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    Economia


    Bike ao trabalho: manauaras trocaram transporte e garantem bem-estar

    Economia de dinheiro e tempo, além de combater o estresse são alguns dos relatos de amazonenses que vão ao trabalho de bike

    Cristiane Mota vai todo dia ao trabalho de bike | Foto: Ione Moreno

    Manaus - O estresse dos engarrafamentos associado à economia de tempo e dinheiro tem feito muitos amazonenses repensarem sobre o meio de transporte utilizado no dia a dia. Ir de bike para o trabalho acabou se tornando a melhor opção de locomoção para algumas pessoas, seduzidas pelos diversos benefícios que a prática oferece, mesmo mediante a poucos percursos destinados aos ciclistas em Manaus, equivalendo a 38 km de ciclovias/ciclofaixas. Exemplo disso é a artesã Cristiane Mota que abriu mão do carro e do ônibus, mas não da vaidade e da praticidade.

    “Eu morava antes do lado do trabalho, mas tive que me mudar. Eu já andava de bike em torno do Centro de Manaus. Um dia resolvi ir ao trabalho de bike e gostei, embora nós temos vários problemas na nossa cidade, como é o caso de não termos ciclovias. Ainda assim é muito bom. Na primeira vez, eu imaginei que ia chegar cansada no trabalho, pelo contrário, sinto que tenho mais energia para trabalhar. É lógico que eu chego suada, mas eu trago outra roupa”, enfatiza.

    ‘Pedalando sem perder o estilo’

    Cristiana Mota é artesão e, mesmo de bike, não perde a feminilidade
    Cristiana Mota é artesão e, mesmo de bike, não perde a feminilidade | Foto: Ione Moreno

    Para as mulheres que pensam em começar a ir para o trabalho de bicicleta, Cris dá dicas. É possível pedalar de salto alto, sem perder a classe: basta prestar atenção para ele não entrar no pedal.

    “Você pode andar de bike arrumada sem nenhum problema. Prende o cabelo, usa um boné estiloso, passa um batom, um lápis e segue adiante. Não podemos deixar de ser feminina. Eu já andei de bike inclusive de salto alto. Sei que não é o recomendável, o ideal é pedalar de tênis, é mais seguro”, conta.

    A artesã conta que economiza todo mês uma média R$ 200 e que o recurso ajuda nos custos de casa e nas necessidades do filho, que ainda é menor de idade.

    “Se for para gastar dinheiro do bolso, eu prefiro gastar a energia do corpo. Sem falar que é um exercício maravilhoso. O nosso corpo muda e nós precisamos nos exercitar. E eu nunca pratiquei nenhum tipo de exercício, mas vejo que a bicicleta está fazendo um bem enorme para mim. Eu ganho uma resistência maior, me sinto mais forte e chego em casa mais relaxada. É como se tirasse a tensão do dia a dia”, conta.

    Economia de tempo

    Cristiane economiza tempo e dinheiro indo de bike ao trabalho
    Cristiane economiza tempo e dinheiro indo de bike ao trabalho | Foto: Ione Moreno

    Cris mora na Vila Amazonas, situada na região Centro-Sul de Manaus. Ela conta que o local onde mora não possui uma rota de ônibus que vá direto ao Centro de Manaus, na zona Sul.

    “Eu tenho que me deslocar para avenida Djalma Batista, que é mais ou menos uns cinco quarteirões da minha casa. De bike eu gasto de 15 a 18 minutos de casa ao Centro, ganho tempo".

    Dídimo Neto abandonou o carro pela bike
    Dídimo Neto abandonou o carro pela bike | Foto: Ione Moreno

    O Dídimo Neto, treinador profissional de muay thai, de 44 anos, também é outra pessoa que juntou praticidade alinhada à economia. Ele conta que anda de bicicleta desde criança, mas foi aos 20 anos que ele substituiu o ônibus e o carro pela bicicleta. O ciclista vai com a "magrela" para qualquer lugar ou compromisso.

    “Eu era militar e o ônibus que ia ao grupamento demorava muito e, às vezes, atrasava. Foi aí que decidi comprar uma bike e passei a me sentir mais seguro, pois sabia que não me atrasaria. Desde então, eu optei a ir de bike de casa, que fica no Centro, ao trabalho que fica no bairro Aparecida. Ganho tempo e me exercito”, revela.

    Dídimo era militar e optou pela "magrela" para ir ao trabalho
    Dídimo era militar e optou pela "magrela" para ir ao trabalho | Foto: Ione Moreno


    O treinador conta que economiza R$ 200 a R$ 300 todo mês. “O que me motiva a andar de bike é o ganho de tempo. Existem percursos pequenos que eu tinha que dar várias voltas e ficava preso em engarrafamentos. Isso não acontece mais”, diz.

