despreparo e descuido em relação imunização da população.

    Quase perdemos a confiança em dias melhores, a saúde física e psíquica da nossa humanidade, de sairmos mais humanos da pandemia. Quando abrimos espaço à ideia de que tudo está mal e que vai de mal a pior, nos resignamos, permitimos que a desesperança tome conta do nosso descaminhar, tornamo-nos cínicos e, às vezes, até sarcásticos, portadores dum desânimo doentio.

    Quando vemos e lemos as notícias falsas que são disseminadas para quebrar as relações sociais mais dignas, empanar a verdade que concede horizonte à nossa convivência, pensamos que é melhor deixar escorrer.... Repassamos notícias falsas deteriorando as relações, invertendo verdades; fragilizamos a justiça na inércia de nossas ações.

    O cristão é tonificado pela esperança! O Ressuscitado conquistou o direito à esperança. E esperança da vida nova, transformação no caminhar. Não um otimismo, vazio, uma alegria passageira e momentânea. Não! A esperança que não decepciona; de esperança em esperança! Como nos lembra Paulo: “Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória” (Cl 3,3-4).

    O dom da esperança nos vem oferecido e recordado na Páscoa. Temos futuro: a morte foi vencida, a noite se iluminou. A esperança é transformativa, pois Deus está a nos ensinar que da dor, da morte, nasce a vida sem fim! A esperança, não porque o túmulo está vazio, mas porque Ele agora caminha à nossa frente, nas Galiléias das nossas andanças e buscas. E o encontraremos e o veremos em todas as situações nas quais não esperávamos encontrá-lo e vê-lo. Ele agora caminha à nossa frente e ele a nos animar!

    Esperança! Seria melhor esperançar, pois expressa uma ação, uma dinâmica, um impulso no caminhar. Não o esperar, mas a aguardar caminhando. No caminhar, estar no aguardo. Esperançar que tem a força de deixar-se conduzir pela verdade que não engana e pela vida que renasce. Uma dinâmica de vida! No emaranhado das notícias falsas e mortais, movidos pela esperança, enviamos boas novas de dignidade, de justiça, de bem querer, de conforto e do consolo: esperançar!

    No desconforto da apolítica, ajudamos as pessoas e comunidades a despertar para o cuidado do bem comum, para a dignidade da política, para a crítica dos políticos que só sabem cuidar de si mesmos e da ideologia que os elegeu: esperançar! No desassossego da violência e da agressão conjugamos amar, alentar, renovar, esperançar!

    Conjugar a esperança! Eu, tu, nós, vós, todos Nós esperançamos! De esperança em esperança! Mulheres e homens que no meio das intempéries e tensões, sabem da vida nova, da preciosidade do humano e das criaturas. Conjugar, entrar na dinâmica da esperança, traz alento, agiliza os passos, sustenta os braços, aquece os corações. Desanimar? Esperançar!


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