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    Turismo


    Futuro dos hotéis do AM é incerto após a pandemia

    Com grande perda econômica, o setor tenta se reerguer após o pico da pandemia com novas estratégias

    Setor busca alternativas para não 'morrer', mesmo após a pandemia | Foto: Divulgação/ Intercity

    Manaus - O turismo no Amazonas foi o que mais sofreu com a necessidade de isolamento social, gerada pela pandemia. No setor hoteleiro do Amazonas a queda foi de 80% no número de hóspedes, diz representantes do setor. A falta de investimentos na hotelaria e a dependência do setor de aviação, fazem com que o futuro do setor seja incerto e que precise de novas estratégias para conseguir recuperar os clientes, que em sua maioria são turistas. 

    Para Roberto Bulbol, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Amazonas (Abih-AM), a hotelaria depende do acesso. Além da insegurança em viajar, os hospedes também ficam limitados pela redução da malha aérea. “As conexões estão muito longas, os voos reduzidos, isso atrapalha o fluxo de turista. É importante abrir uma janela de opções aos passageiros, para que cheguem rapidamente ao destino. O fluxo fluvial é muito limitado e não temos estruturas para viagens terrestres, então nossos hóspedes dependem da aviação”.

    De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor de turismo brasileiro teve queda na receita de R$2,2 milhões de reais já na primeira quinzena de março. Todas as medidas de segurança seguidas são uma tentativa de fazer com que os hóspedes se sintam cada vez mais seguros para retomar viagens turísticas, aumentando a movimentação nos hotéis.

    Protocolo de segurança

    A Amazonas Cluster de Turismo, associação que representa diversos hotéis no Amazonas, criou um novo protocolo de biossegurança, baseado em protocolos já seguidos internacionalmente. Entre as principais mudanças, a retirada de jornais e revistas de áreas comuns, desinfecção das malas e bagagens com solução desinfetante, um local para isolar quem tiver sido possivelmente contaminado pelo vírus, limpeza constante de áreas de circulação, balcões de atendimento e objetos de utilização comum, além do uso de máscaras e habitual disponibilização de álcool em gel 70%.

    “Criamos nosso protocolo de biossegurança. Um mix de vários protocolos internacionais e ajuda importante de uma empresa local de comércio de produtos de higiene e limpeza e reescrevemos o dia a dia dos nossos empreendimentos. Alguns com mudanças estruturais profundas”, explica Ricardo Pedroso, presidente da Amazonas Cluster.

    Ricardo Pedroso também explica que o protocolo criado pela associação tem todo o cuidado para fazer com que o consumidor não se sinta monitorado e sim, seguro, além de garantir a segurança também das equipes dos hotéis. “O fato é que pensamos em tudo no protocolo. Muito foi investido e estamos prontos.  Fizemos mais que uso de máscara e álcool gel. Pensamos em cada procedimento, desde a compra de insumos até o empratamento. Da higienização dos quartos as áreas sociais, do comportamento no transporte, na trilha ou turismo embarcado. Compromisso com o viajante e com a Amazônia”, finaliza.

    Parte do protocolo de biossegurança é a higienização de todas as superfícies de uso comum
    Parte do protocolo de biossegurança é a higienização de todas as superfícies de uso comum | Foto: Reprodução

    Estratégias

    O Tropical Executive adotou medidas  rígidas de sanitização
    O Tropical Executive adotou medidas rígidas de sanitização | Foto: Arquivo EM TEMPO

    As estratégias para atrair os clientes tiveram que ser refeitas, pensando acima de tudo no bem-estar do hóspede, na imagem positiva em contraste à negatividade que a pandemia carrega, além do papel do poder público que, por sua vez, deve atuar incisivamente no combate ao vírus e na segurança de todos. O diretor executivo do Tropical Executive Hotel, Leocádio Lopes, conta que os hotéis também devem se reinventar. "Começando com atendimento e limpeza. Adotando medidas rígidas de sanitização. Localmente falando, pensar em estratégias para atender público local, uma vez que as viagens internacionais são quase zero e as nacionais ainda estão reduzidas".

    Para Aleo de Almeida, gerente geral da rede Intercity Hotel, as estratégias para o impacto negativo do setor hoteleiro e as novas regras de prevenção que devem ser seguidas à risca, culminaram no cuidado muito maior em fazer com que o hóspede se sinta protegido como se estivesse na sua própria casa. A rede também segue um padrão próprio, criado em parceria com um infectologista.

    De acordo com o gerente do hotel Intercity, Aleo Almeida, durante a pandemia o local teve queda de 80% de sua ocupação
    De acordo com o gerente do hotel Intercity, Aleo Almeida, durante a pandemia o local teve queda de 80% de sua ocupação | Foto: Divulgação

    “O principal diferencial da nossa rede é a contratação de um infectologista e os purificadores de ar com peróxido de hidrogênio. Nós também disponibilizamos um aplicativo para reservas, check-ins e check-outs totalmente digitais, dessa forma o contato entre hóspedes e a equipe é mínimo”, explica Aleo.

    O gerente ainda revela que durante a pandemia, a rede de hotel Interciy teve queda de 80% da ocupação. “Caímos 80% da ocupação. E ainda não estabilizou. Estamos estabilizando gradativamente. E acreditamos que em até novembro vamos recuperando gradativamente”, destaca.

    Hotel office

    Hotel Office é opção para quem precisa de conforto e privacidade para trabalhar
    Hotel Office é opção para quem precisa de conforto e privacidade para trabalhar | Foto: Rebeca Mota

    Com o número de hóspedes bastante reduzidos devido às restrições de viagem, causadas pela pandemia da Covid-19, redes de hotéis têm buscado novos usos para seus quartos vazios. O hotel Intercity Manaus converteu seus quartos desocupados em escritórios privados para quem precisa de um espaço melhor para o home office neste período de pandemia.

    De acordo com Aleo Almeida, é possível usufruir do serviço a partir de R$ 50 com um ambiente seguro e confortável, Wi-Fi, bancada de trabalho, room servisse, serviço de escaneamento e impressão. “Muitas pessoas, principalmente os profissionais liberais, procuram um local para fazer suas atividades e às vezes nem sempre eles podem fazer nas empresas que trabalham devido algumas estarem fechadas por conta da pandemia. Outros preferem realizar seus trabalhos em um ambiente fechado e reservado. Então, hoje nós estamos proporcionando e oferecendo um espaço para isso”, conta Aleo.

    Expectativa

    Em alguns hotéis os restaurantes não estão sendo abertos. Neles, a preferência é para o serviço de quarto, que é feito com toda a higienização indicada. “Estamos recebendo um número muito pequeno de hóspedes então não está tendo necessidade de abrir restaurantes até mesmo pela segurança. A maioria dos hóspedes vem a trabalho, solteiros ou no máximo em casal, então a preferimos o atendimento nos quartos”, explica Bulbol.

    Com tudo sendo seguido a rigor, a expectativa é que, aos poucos, o mercado volte a se movimentar. Com a possível distribuição da vacina ainda neste ano, o setor tem a possibilidade de voltar ao normal em até dezoito meses.

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