    Fonte de renda

    Eduardo Queiroz usa bike como meio de transporte e também fatura com entregas
    Eduardo Queiroz usa bike como meio de transporte e também fatura com entregas | Foto: Ione Moreno

     O operador de rádio Eduardo Queiroz, além de ir ao trabalho de bike, utiliza a "magrela" como fonte de renda extra. O seu trajeto diário é intenso. Ele sai de manhã do bairro São Geraldo para ir ao trabalho, que também fica no São Geraldo, depois vai ao Mercado Municipal de Manaus, no Centro, onde compra o material do dindim gourmet que vende no seu local de trabalho.

    Além disso, Eduardo faz entregas de crachás para um amigo nos bairros Ajuricaba, Alvorada, Adrianópolis, Dom Pedro e Centro. Ele fatura R$ 70 a diária nas entregas. Com o dinheiro que economiza de ônibus e com as entregas ele conseguiu comprar os eletrodomésticos da sua casa, como geladeira, fogão, televisão, máquina de lavar e ar-condicionado”

    “Tudo o que eu faturo e economizo, eu separo para comprar nossos próximos eletrodomésticos. Minha família tem um pouco de medo que eu ande de bicicleta por Manaus, mas sempre busco ficar bem atento e não pedalo durante a noite. Nesses três últimos anos eu nunca sofri acidentes”, enfatiza. 

    Eduardo fatura com entregas
    Eduardo fatura com entregas | Foto: Ione Moreno


    38 Km de ciclovias/ciclofaixas

    Segundo a Prefeitura de Manaus, hoje a capital conta com apenas 38 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas em toda a cidade. Para a contagem de ciclovia, a medição é a soma da extensão de ida e volta. Então, em quilômetros, a avenida Senador Álvaro Maia tem 4,6 km de ciclovia, avenida Natan Xavier (6 km) e avenida Campos Sales (3,2 km).

    Alguns parques e praças da cidade também contam com espaço delimitado para os ciclistas. O Parque Ponte dos Bilhares possui uma ciclofaixa de 1.450 metros nas duas etapas. No passeio do Mindu são (0,733 km de ciclofaixa e 0,833  km de ciclovia); Complexo Turístico Ponta Negra (2,9 km de calçadão compartilhado); e Parque Campo Dourado (200 metros de calçadão compartilhado).

    A ciclovia do Boulevard Álvaro Maia é uma das mais utilizadas pelos ciclistas de Manaus
    A ciclovia do Boulevard Álvaro Maia é uma das mais utilizadas pelos ciclistas de Manaus | Foto: Divulgação/Semcom


    Com a inauguração do projeto Manôbike (bike compartilhada), foram criadas mais 14,4 km de ciclorrotas no Centro Histórico de Manaus. Na avenida do Futuro são 4 km.

    Ainda de acordo com a Prefeitura, novas ciclovias e ciclofaixas devem ser viabilizadas e que vai interligar os bairros Planalto, Lírio do Vale e Tarumã. Outro trecho que também está em análise para a implantação de 4 km de ciclofaixa fica na avenida Arquiteto José Henriques, além de outros 6 km de ciclofaixa no Corredor Ecológico do Mindu. Essa nova ciclofaixa será interligada ao trecho já existente do modal na avenida Natan Xavier, com 12 km (ida/volta), fazendo o trajeto entre as vias João Câmara e Autaz Mirim.

    Quanto ao trecho Boulevard/Ponta Negra, a prefeitura informa que o projeto foi readequado e será contemplado no novo plano de obras da Prefeitura de Manaus, que teve início a partir da construção do complexo viário na Constantino Nery. O prazo de entrega das obras da Constantino Nery é de 12 a 15 meses. 

    Benefícios do Ciclismo

    Os benefícios do ciclismo é uma pressão mais controlada.
    Os benefícios do ciclismo é uma pressão mais controlada. | Foto: Ione Moreno

    Uma pesquisa da Universidade de Stanford, afirma que ir ao trabalho de bicicleta é menos estressante. O estudo analisou 20 mil percursos realizados por mil ciclistas equipados com um dispositivo que monitora frequência cardíaca, respiração e duração do trajeto.

    O dispositivo possibilitou avaliar os níveis de estresse no organismo dos ciclistas durante o trajeto para o trabalho, e compará-los com os dados de pessoas que vão para o trabalho de carro ou de transporte coletivo. A conclusão foi que os ciclistas ficaram 40% menos estressados em relação às pessoas que utilizaram as outras alternativas de transporte.

