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    Mercado de trabalho


    Empreendedores que venceram a crise com criatividade no Amazonas

    Com a crise que afetou o país, muitos brasileiros migraram do mercado convencional para o alternativo com o intuito de gerar lucro e renda para garantir o sustento da família

    O Portal EM TEMPO entrevistou 5 empresários dos mais diversos ramos
    O Portal EM TEMPO entrevistou 5 empresários dos mais diversos ramos | Foto: Desirée Souza

    Manaus - A crise pegou o país de surpresa. Tendo como principal consequência, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 13 milhões de desempregados - números nunca atingidos antes. Desse total, 268 mil só no Amazonas. Por conta desse número elevado, cada vez mais pessoas migram para meios alternativos de fonte de renda.

    Somente na industria, cerca de 16 mil empregos foram perdidos, em comparação com o mesmo período de 2018, o que impulsionou a taxa de desemprego em Manaus. O número de pessoas desempregadas no Amazonas subiu de 241 mil, em 2017, para 268 mil pessoas, em 2018.

    O setor privado apresentou alta de 1,1% (mais de 6 mil pessoas). Nesse grupo, o maior aumento foi no grupo sem carteira assinada (2% ou 3 mil pessoas). O setor público teve a maior queda, 20 mil pessoas a menos.

    Mas, como se posicionar no mercado? Qual o investimento necessário? Ou até mesmo, como criar a coragem de dar o pontapé inicial? Para analisar o cenário, o Portal EM TEMPO ouviu alguns novos empreendedores que contam histórias de como foi possível inovar para superar a crise. 

    "Atelier 24" 

    Hoje, atendem diversos clientes no Amazonas
    Hoje, atendem diversos clientes no Amazonas | Foto: Reprodução

    O casal Heitor Ribas, de 24 anos, e Isa Damasceno, de 22 anos, começaram a empresa com R$ 20 e uma máquina emprestada. Sem dispor de um bom capital, eles compartilharam do pensamento de muitas pessoas, que acham loucura começar algo com um patrimônio escasso - com poucos recursos.

    "Acredito que o sucesso da nossa empresa aconteceu justamente por isso. A ideia de montar um negócio surgiu de um casal de amigos que são empreendedores. Eles nos emprestaram uma máquina, nós compramos uma caneca de porcelana e a estampamos. Então, vendemos a caneca e com o dinheiro que ganhamos compramos mais duas. Assim fomos criando a empresa que temos hoje", contou o casal.

    O começo e a crise 

    Sem experiência no ramo empreendedor, Heitor e Isa sofreram no início do negócio aprendendo a executar na prática as ideias, além de obter conhecimento por meios alternativos.

    "Eu e meu sócio começamos uma empresa sem um modelo de negócio, pouca estrutura e nenhuma pesquisa prévia sobre o mercado local, então foi bem difícil!", destaca Isa Damasceno.

    Ela conta que o aprendizado veio de uma maneira que não era esperada. "Aprendemos da pior maneira. Precisávamos de um controle de vendas, uma precificação adequada e real, além de fluxo de caixa, um planejamento estratégico de ações e um fundo de segurança, por exemplo. A partir dessa percepção, começamos a estudar pelo YouTube [por ser de graça] todos os assuntos que envolviam 'ter um negócio’", acrescenta Damasceno.

    O sócio do "Atelier 24", Heitor Ribas, conta que mesmo diante da crise financeira que assola o país, o casal viu a chance de dar uma virada.

    "A crise nunca foi uma barreira, na verdade foi um estímulo. Analisando o cenário de desemprego, as filas intermináveis do Sine [Sistema Nacional de Empregos] e os quadros de funcionários sendo reduzidos nos estabelecimentos, nunca me pareceu favorável o ingresso no mercado convencional e ficar à mercê dele. O empreendedorismo surgiu como uma oportunidade de crescimento profissional, de empoderamento e sustento", destacou Ribas.

    Os fundadores do Atelierx24, com produtos exclusivos
    Os fundadores do Atelierx24, com produtos exclusivos | Foto: Reprodução

    O mercado convencional e o retorno financeiro

    A insegurança do mercado ao novo empresário pode assustar alguns, mas o casal demonstrou-se tranquilo diante disso. "De forma alguma penso em retornar ao mercado convencional. Eu amo trabalhar, estar em movimento e fazer negócios", afirmou Isa.

