Fonte: OpenWeather

    Dia das Mães


    Os dois lados de ser mãe no mercado de trabalho

    A gravidez é um fantasma para mulheres que estão no mercado de trabalho, mas nem toda empresa é inimiga da mulher, responsável pela geração da vida

    Valéria Oliveira encontrou na empresa em que trabalha apoio ao projeto pessoal de ser mãe e seguir satisfeita no mercado de trabalho
    Valéria Oliveira encontrou na empresa em que trabalha apoio ao projeto pessoal de ser mãe e seguir satisfeita no mercado de trabalho | Foto: Ione Moreno


    Manaus - O mercado de trabalho brasileiro é hoje quase metade feminino, com 40,8 milhões de mulheres, o equivalente a 43,8%, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Elas representam uma importante fatia da força de trabalho, mas, além dos afazeres da carreira, aquelas que desejam ser mães precisam lidar com um fantasma: a demissão.

    Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas aponta que metade das mulheres que tem filhos perde o emprego em até dois anos após o término da licença maternidade. Foi o caso de Letícia Soares, 31. Com oito meses trabalhando em um escritório, ela ficou grávida e, dez dias depois de dar a notícia ao chefe, a funcionária foi demitida. Antes disso, a secretária ainda sofreu assédio moral. Ao entrar na Justiça contra a empresa, Letícia foi indenizada.

    “No dia que eu avisei, ele me deu os parabéns e pediu para eu não contar para ninguém da equipe, no mesmo dia já fui mandada embora para casa cedo. No dia seguinte, foi-me exigido acelerar uns trabalhos, ligações exigindo rapidez, pedidos de texto quase meia noite, pedidos de trabalhos em finais de semana, e eu sempre fazendo, porque pensava muito no parto, nos gastos que viriam. Mas não teve jeito, fui demitida”, conta.

    Letícia lembra que, ao ser dispensada, questionou se o motivo era a gravidez. Segundo ela, o chefe respondeu: “o mundo não gira ao redor da sua barriga de grávida”. A secretária precisou ir a consultas psicológicas durante toda a gravidez e até um pouco depois de ter tido a filha. “Eu nunca me esqueci dessa frase (...). Foi um início de gravidez bem tumultuado. Fiquei muito mal. Recebi ajuda de uma amiga que levou para uma consulta com uma psicóloga e foi através dela que soube dos direitos trabalhistas das grávidas, até então eu achava que eu era culpada, eu me culpei demais”, recorda.

    Empresas que apoiam

    Para a supervisora de atendimento Valéria Oliveira, o tratamento dado pela empresa onde trabalha há cinco anos foi outro. “A realização pessoal das mulheres é comemorada na empresa. Queria muito ser mãe de uma menina e quando eu fiquei grávida foi muito marcante. A gestação foi uma alegria para todos os setores”, conta. Os colegas de trabalho participaram da gravidez, como do chá de revelação do sexo do bebê.

    A analista e líder de Recursos Humanos do Sabin, onde Valéria trabalha, Maria Izabel Amarante, afirma que a empresa possui o Programa Gestação, desde o início do ano de 2019. Além da garantia de licença maternidade de seis meses, as funcionárias grávidas têm direito ao “auxílio babá”, o equivalente a um auxílio-creche no valor de 20% de um salário mínimo, até os dois anos da criança.

    Atualmente, dez funcionárias da empresa recebem o benefício. “O auxílio enxoval tem desde quando viemos para Manaus, há sete anos. A funcionária precisa ter três anos de casa para receber e isso acontece no oitavo mês de gestação. O valor é de um salário mínimo”, explica Izabel.

    O programa é uma política da empresa que tem como fundadoras mulheres e um quadro formado 80% por funcionárias. “A empresa as incentiva, uma vez que elas passam grande parte do tempo no trabalho. Dá subsídios para que se sintam mais motivadas e não vejam a gravidez como um perigo de serem desligadas”, afirma.

    Licença

    A presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos Amazonas (ABRH-AM), Kátia Barroncas, comenta que a licença maternidade de seis meses faz parte do pacote de benefícios da empresa e a adoção depende da filosofia de cada organização. Ela diz que, antecipar a volta da trabalhadora pode comprometer o serviço.

    “É um transtorno, porque a mãe fica preocupada e acaba afetando a produtividade”, aponta. “A demissão é ilegal. A empregada não pode ser demitida. Se for a empresa terá que pagar pelo período da gravidez e da licença. É o que determina a CLT”, afirma.

    Leia mais

    Receba as principais notícias do Portal Em Tempo direto no Whatsapp. Clique aqui!

    Mamães na política: obrigações no parlamento e cuidados com filhos

    Mães solteiras driblam dificuldades e criam filhos que dão orgulho

    Comentários