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    vida e sucesso


    Universidades como habitat ideal para o jovem empreendedor

    Instituições de Ensino Superior ensinam que mais do que abrir uma empresa, ter o espírito empreendedor é o essencial para o mercado atual

    Professor disse que disciplinas sobre empreendedorismo são abertas para todo aluno interessado | Foto: Marcely Gomes/Em Tempo

    Manaus - Em Informática, o termo “hub” expressa uma peça que recebe informações de diferentes pontos, as organiza e retransmite o sinal para outros lugares. No mundo dos negócios, especialistas apontam que a universidade é o habitat ideal para o jovem empreendedor, por simular esse processo e prover ao estudante um ambiente vantajoso para ser otimizado e alçar caminhos inteligentes no mercado, inclusive o do emprego certo.

    Aproveitar as oportunidades para ter uma base forte do chamado networking (em tradução livre do inglês, rede de contatos) é uma das qualidades mais exigidas de um empresário moderno, de acordo com o professor de empreendedorismo Irineu Vitorino.

    Mesmo para quem é universitário e não se interessa pelos rumos do investimento de capital, o espírito empreendedor é o marco que separa os profissionais rejeitados dos que têm mais chance de darem saltos qualitativos na carreira, segundo o educador.

    Ainda conforme o professor, Manaus é a 31ª cidade empreendedora do Brasil. Na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por exemplo, ele observa que os estudantes têm acesso, como pesquisadores, ao maior bioma do planeta.

    “Os estudos aplicados em física quântica, nanotecnologia, estudos de energia, entre muitos outros, têm potencial para fazer a capital a maior de todo o mundo no ramo pelas soluções únicas. Isso vem a partir do fazer empreendedorismo, onde, na universidade, os alunos encontram conexões e experiências tecnológicas difíceis de achar em outro canto”, explica.

    Professor disse que disciplinas sobre empreendedorismo são abertas para todo aluno interessado
    Professor disse que disciplinas sobre empreendedorismo são abertas para todo aluno interessado | Foto: Marcely Gomes/Em Tempo

    Nesse cenário, Vitorino explica que, dos 136 cursos da Ufam, apenas 16 possuem disciplinas de empreendedorismo, embora elas sejam abertas a todo estudante interessado.

    No costume do indivíduo, sair formado da faculdade e buscar emprego como funcionário público ou em alguma empresa privada, a criatividade mercadológica já superou há tempos.

    “Quando você pensa como empreendedor, alternativas de trabalho que podem atingir as esferas regional, nacional e mesmo internacional podem surgir em tempo hábil. É uma pessoa a menos que passa a pedir emprego e oferece produtos e serviços mais eficazes para os problemas sociais. A atitude empreendedora não é a de gerar negócios em si, mas de terem saídas inteligentes para as crises atuais”, defende o educador.

    Caso comprovado

    Formado em análise de sistemas, o empresário Marcelo Mendes, de 39 anos, é dono de uma empresa de desenvolvimento de softwares pioneira no sistema de tratamento para pontos eletrônicos em Manaus.

    Em 2008, ele disse que iniciou a firma, mas sem apoio ou muito recurso. Em 2014, quando saiu da incubadora - espaço destinado a pequenas empresas com ideias inovadoras -, a sua receita dobrou, se comparada ao período de incubação.

    O pensamento criativo e autônomo é uma das principais características do estudante empreendedor
    O pensamento criativo e autônomo é uma das principais características do estudante empreendedor | Foto: Marcely Gomes/Em Tempo

    “Sempre tive vontade de atuar no mercado de softwares desde o Ensino Médio. Vi que era uma coisa que valia a pena investir no meu futuro. Na universidade, ganhei os primeiros conhecimentos sobre o ser empreendedor e decidi incubar minha empresa já aberta na Ufam.

    Recebi consultorias especializadas e técnicas comerciais e nunca pensei que englobariam tanto a visibilidade da minha startup”, admitiu Mendes, que hoje conta com aproximadamente 220 clientes em diversos Estados do país.

    Outros casos de sucesso mostram que não é preciso formar empresas ou desenvolver projetos elaborados até a última fase para ser um empreendedor reconhecido. Participar ativamente de movimentos dinâmicos é o suficiente para estar dentro das demandas da era 4.0 da indústria, segundo o acadêmico em Ciência Contábeis Lucas Franklin Coelho, de 20 anos.

    Aos 18, ele ficou em terceiro lugar na competição nacional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) - sendo a única vez que um amazonense conquistou o pódio na competição. Após ganhar visibilidade, cursou metodologias empreendedoras feitas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e fez a sua primeira startup.

    “O ‘Cotando’ era o aplicativo do Trivago para a construção. Ele pesquisava os melhores preços de lojas de materiais de construção sem você precisar conhecer individualmente cada oferta do mercado.

    Mesmo não levando à frente, ganhei habilidades únicas e conheci como o comércio funciona. Você não precisa ser empresário para empreender em uma multinacional. Atualmente, é onde trabalho”, relata Lucas.

    Parcerias com empresas são um estímulo nas faculdades
    Parcerias com empresas são um estímulo nas faculdades | Foto: Marcely Gomes/Em Tempo

    O diferencial

    Pelo setor de empreendedorismo ser tímido no meio acadêmico, instituições apostam em palestras, oficinas de capacitação e em parcerias com empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM).

    A Universidade Estadual do Amazonas (UEA) atrai seus estudantes com o projeto Ocean, em parceria com a multinacional Samsung, para o desenvolvimento de produtos de tecnologia da informação.

    O coordenador da incubadora da UEA, Salvio Rizzato, diz que os professores também são figuras essenciais no processo de ensino-aprendizagem da formação empreendedora. “Fomentamos aos docentes a criatividade inovadora em cada área do saber. Assim, nos vários cursos e em suas especificidades, haverá atores capazes de desenvolver o espírito empreendedor”, destaca.

    Em instituições privadas, como a Uninorte Laureate, a troca massiva de experiências é o enfoque durante a produção empreendedora. Uma grande sala funcionando como coworking, onde projetos de diversas áreas trabalham no mesmo espaço físico, é a estratégia para o crescimento unificado e eficiente.

    “Um grande exemplo do uso conjunto de fatores é o aplicativo “Trocados”, apoiado na nossa incubadora. O troco que o usuário tiver em 40 lojas cadastradas se converte, por exemplo, em créditos para o Uber ou para o vale-transporte”, explica o coordenador, Euler Guimarães.

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