    O parceiro e sócio diz que "prefere viver para enriquecer e não enriquecer aos outros". Além disso, ele afirma que se "orgulha de ver o que juntos conseguiram construir, e não há salário que compense".

    Apesar de hoje já conseguirem manter as contas pagas com a empresa, os dois buscam cada vez mais recursos, para que a empresa siga a linha de crescimento atual.

    "Conquistamos um patrimônio equivalente as nossas necessidades, mas ainda temos muito a alcançar. Eu tenho 22 anos e meu sócio 24 anos e as necessidades tendem a aumentar. Além disso, estagnar não faz parte dos nossos planos", concluiu Isa. 

    Isa e Heitor, o amor que virou profissão
    Isa e Heitor, o amor que virou profissão | Foto: Reprodução

    Quem deseja empreender precisa saber

    Isa e Heitor falam que não enganam quem deseja empreender. Para eles, é um caminho muito difícil e impactante, podendo surgir eventualidades desagradáveis para quem não está preparado.

    "É muito impactante quando você percebe que não tem ninguém para responder por você. As consequências boas ou ruins são suas e você não tem outra saída a não ser enfrentá-las", analisa Heitor.

    Ao ter iniciado a empresa com 22 anos e a sócia com 21 anos, ele conta que ambos não tinham noção na prática do significado de responsabilidade. "Engana-se quem pensa que empreendedorismo é estabilidade! Na verdade, é uma montanha russa. Até os maiores empreendedores precisam eventualmente revisar planos de ação".

    "

    O momento perfeito não existe! Comece com pouco, e deixe que o próprio negócio se pague "

    Heitor Ribas, Pontapé

    Heitor avalia, ainda, que é necessário que o empreendedor crie um fundo de emergência para momentos de baixo movimento.

    "A internet é uma grande aliada do empreendedor. Pesquise empresas do mesmo seguimento, faça uma pesquisa prévia antes de escolher um nome para o negócio, afinal a ideia é que o seu empreendimento seja único. E principalmente, entenda que o negócio não é seu, ele é do mercado", conclui Heitor.

    Concluindo o pensamento do sócio, Isa diz que "além disso, você precisa escutar o que as pessoas estão dizendo, o que os  concorrentes/parceiros estão fazendo e filtrar o que é interessante para aderir".

    "Brownizêra" - Brownies personalizados 

    Brownies da Brownizera, recém-chegada no mercado amazonense
    Brownies da Brownizera, recém-chegada no mercado amazonense | Foto: Reprodução

    Anna Caroline e Emanuele Puget viram na crise do mercado convencional a oportunidade de desenvolver o negócio que tanto esperavam. "A oportunidade de empreender com certeza tem relação com a crise do país, e no nosso caso: questão de tempo também. Eu e a Emanuele, minha sócia, temos muitos afazeres e criar a Brownizêra nos proporcionou ter uma certa liberdade para buscar o nosso próprio dinheiro", disse Anna Caroline.

    Processo de criação e o início da empresa 

    Uma viagem importante motivou a dupla a buscar meios alternativos de fonte de renda, utilizando as habilidades de Emanuele para tal meio. "A razão inicial foi por querer conseguir pagar uma viagem muito importante para a gente, então fomos atrás de algo que pudéssemos conseguir uma renda, sem precisar tirar daquilo que já tínhamos", comentou Anna Caroline. 

    Para a escolha, segundo Anna, os talentos de Emanuele foram fundamentais. ''A ideia do brownie surgiu porque a Emanuele já trabalha com doces há alguns anos, então unimos a habilidade dela com a minha criatividade e engajamento, para, assim, fazermos a lojinha virtual’'.

    A principal aposta da empresa são os brownies personalizados
    A principal aposta da empresa são os brownies personalizados | Foto: Reprodução

    Uma casa, uma cozinha e um fogão. Além dos ingredientes, esse foi o ponto de partida da empresa, criada este ano. '‘Começamos fazendo os brownies na cozinha da minha casa, com a ideia inicial de vender na faculdade. Hoje estamos com um forno profissional e indicados a participar de alguns eventos muito importantes'’, argumentou Emanuele Puget.

    O lucro, compensa?

    Por ter sido criada recentemente, a empresa caminha para a independência financeira, além, claro, dos objetivos de ambas. ‘'Ainda estamos na fase de investir, então atualmente a Brownizêra não supri as nossas necessidades, porém já estamos caminhando muito bem e, em breve, com certeza conseguiremos alcançar o nosso objetivo'’, disse Emanuelle.

