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    Zona Franca


    Polo Industrial cresce 11,29%, mas perde quase 35 mil empregos

    Dados divulgados pela Suframa mostram que nos últimos 6 anos quase 34 mil empregos foram perdidos. Em contrapartida, o faturamento das empresas do PIM cresceu 11,2%. Há o que comemorar neste Dia da Indústria?

    Polo Industrial de Manaus perdeu nos últimos seis anos mais de 33 mil postos de emprego | Foto: Ione Moreno

    Manaus – Quando se fala em indústria, a primeira coisa que vem na mente dos amazonenses é o Polo Industrial de Manaus (PIM) ou, simplesmente, Zona Franca de Manaus. Com mais de 62 anos gerando oportunidade de emprego, o PIM fechou o ano de 2018 com 86.047 trabalhadores entre efetivos, temporários e terceirizados. Embora o número pareça expressivo, neste sábado (25), Dia da Indústria, os funcionários do setor podem não ter o que comemorar já que a indústria local apresenta queda no número de empregos nos últimos seis anos.

    A Zona Franca reúne atualmente 500 indústrias, segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Dentre os segmentos que atuam no Polo Industrial estão o eletroeletrônico, duas rodas, naval, mecânico, metalúrgico, termoplástico, entre outros. 

    A produção do PIM é direcionada majoritariamente para o mercado brasileiro. De 2013 para 2018, o número de mão-de-obra empregada caiu de 121,6 mil para 87,7 mil. Uma redução de 33.899 postos de trabalho durante esse período. Por outro lado, o faturamento das indústrias do PIM saltou de R$ 83,2 bilhões em 2013, para R$ 92,6 bilhões, em 2018, o que representa um crescimento de 11,29%.

    Para o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, a queda no número de empregos está seguindo o quadro econômico do país. Segundo o representante, a geração de empregos apresentou um crescimento desde 2017, mas cenário ainda é de incerteza. 

    “A redução nos postos de emprego vem em decorrência da situação econômica do país. Embora tenha ocorrido uma estabilidade a partir do segundo semestre de 2017, ainda é muito incerto. A redução foi substancial, mas de qualquer forma houve um pequeno crescimento. É um momento de instabilidade que tem repercutido no consumo local. A ZFM tem sido atacada pelo Ministro. Hoje, há mais de 105 projetos pendentes para discussão”, afirma Nelson Azevedo.

    A produção do PIM é direcionada majoritariamente para o mercado brasileiro
    A produção do PIM é direcionada majoritariamente para o mercado brasileiro | Foto: Arquivo EM TEMPO


    Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria do Amazonas apresentou a quarta maior retração do País em março deste ano, atrás apenas de Pará (-12,5%), Mato Grosso (-12,3%) e Espírito Santo (-11,1%). O índice do Estado está, inclusive, acima da média nacional para o período que foi 6,1%.  

    O setor amazonense também sofre queda em todos os outros períodos analisados na pesquisa do IBGE. A indústria do Amazonas recuou -5,1% no primeiro trimestre do ano; -2,1% no acumulado dos últimos 12 meses e -0,5% no comparativo de março e fevereiro de 2019.

    Menos empregos com a crise econômica

    Nos últimos seis anos, a oferta de postos de trabalho no Polo Industrial de Manaus reduziu com a crise econômica e política brasileira. O número de trabalhadores empregados no PIM chegou a atingir média mensal de 122.177 mil, em 2014. Embora tenha tido a baixa no número de oferta de empregos, o faturamento nos últimos anos só cresceu. A diferença no faturamento entre 2017 e 2018 mostra um crescimento de 12,92%, um total de R$ 82,070 bilhões.

    Segundo os dados mais recentes da Suframa, 33.899 postos de trabalho foram perdidos nos últimos anos
    Segundo os dados mais recentes da Suframa, 33.899 postos de trabalho foram perdidos nos últimos anos | Foto: Arte: Desirée Souza


    Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Indústrias de Plástico, Francisco Brito, o aumento do faturamento das Indústrias do PIM  é atribuído a flexibilização da reforma trabalhista e ao grande número de contratações terceirizadas.

