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    Empreendedorismo


    Mulheres estão em busca de conquistas no meio cervejeiro

    Apesar da predominância masculina no setor, as mulheres estão cada vez mais interessadas por negócios que envolvem cervejas

     

    Camila Nassar diz que o trabalho se tornou um hobby, tanto que em alguns finais de semana ela fica em casa criando receitas e produzindo cerveja
    Camila Nassar diz que o trabalho se tornou um hobby, tanto que em alguns finais de semana ela fica em casa criando receitas e produzindo cerveja | Foto: Divulgação

    Brasil - Segundo o o Sebrae, em senso realizado em parceria com a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), em 2019, entre empreendedores do ramo, predomina a presença masculina (87%), com média de idade de 39 anos e alto grau de escolaridade (35% tem ensino superior completo e 50%, pós-graduação ou mestrado).

    Os proprietários de pequenas cervejarias, também, têm como característica a busca por especialização. Considerando a distribuição geográfica, a pesquisa revelou que Rio Grande do Sul (20%) e São Paulo (18%) são os Estados que concentram a maior quantidade de cervejarias independentes, seguidos por Minas Gerais (13%), Rio de Janeiro e Santa Catarina (ambos com 11%).

    Apesar da predominância dos homens, as mulheres, mesmo em minoria, se interessam cada vez mais pelo negócio no setor, é o caso de Camila Nassar, 32 anos, técnica de produção de uma cervejaria no Sul do Brasil e seu interesse pela produção de cerveja foi por acaso. “Estava procurando estágio obrigatório e qualquer lugar que abria uma vaga para engenharia, eu  mandava meu currículo. Foi aí que surgiu a vaga de estágio em uma empresa do ramo cervejeiro, sendo que no assunto de cerveja eu só sabia beber e fazer balanço de massa em grandes equipamentos, confesso que nem sabia que dava para fazer cerveja em casa”, diz ela.

     No mesmo ano, ela começou a estudar sobre insumos (lúpulo, fermento, malte) e ler livros para cervejeiros caseiros. Em pouco tempo ela já comprou seus equipamentos para começar a fazer cerveja em casa e pôr em prática toda a teoria que acumulara. Apesar de ter aprendido muito com esse estágio, ela diz que vivenciou alguns episódios de preconceito.

    “Em 2016 eu já era gerente de uma loja de cervejas de Campinas e, apesar de entender bastante sobre o assunto, muitos clientes gostavam de tirar dúvidas com um dos atendentes homens, porém, esses últimos sempre acabavam recorrendo a mim, o que deixava os clientes sem graça quando  presenciavam tal cena.”, ressalta Camila.

    Profissão que virou hobby

    Já em 2018, ela começou a trabalhar em um pequeno brewpub em Sousas (Campinas), fazendo de tudo, desde a parte de entrega de Barril e montagem da chopeira para o cliente até a produção (brasagem). Em 2019, ela continuou sua trajetória em laboratório, cuidando da qualidade de todo o processo. Posteriormente, ela foi para o setor de produção de cerveja. “Aqui foi onde menos sofri preconceito por ser mulher. Talvez pelo detalhe de não trabalhar diretamente com o público como nas outras empresas”, explica.

    Hoje ela se diz realizada na profissão e que o trabalho se tornou um hobby, tanto que em alguns finais de semana ela fica em casa criando receitas e produzindo. “Trabalhar hoje com a marca é um sonho realizado, pois minha trajetória não foi fácil, tive sempre que provar que era capaz, estudar e mostrar meu potencial, mas creio que se eu fosse um homem tudo isso seria mais fácil”, finaliza Camila.

    História

    Apesar de muita gente ainda associar o universo masculino ao hábito de tomar cerveja, as mulheres sempre tiveram participação ativa na cena cervejeira desde os primórdios da bebida. Mulheres da Suméria, iniciaram a produção por volta de 4.000 A.C e comercializavam enquanto os homens saíam para caçar. Além disso, os sumérios, também, tinham uma deusa que representava a bebida, chamada Ninkasi.

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