    Mercado convencional 

    A amizade que cresceu na faculdade, hoje encontra-se em meio aos negócios. Apesar do elo emotivo ter surgido em um meio voltado para o mercado convencional, elas não se veem em meio a ele no futuro. ‘'O mercado convencional não agrada nem a mim e nem a Emanuele. Somos duas grandes amigas que, além da psicologia, encontramos outra coisa em comum: o gosto por empreender. Então, sempre estaremos em busca de algo novo e os brownies estão nos inspirando cada dia mais’', pontuou Caroline.

    Para os futuros empreendedores, fica a dica:

    Apesar de novas no mercado, ambas já têm a concepção acerca do mesmo, tentando incentivar novos investidores. '‘A nossa dica sem dúvidas é: se você tem interesse em empreender, corra atrás! Não se importe com críticas ou negativismo. Busque alcançar o seu objetivo, seja ele uma viagem, ou um plano para sustentar toda a vida e os sonhos'’, finalizou Emanuele.

    "Biscoisas"

    Uma das peças de biscuit realizadas por Letícia Misna, fundadora da Biscoisas
    Uma das peças de biscuit realizadas por Letícia Misna, fundadora da Biscoisas | Foto: Reprodução

    Para Letícia Misna, fundadora da Biscoisas, a falta de popularidade da loja foi um fator mais agravante que a crise que atinge o país, sendo solucionada com o tempo. '‘Quando eu comecei, não liguei para crise econômica. Mesmo que eu vendesse bem pouco, eu nunca atribuí culpa à crise, só via como uma falta de popularidade da loja mesmo'', analisa.

    Uma das peças de biscuit realizadas por Letícia Misna, fundadora da Biscoisas
    Uma das peças de biscuit realizadas por Letícia Misna, fundadora da Biscoisas | Foto: Reprodução

    O começo da empresa aconteceu sem querer, como diz a fundadora. De um hobby, ela viu a oportunidade de ganhar a vida. '‘Há 3 anos comecei a fazer coisas de biscuit por hobby. Fazia para mim e para presentear meus amigos e familiares, que começaram a insistir que eu deveria vender - algo que relutei -, pois achava que o ramo já era algo saturado'', comentou Letícia.

    Uma das peças de biscuit realizadas por Letícia Misna, fundadora da Biscoisas
    Uma das peças de biscuit realizadas por Letícia Misna, fundadora da Biscoisas | Foto: Reprodução

    Surgimento da empresa

    O começo, como da maioria das empresas, foi difícil. Mas ela teve uma surpresa inesperada no caminho. '‘O início foi difícil. Eu vendia muito pouco, mas não pensava em desistir porque eu nem levava muito a sério. Não era algo que me frustrava porque era só meu hobby, só um passatempo. Vender pouco nunca me surpreendeu, o que me surpreendeu mesmo foi quando comecei a vender muito'’, argumentou.

    Uma das peças de biscuit realizadas por Letícia Misna, fundadora da Biscoisas
    Uma das peças de biscuit realizadas por Letícia Misna, fundadora da Biscoisas | Foto: Reprodução

    A questão financeira poderia ser ainda maior, segundo ela, mas o ritmo necessário para tal é um empecilho. '‘Hoje, a Biscoisas supre minhas necessidades. Na verdade, podia suprir até mais, só que eu tenho tido tantas encomendas que eu não consigo dar conta de tudo só em um mês, porque eu sou humana né, e meu corpo não aguenta'’, diz a empreendedora aos risos.

    O mercado convencional ainda balança, apesar de tudo

    Apesar de suprir as necessidades, Letícia não descarta uma volta ao mercado convencional no futuro, algo que já realizou após a fundação da Biscoisas. '‘Sim, eu penso em voltar ao mercado. Enquanto não aparece, vou continuar me dedicando à loja mesmo. Recentemente, eu tentei conciliar a Biscoisas com outro emprego, mas não deu certo. Cheguei a afetar minha saúde, optando pelo que me dava mais dinheiro, mas logo desisti'’, comentou.

    Uma das peças de biscuit realizadas por Letícia Misna, fundadora da Biscoisas
    Uma das peças de biscuit realizadas por Letícia Misna, fundadora da Biscoisas | Foto: Reprodução

    Como empreender de fato

    Para Letícia, futuros empreendedores precisam ter um pé no chão, sem se importar com o "título" de empreendedor e sim empreender de fato. "Eu nunca me vi como empreendedora, até que as pessoas começarem a dizer que eu era. Se você tem vontade de começar um negócio, vai lá e começa. Acho que a pessoa tem que focar primeiro no negócio em si em vez desse lance de “eu sou empreendedor, curso empreendedorismo”, finalizou.