    "Nós sentimos na pele a redução dos empregos. Na quinta, nós tivemos uma reunião com uma empresa que anunciou que fecharia as portas e demitiria todos os trabalhadores. O lucro das empresas aumentou nos últimos anos devido ao crescente número de terceirizados contratados. A reforma trabalhista estabelece que quem tem dinheiro ganha mais dinheiro, quem não tem dinheiro, sofre. Os terceirizados vivem um regime precário", afirma o representante.

    Os dados divulgados pela Suframa, em fevereiro de 2019, mostram que o PIM vem apresentando um gradual crescimento no trabalho terceirizado. Em especial nos últimos dois anos, graças à Reforma Trabalhista e à Lei de Terceirização (nº 13.429/2017) – que permite terceirizar a força de trabalho para atividades-fim e meio.  

    Entre os 110.133 trabalhadores na ativa em novembro de 2008, 4.262 eram terceirizados (3,87% do total), 7.317 eram temporários (6,64%) e 98.554 eram efetivos (89,49%), conforme os Indicadores de Desempenho do Polo Industrial de Manaus.

    m novembro de 2018, o número de efetivos era de 77.037 (89,72% do total)
    m novembro de 2018, o número de efetivos era de 77.037 (89,72% do total) | Foto: Ione Moreno


    Já em novembro de 2018, o número de efetivos era de 77.037 (89,72% do total), 5.096 temporários (5,92% ) e 5.106  de terceirizados (5,93%). O que representa um aumento nos últimos dez anos de 2,2% no número de terceirizados na Zona Franca de Manaus, no mesmo período analisado.

    Embora em 2018, a média mensal de empregos diretos do PIM estivesse estabelecida entre a melhor dos últimos três anos, com 87.732 trabalhadores, no momento mais acentuado da crise, em 2015, foram 33 mil contratações contra 58,7 mil desligamentos. O saldo negativo foi de 25,6 mil vagas.

    Se todas as indústrias saíssem da Zona Franca de Manaus, o Estado perderia não só uma das maiores matrizes econômicas, mas ficaria sem perspectiva de geração de emprego para mais de 86 mil amazonenses. É o que afirma o vice presidente da Fieam.

    "Nós não temos outra matriz econômica que gere emprego nos próximos 10 anos. Algo que represente pelo menos 1/3 dos empregos do PIM. Não temos perspectiva da criação de um modelo para gerar emprego. Nós temos que trazer investidores para o Polo Industrial para continuarmos explorando o setor", afirma Nelson Azevedo.

    Segmentos e produtos

    Com faturamento de R$ 29,92 bilhões no final do ano passado, o segmento Eletroeletrônico segue sendo o setor com maior representatividade no faturamento global do PIM, atingindo 28,27% de participação.

    Na sequência, aparecem os setores de Bens de Informática, com faturamento de R$ 19,89 bilhões e 21,39% de participação; Duas Rodas, com R$ 12,95 bilhões e 13,98%; Químico, com R$ 11,05 bilhões e 11,88%; e Termoplástico, com R$ 5,76 bilhões e 6,19%.

    No acumulado de janeiro a julho, os televisores com tela de cristal líquido – principal produto fabricado pelo PIM – tiveram 7,37 milhões de unidades produzidas, um crescimento de 24,72% ante o mesmo intervalo de 2017.

    Indústria 4.0

    O economista Salomão Neves explica que o crescimento no setor de Eletroeletrônico está diretamente relacionado com a atual indústria 4.0 – conceito que engloba as principais inovações tecnológicas dos campos de automação, controle e tecnologia da informação, aplicadas aos processos de manufatura.

    “Estamos falando do conhecimento e da melhoria dos processos com a Indústria 4.0. É preciso que os funcionários das indústrias tenham a expertise para lidar com o avanço, senão é difícil de se manter. Esse novo conceito surgiu para trazer melhoria. No ponto de vista do consumidor, os produtos são entregues com mais qualidade, já para as empresas a preocupação maior é sobre um aumento de produtividade e os ganhos com a internet das coisas. O setor eletroeletrônico é pungente devido, principalmente, aos celulares”, afirma o economista.

    Pauta e edição: Bruna Souza

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