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    Hotelaria


    Vídeo: Airbnb preocupa o mercado hoteleiro tradicional de Manaus

    Plataforma de hospedagem gera ganhos para amazonenses que lucram até R$ 2,5 mil e incomoda mercado tradicional de hospedagem local

    Airbnb é alternativa interessante para viajantes, mas vem incomodando o setor hoteleiro tradicional | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - A 'nova economia' alavanca negócios criativos aliada ao avanço tecnológico por meio das plataformas digitais que impacta diretamente o mercado tradicional. Exemplo disso é o Airbnb, serviço criado para compartilhar novos meios de acomodação e hospedagem que já possui mais de 500 anúncios oriundos de Manaus na plataforma online.  Apesar do número de anúncios baixos em comparação a São Paulo e Rio de Janeiro, o avanço da preferência dos turistas agrava ainda mais o mercado hoteleiro local, que sofre com a falta de investimentos.

     Dados do Sindicato das Empresas de Turismo do Estado do Amazonas (Sindetur) apontam que atualmente a média de ocupação do setor hoteleiro amazonense é de 35%, bem abaixo da média do equilíbrio que é de 50%. Na contramão do setor, o interesse pela hospedagem moderna, com tarifas acessíveis oferecida pelo Airbnb só cresce. Os atrativos são muitos, tanto para quem hospeda quanto para quem é hospedado.

     Os “anfitriões” do Airbnb, como são chamados quem disponibiliza espaços para alugar, anunciam de forma gratuita para viajantes do mundo inteiro. Os viajantes podem encontrar preços mais baixos, segurança e uma experiência de hospedagem diferente, baseada no conceito de “sentir-se em casa”.

    O site do Airbnb aponta que é possível faturar até R$ 1,6 mil por mês alugando apenas um quarto em Manaus. O aluguel de um espaço inteiro pode render até R$ 2,3 mil mensais. Do valor obtido, a plataforma cobra uma taxa de 3% no ato da reserva.

    Hotéis precisam competir com novas formas de acomodação e hospedagem
    Hotéis precisam competir com novas formas de acomodação e hospedagem | Foto: Leonardo Mota

    Em Manaus, o empresário Ricardo Botelho, 26, enxergou no Airbnb uma oportunidade de aumentar a renda do mês. Ele, que é dono de uma imobiliária, anuncia quatro apartamentos para locação pela plataforma. Ricardo cita a segurança e o networking como as principais vantagens do serviço.

    “O próprio Airbnb faz a prospecção dos clientes. Tenho hóspedes de todas as regiões do Brasil e de algumas partes do mundo. Funciona como uma fonte extra”, revela o empresário, que fatura até R$ 8 mil por mês. O valor, no entanto, vai em grande parte para pagar as taxas de condomínio. “Então o lucro é cerca de R$ 2,5 mil”, admite.

    Outra anfitriã é a contadora Lilian Linhares, 33, que anuncia na plataforma há cinco anos. Lilian conheceu o serviço durante uma temporada na França, onde morou por oito meses usando a plataforma. Quando voltou para Manaus, decidiu anunciar também.

    “Tem sido uma experiência positiva. Os amigos se surpreendem quando vão nos visitar e encontram um estrangeiro dentro de casa. Já recebemos franceses, espanhóis e americanos”, conta. Além do quarto compartilhado em sua própria casa, Lilian aluga um apartamento completo em outra localidade.

    A contadora considera a renda expressiva no Airbnb como um acréscimo financeiro bem-vindo, mas incerto no orçamento mensal. “Há meses que tenho 20 dias alugados, outros em que não tem nenhum dia”, explica. A contadora diz que nunca teve problemas com os hóspedes da plataforma e já incentivou amigos a serem anfitriões também.

    "Concorrência desleal"

    Para ABIH, a plataforma Airbnb representa concorrência desleal para o setor
    Para ABIH, a plataforma Airbnb representa concorrência desleal para o setor | Foto: Reprodução/Depositphotos

    A alternativa para os viajantes incomoda o setor hoteleiro no mundo todo. No Brasil, a Abih é taxativa. Para a entidade, o Airbnb não pode substituir a hotelaria tradicional, uma vez que, segundo a associação, a plataforma não é regulamentada nem oferece os mesmos padrões de segurança e qualidade dos hotéis.

    “O Airbnb não investe no setor, nem está sujeito às inúmeras obrigações que estamos submetidos. Não possuem cadastros ou licenças, além de sequer respeitarem as regras da lei de acessibilidade", afirma o presidente da Abih, Manoel Linhares. Ele diz ainda que, a ausência de obrigações e o não recolhimento de impostos é concorrência desleal e reflete no preço final da locação.

    Inquilinato

    Para o Airbnb, anfitriões e hóspedes estão regulamentados pela Lei do Inquilinato, ou seja, de locações por temporada com duração máxima de 90 dias. Como apenas o espaço para estada é disponibilizado, não há prestação de serviços como café da manhã ou serviço de quarto, por exemplo, característicos de hotéis.

    A empresa também esclarece que os anfitriões oferecem o espaço em imóveis residenciais, o que não configura atividade comercial. "Por serem atividades essencialmente distintas, a locação e os meios de hospedagem estão sujeitos a regras diferentes. Não há que se falar, portanto, em quebra de isonomia e muito menos em concorrência desleal", diz por meio de nota.

    Sobre o pagamento de impostos, o Airbnb explica que os anfitriões, enquanto pessoas físicas, pagam mensalmente o imposto de renda sobre o valor recebido pelo aluguel. "A atividade do Airbnb no Brasil injetou mais de R$ 7,7 bilhões na economia em 2018 - impacto econômico 92% maior do que o registrado no ano anterior pela empresa", acrescenta.

     Adaptação

    Para o economista Leonardo Regazzini, o surgimento de modelos de negócio como o Airbnb coloca em risco a sobrevivência de empresas hoteleiras no mundo todo, não só no Amazonas. Ele é pessimista em relação à capacidade de hotéis tradicionais competirem com as opções oferecidas pela economia do compartilhamento para consumidores de baixo custo. "Para se ter uma ideia, hoje, é possível alugar um bom quarto com ar-condicionado em Manaus por R$ 50", aponta Regazzini.

    O economista diz que a alternativa para os hotéis seria investir nos perfis de hóspedes mais tradicionais. "Pessoas mais velhas, empresas, pessoas de alta renda ou com pouco tempo para pesquisar opções de hospedagem costumam preferir hotéis tradicionais. Se a rede hoteleira for capaz de oferecer a esses clientes um processo de reserva mais simples e uma experiência mais agradável por um preço não tão alto, cultivará a confiança deles", avalia.

    Outro fator que pode barrar o avanço do Airbnb em Manaus é o turismo corporativo. Segundo o gerente de hotel Nilson Rocha, a maioria dos viajantes que vem à cidade ainda é a trabalho. "Manaus é um destino para turismo de negócios por causa da indústria. O Airbnb tem outro conceito. Não tem a estrutura rápida e modelada do hotel tradicional. Para quem viaja a trabalho, não é interessante", afirma. "Já para quem viaja a lazer, por ser uma opção mais barata, com certeza vai ser mais atraente', reconhece Nilson.

    6 mil anfitriões 

    6 mil anfitriões brasileiro foram ouvidos pelo Airbnb, em pesquisa que aponta: a plataforma ajuda 69% dos anfitriões a continuar a morar em suas casas e 55% deles mantém as contas em dia por meio das locações.

    Assista à reportagem da TV Em Tempo:

    Assista a reportagem | Autor: Juliano Couto/ TV Em Tempo
     


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