    "

    Esquece esse empreendedorismo de palco e parte para a prática "

    Letícia Misna,

    "Carolipe Estamparia"

    Linha de produção da empresa Carolipe Estamparia
    Linha de produção da empresa Carolipe Estamparia | Foto: Reprodução

    O empreendedor Felipe Rafael conta que uniu a necessidade de fazer dinheiro com a vontade de aprender e, assim, como em um clique, surgiu a ideia. '‘A estamparia começou em meados da crise do país, em 2015. Tinha apenas uma máquina de estampar e conhecimento zero sobre como funcionava. Criar a estamparia foi algo pensado muito rápido, de início era só para suprir uma necessidade do dia a dia, mas percebi que dali poderia render muito mais frutos'’, disse ele.

    '‘No início só fazíamos camisas estampadas em máquina, em um quarto de casa. Em seguida, fiz um curso de serigrafia e esse método foi incluído nos procedimentos. Depois, a estamparia saiu da casa e foi para um ponto comercial familiar e, desde então, é lá que fica o ateliê de produção'’, comentou.

    Não desista, siga empreendendo

    "Em momento algum pensei em desistir. Existem dias ou meses que são fracos, mas a certeza que o amanhã será melhor sempre acompanha. Para quem sonha em ser empresário/empreendedor tem que saber que pode não dar certo de início, mas isso não significa que nunca dará certo’', argumentou.

    Modelo de serigrafia usado pela Carolipe Estamparia nas confecções
    Modelo de serigrafia usado pela Carolipe Estamparia nas confecções | Foto: Reprodução

    Felipe conta  que não tem o pensamento em voltar ao mercado tradicional, pois ele limita o profissional - ao contrário do empreendedorismo, que testa o potencial do trabalhador todos os dias. "Temos um pouco mais de 4 anos de mercado, e há 1 ano e meio conseguimos suprir as nossas necessidades com a renda que se ganha com a estamparia’, comentou.

    Local em que as camisas da Carolipe são produzidas
    Local em que as camisas da Carolipe são produzidas | Foto: Reprodução

    O empreendedor conta que a dica principal para empreender no país é não desistir. Muitos vão rir de você, achar que você é maluco (a), vão te fazer duvidar de si mesmo, mas leve a sério e fique no seu objetivo maior. Como disse, existem momentos difíceis, mas os momentos bons vão chegar e te fazer alcançar o sucesso’, finalizou Felipe Rafael.

    "Mimos em laços"

    Laços produzidos por Larissa, que tira deles o sustento da família
    Laços produzidos por Larissa, que tira deles o sustento da família | Foto: Reprodução

    Larissa Rodrigues viu na falta de opções de mercado para ramo da saúde a oportunidade de empreender. ‘'Sou bacharel em enfermagem e pós-graduada em urgência e emergência, porém não tinha oportunidade e quando aparecia era para locais distantes", desabafa. 

    Ela conta que por meio da gravidez viu surgir a necessidade financeira, e com um anjo da guarda na família entrou para o mercado do empreendedorismo. "Ganhei bebê em 2015 e não estava trabalhando, então comecei a fazer doces e bolos para pagar as despesas. Depois, uma tia/mãe me deu r$ 50 para eu começar os laços. Comecei vendendo lá e também enviava para Manaus. Voltei para Manaus já tem dois anos e continuo com as vendas de laços e outros (dindins e churrasco)'', comentou.

    Larissa produz variados modelos de laços, sempre de acordo com o gosto do cliente
    Larissa produz variados modelos de laços, sempre de acordo com o gosto do cliente | Foto: Reprodução

    O retorno financeiro

    Larissa vê na filha a maior força de vontade para seguir no ramo, mesmo com todas as pedras que aparecem pelo caminho. ‘'Tem mês que dá para tirar um bom dinheiro e tem outros que desanimam, só que como todo pai ou mãe não podemos desistir'’, argumentou.

    A falta de opções no mercado faz com que ela permaneça em seu negócio próprio, apesar de ser formada e pós-graduada, faltam opções no mercado. ‘'Amo a enfermagem, porém não tive a oportunidade de trabalhar na área com remuneração, só como voluntária em alguns projetos por hospitais da capital. Enquanto isso, o mundo do empreendedorismo é de onde vem o sustento’' disse.

