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    "Bandeiraço"


    Em ano eleitoral, trabalho informal cresce no Amazonas

    Quem trabalha durante as eleições recebe R$ 1 mil por mês, mais benefícios como alimentação e protetor solar

    Muitos têm a oportunidade de conseguir ajuda financeira trabalhando para partidos políticos
    Muitos têm a oportunidade de conseguir ajuda financeira trabalhando para partidos políticos | Foto: Janailton Falcão

    Manaus - No ano em que o número de pessoas trabalhando de forma independente supera o número de empregados com carteira assinada, puxando o índice de desemprego para baixo, o que se pode ver pelas ruas são cidadãos tentando superar as dificuldades em busca de ocupação, mesmo que temporária. Em ano de eleição, muitos têm a oportunidade de conseguir ajuda financeira trabalhando para partidos políticos, seja colando adesivos em carros, distribuindo panfletos ou balançando a bandeira do candidato, nos chamados “bandeiraços”.

    Em Manaus, desde que o período eleitoral foi iniciado, é possível encontrar pessoas trabalhando para partidos políticos em diferentes ações estratégicas. É o caso de Eduardo Ferreira, 24, que, há quatro meses desempregado, viu na campanha política a oportunidade de ter renda enquanto não consegue uma nova vaga no mercado de trabalho. Ele contou que trabalhava na linha de produção de uma das fábricas que deixaram o Polo Industrial de Manaus (PIM) neste ano. “Soube da vaga e decidi me candidatar. No momento, é melhor balançar bandeira que ficar parado em casa. As pessoas acham que pode ser humilhante fazer isso, mas não sabem da estrutura que recebemos para trabalhar aqui debaixo do sol. Sempre falo que é melhor fazer isso que ficar desocupado ou roubar por 
    aí”, comentou.

    Sem dívidas

    Ferreira disse que, com o dinheiro ganho com os “bandeiraços”, vai conseguir pagar algumas dividas e dar entrada em um curso técnico. “Vou voltar a estudar, o mercado está mais exigente e, sem diploma, a possibilidade de conseguir emprego fixo fica cada vez menor”, concluiu.

    Desempregada há mais de seis meses, a dona de casa Jaqueline Oliveira, 24, contou que não se arrepende de ter conseguido a oportunidade de trabalhar em campanha política. “Arrumar emprego com carteira assinada está difícil, estou vivendo de bicos, e a situação não está fácil, principalmente para quem tem família para sustentar. Ao menos no fim do mês, sei que vou ter dinheiro para contar”, falou.

    O dinheiro que Jaqueline vai receber tem destino certo. “Acumulei algumas dívidas desde quando fiquei desempregada e vou pagar com o salário desse trabalho”, 
    disse aliviada.

    Benefícios

    Uma mulher que não quis ser identificada informou que cada trabalhador ganha em média R$ 1 mil por mês para fazer bandeiraços durante o período eleitoral. Além disso, eles têm direito a transporte, água, protetor solar e almoço, além de horário de descanso após a refeição. Na maioria das vezes, as vagas são preenchidas por meio de indicações, o famoso “boca a boca”.

    “O trabalho não é ruim, até porque eles não passam o dia todo debaixo do sol. Hoje, as coligações têm horários e lugares estratégicos para fazer ações de ‘bandeiraço’. Quando chove, a ação é cancelada. É bem melhor do que muitos imaginam. No fim do mês, R$ 1 mil pode ajudar muito no orçamento de muitas 
    famílias”, explicou.

    Para trabalhar em ações de campanhas políticas, a pessoa deve estar em dia com o título de eleitor. Os partidos políticos precisam estar atentos às normas do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), uma vez que existe uma comissão de fiscalização que atua diariamente no combate a propagandas 
    irregulares.

    Cada partido precisa registrar todos os trabalhadores temporários no TRE, para não sofrer com multas durante as ações nas ruas. Desde o dia 17 de agosto, as regras para fazer propaganda eleitoral estão disponíveis no Manual da Propaganda no 
    site do TRE.

    Balanço

    Estima-se que ao menos 2 mil cidadãos estejam trabalhando durante as eleições em todo o Estado, complementando a renda familiar. A maioria ficou desempregada neste ano e aproveitou o período eleitoral para sair da ociosidade.

    Eduardo e Jaqueline, por exemplo, fazem parte dos milhões que engrossam os índices de trabalhadores informais. O número cresceu no segundo trimestre de 2018, de acordo com pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa mostrou que o número de profissionais liberais cresceu no segundo trimestre deste ano.

    Conforme índices do instituto, o profissional liberal foi decisivo para que a taxa de desemprego diminuísse no país, uma vez que o número de pessoas empregadas com carteira de trabalho assinada reduziu de maneira significativa na comparação com o mesmo período do ano passado.

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