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    Sucesso


    Millennials: geração empreendedora que busca propósito no trabalho

    De acordo com os últimos da CDL, jovens entre 19 a 38 anos faturaram R$ 631 milhões

    Thiago Cid Santiago, 29, proprietário da Mistake, loja de roupas que tem como propósito fazer as pessoas refletirem. | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - Eles são jovens, empreendedores, criativos e absolutamente cheios de personalidade. Os millennials, termo utilizado para referir-se a pessoas nascidas entre 1980 e 2000, representam 34% da população atual do Amazonas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os últimos dados da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL Jovem), apontam que seus associados de 19 a 38 anos (millennials) faturaram juntos R$ 631 milhões.

    Propósito da loja é ser um espaço de convivência para os clientes.
    Propósito da loja é ser um espaço de convivência para os clientes. | Foto: Leonardo Mota

     

    Exemplo disso é a Mistake + Deco Ideias que possui 11 empreendimentos. A proposta do negócio uma loja colaborativa,  um espaço que abriga diversas iniciativas. Com três meses de funcionamento, o empreendimento é um sucesso. 

    A ideia surgiu de uma conversa entre amigos. Os sócios da Mistake, loja de roupas, e os donos da Deco Ideias, loja de itens decorativos já tinham experiência em feirinhas e espaços de coworking. “A gente sentia falta de um lugarzinho para chamar de nosso, um lugar para fazer um happy hour e chamar os amigos”, conta Thiago Cid Santiago, 29, um dos sócios. 

    Thiago (Mistake), Viviane (Deco Idéias), Maurício (Deco Idéias) e Enderson (Mistake).
    Thiago (Mistake), Viviane (Deco Idéias), Maurício (Deco Idéias) e Enderson (Mistake). | Foto: Divulgação

    A grande diferença de uma loja colaborativa para uma loja tradicional está na experiência do consumidor dentro do espaço. “A ideia é que este seja um espaço de convivência compartilhado. A partir desse contato você naturalmente entende o que a gente acredita e a venda é uma consequência”, compartilha. Essa experiência é facilitada por meio de eventos e venda de bebidas no local. 

    Outro diferencial são os vendedores. Nesta loja, quem te atende é o próprio empreendedor. Afinal, quem melhor do que o proprietário para falar da sua marca, seu produto? 

    Em breve, a loja passará por uma mudança, assumindo o nome ‘Soma General Store’. A ideia é deixar ainda mais claro para o consumidor a proposta do local.

    Trabalho com propósito

    Thiago vem de uma família empreendedora, sempre viu a iniciativa dos pais.
    Thiago vem de uma família empreendedora, sempre viu a iniciativa dos pais. | Foto: Leonardo Mota

    Thiago é desses jovens empreendedores que acreditam que o propósito é uma força motora tão forte quanto a necessidade financeira. Nascido no Rio de Janeiro, mudou-se para Manaus há dois anos para acompanhar a esposa, que recebeu uma proposta de trabalho na cidade. O interesse pela moda o acompanha desde que tinha entre 17 e 18 anos de idade, quando fazia parte de uma banda de rock.

    Foi em um coworking que conheceu seu sócio Enderson, com quem administra a Mistake, loja de roupas. “O propósito da marca é mostrar que o errar também é caminho, é questionar padrões, é fazer as pessoas refletirem”, diz.

    A marca não tem modelos, quem posa para os editoriais são amigos e consumidores. A cada dois meses é lançada uma micro coleção. Como Thiago mesmo explica, eles não são o tipo que lança as camisas do “ranço”. O objetivo é ter identidade e construção de marca. 

    A ‘Liquid Times’, por exemplo, foi uma coleção lançada com o objetivo de falar sobre a modernidade líquida, conceito abordado na obra do sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman, que questiona a maneira como se dão os relacionamentos modernos. 

    A marca também realiza collabs, como nas camisas ‘Black River Culture’, fruto de uma parceria com um pesquisador de tendências local, fazendo uma releitura da bandeira do Amazonas. A atual coleção chama-se ‘Jogue o Jogo’ e traz a leitura de esporte para cotidiano.

    O coworking onde Thiago e Enderson se conheceram pertence a outro jovem empreendedor, Gustavo Jinkings, 28. Filho de empresários, Gustavo sempre sofreu uma certa pressão para continuar os negócios da família, coisa que nunca sentiu ser para ele.

     Gustavo Jinkings, 28, dono do Villa Hub.
    Gustavo Jinkings, 28, dono do Villa Hub. | Foto: Divulgação

    “Nunca achei que tinha perfil de ficar atrás de uma mesa”, compartilha. Gustavo trabalhou cinco anos no negócio da família, até ter sua primeira síndrome de burnout - esgotamento profissional. Largou tudo e foi morar fora do país. 

    Quando voltou, resolveu empreender em uma casa da família, que estava parada devido à recessão imobiliária. Assim, a casa tornou-se um coworking, o Villa Hub. 

    Seu propósito atual é ajudar as pessoas desenvolverem suas empresas e se desenvolverem como empreendedores. Gustavo acabou voltando para os negócios da família, mas para atuar como diretor de inovação. 

    “Empreender é uma luta diária, o retorno financeiro vem lá na frente. Tem mais trabalho, mas as pessoas são mais felizes”, diz Gustavo. Um resumo perfeito do que é esta geração empreendedora. 

    Os millennials representam a nova força de trabalho 

    De acordo com a Box1824, empresa brasileira de pesquisa especializada em tendências de comportamento e consumo, os millennials representam a nova força de trabalho global, têm grandes aspirações e possuem ou planejam ter o seu próprio negócio. Sua mentalidade digital, líquida e coletiva afeta completamente o jeito como vamos trabalhar no futuro. 

    Sucesso = Prazer

    Para eles, o caminho é mais importante que o destino final. O prazer determina a realização profissional, eles sabem como ninguém reconhecer oportunidades que combinam paixão com trabalho. Pirâmides tradicionais nas empresas não combinam muito com eles, pois estão ansioso para trabalhar com outras gerações de igual para igual. Mais que um emprego, eles precisam ter propósito. 

    A economista, consultora, professora e membro da Associação dos Economistas pela Democracia (Abed), Denise Kassama, explica que esta geração é caracterizada por ser a geração da informação. “Estes adultos e jovens adultos acompanharam todo o processo de criação e desenvolvimento da internet na vida das pessoas. Este conhecimento e interação reverbera na sua profissão, independente da área que exerça”, explica.

    Novo perfil de consumidor
    Novo perfil de consumidor | Foto: Leonardo Mota

    Este profissional é aquele que usa internet para tudo, pesquisa com facilidade e tem no mundo online uma extensão de sua vida. Comprar na web é tão comum e simples, quanto ir pessoalmente. “A minha geração precisa ir à loja para ver, mas os millennials não estão preocupados com isso. Eles pesquisam reviews e leem críticas sobre o produto”, ressalta a economista.

    O designer José Carlos, 22, é um exemplo deste novo perfil de consumidor. Ainda que prefira fazer sua compras fisicamente, sempre pesquisa na internet avaliações de outros usuários antes de comprar um produto. Outro valor importante para ele são detalhes como ambiente da loja e o propósito da marca. “Prefiro pagar mais caro e comprar em lugares que investem em infraestrutura e posicionamento on e off”, conta.

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