    Além de laços, ela também confecciona artigos para festas
    Além de laços, ela também confecciona artigos para festas | Foto: Reprodução

    Larissa diz que é importante motivar os futuros empreendedores, para que não desistam apesar das dificuldades. ‘'Usar suas habilidades, fazer algo que lhe dê prazer e goste, sem dar ouvidos a pessoas negativas’', finalizou.

    O Desemprego no Amazonas

    Manaus conta com 15,9% de desempregados, sendo entre todas as capitais do país a que tem a maior taxa de desemprego
    Manaus conta com 15,9% de desempregados, sendo entre todas as capitais do país a que tem a maior taxa de desemprego | Foto: Reprodução

    A taxa de desemprego em Manaus é a maior comparada a outras capitais do Brasil, segundo dados do IBGE, que aponta 15,9% desempregados.

    Em comparação com o ano anterior, a capital havia marcado 14,4%, tendo um crescimento de 1,5%. Ainda segundo o instituto, é a taxa mais elevada desde o terceiro trimestre de 2017, quando alcançou 16%.

    A maior taxa já marcada na região ocorreu no primeiro trimestre de 2017 com 17,7% de desempregados. Já a menor taxa que o Amazonas registrou, aconteceu no terceiro trimestre de 2014 com 6,7%. 

    O número de pessoas ocupadas no Amazonas caiu de 1.573.000 no último trimestre de 2018 para 1.550.000 no primeiro trimestre de 2019, com isso, foram perdidos 23 mil postos de trabalho de um trimestre para o outro. Desse total de perdas, aproximadamente 16 mil vagas foram perdidas na indústria.

    A taxa de desocupação no Amazonas foi de 14.4% no quarto trimestre de 2018, segundo dados do IBGE. A taxa teve um aumento de 1,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (13,1%). Com isso, o número de pessoas desempregadas que era de 241 mil, subiu para 268 mil.

    A redução de postos de trabalho na indústria chegou em 8,8%, ou seja, no mesmo período em 2018, existiam 178 mil postos, com o número caindo para 162 mil em 2019.

    Reforma da Previdência

    Professor Jorge Isper Abrahim, especialista em finanças publicas
    Professor Jorge Isper Abrahim, especialista em finanças publicas | Foto: Reprodução

    Em um momento que a reforma da previdência está em uma fase de votação para sua aprovação, o Portal Em Tempo conversou com o professor Jorge Isper Abrahim, especializado em finanças públicas, para elucidar dúvidas e como o trabalhador será atingido.

    Portal Em Tempo (ET) - Em que se baseia a reforma da previdência? 

    Jorge Isper Abrahim (JIA) - Em todo o mundo, os benefícios previdenciários são alterados para acompanhar as grandes mudanças nos perfis demográficos dos países. No Brasil não é diferente, não somos mais aquele país predominantemente jovem da década de 70. A adequação da Previdência à atual demografia brasileira é uma necessidade inquestionável.

    ET - Ela hoje se faz necessária? 

    JIA - Ela é necessária para garantir os benefícios futuros. O Brasil provavelmente deve ter sido a primeira nação do mundo a entender que um sistema previdenciário deve ser autofinanciável. O brasileiro seguramente é o povo que mais paga para garantir sua Previdência.

    Teoricamente não deveríamos enfrentar dificuldades para financiar o sistema, tendo em vista que a contribuição média dos assalariados se dá em torno de três vezes o percentual necessário para formar um fundo de aposentadoria em trinta e cinco anos.

    ET - Em questão de utilidade, a Reforma é mais benéfica ou maléfica? 

    JIA - Agora não se trata mais de se definir utilidade ou não. A reforma tem que ser feita se quisermos conter o crescimento da dívida pública ou apenas garantir que daqui a dois anos o Estado não comece a atrasar salários e proventos. 

    Os presidentes Collor, FHC, Lula, Dilma e Temer tentaram reformar o sistema e até conseguiram mudanças importantes, mas nenhuma delas foi além de um remendo. Vamos ter que extrair essa economia mínima de um trilhão de reais em dez anos por uma simples questão de sobrevivência.

    Mercado do empreendedorismo

    Confira o "perfil médio" do empreendedor obtido ao longo da série de entrevistas realizadas. O resultado você confere a seguir:

    Empreendedores

    Edição e pauta: Isac Sharlon

    Leia mais

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