    O cardiologista Bernardo Medeiros conta que os benefícios do ciclismo fazem parte das vantagens da atividade física aeróbica que ajudam a metabolizar o açúcar e a gordura do corpo.

    "As atividades aeróbicas, de modo geral, e de uma maneira mais fácil de entender, são aquelas que fazem o coração aumentar a frequência cardíaca para suprir a quantidade de sangue do corpo. Os músculos estão trabalhando e precisam de uma oferta maior de sangue e oxigênio", diz.

    O médico conta que os privilégios do ciclismo é uma pressão mais controlada, reduz os riscos de desenvolver doenças, melhora o controle do diabetes, do estresse emocional, da ansiedade, fortalece os ossos e melhora a capacidade de raciocino lógico e cognição.

    "O ciclismo melhora a capacidade de contração do coração, ele fica mais otimizado. Segundo que, como vai ter uma demanda maior de oxigênio, os músculos vão criando uma maior quantidade de artérias para eles serem nutridos. A circulação do coração fica melhor porque há mais artérias irrigando. Isso reduz muito o risco cardiovascular, pois o infarto acontece quando uma artéria do coração entope", enfatiza.

    Setor de Bicicletas tem o melhor abril em oito anos

    O PIM produziu em abril 75, 6 mil unidades.
    O PIM produziu em abril 75, 6 mil unidades. | Foto: Arquivo Em Tempo/ Marcio Melo

    As fabricantes de bicicletas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM) produziram em abril 75, 6 mil unidades, o melhor resultado para este mês desde 2011 (53, 2 mil unidades). Os dados são da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

    Em abril de 2012, o volume produzido havia chegado a 68, 4 mil unidades, ou seja, menor que o registrado em igual mês de 2019. O volume atual representa aumento de 23,3% na comparação com o mesmo mês do ano passado (61.3 mil bicicletas) e de 28,2% em relação a março (59 mil unidades).

    Na análise de Cyro Gazola, vice-presidente do segmento de bicicletas da Abraciclo, o crescimento do setor registrado nos últimos meses reflete na melhoria dos indicadores econômicos, com a estabilização da taxa de juros.

    “Atualmente, os ciclistas buscam por produtos de maior valor agregado e as fabricantes do Polo de Manaus atendem essa demanda, oferecendo bicicletas mais modernas, equipadas com suspensões e freios hidráulicos, entre outros itens”, diz o executivo.

    Manaus teve 12 mortes de ciclistas em cinco anos

    De acordo com dados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), a capital amazonense registrou 12 mortes envolvendo ciclistas nos últimos cinco anos, de 2015 a 2019. Em 2019, até o momento, o órgão registrou uma morte de ciclista, mesmo número de todo o ano de 2018. Em 2017, foram cinco mortes, enquanto em 2016 foram duas e em 2015 três óbitos.

    A coordenadora do Pedala Manaus, Nadia Aguiar, diz que Manaus não tem um número atualizado sobre a quantidade de pessoas que pedalam na capital amazonense. Já o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2012, aponta que 4% da população manauara é composta por ciclistas: aproximadamente 80 mil pessoas.

    Aproximadamente 80 mil pessoas pedalam em Manaus
    Aproximadamente 80 mil pessoas pedalam em Manaus | Foto: Divulgação/Semcom


    Ela conta ainda que toda terça-feira, o grupo promove um passeio com até 50 ciclistas. Nadia enfatiza que os maiores culpados de acidentes envolvendo ciclistas é o motorista de automóvel.

    “Não adianta falar para o ciclista utilizar todos os equipamentos necessários de proteção. A conscientização é em conjunto e envolve principalmente os motoristas de veículos motorizados. A responsabilidade é de todos”, diz.

    Segundo a Prefeitura de Manaus, desde 2014, atividades que enfatizam o respeito aos ciclistas, como o projeto “Bike Manaus”, são intensificadas e reúnem diversas atividades de sensibilização. Por meio do projeto “Condutor Consciente”, agentes e educadores de trânsito orientam pedestres, motoristas e ciclistas sobre o respeito mútuo, bem como o uso de equipamento adequado para cada veículo.

    A coordenadora separou algumas dicas de segurança na hora de pedalar por Manaus:

    1. Mantenha os seus amigos e parentes informados

    Antes de sair para pedalar sozinho, avise algum parente ou familiar próximo. Informe o horário que você pretende voltar e também o destino.

    2. Use os equipamentos de segurança

    Quando você pedala sozinho, é importante estar bem equipado. Leve capacete, joelheiras e o que mais você precisar para se manter em segurança.

    3. Leve sempre os seus documentos

    Pode parecer algo básico, mas muita gente esquece de levar os documentos para uma volta de bike. É fundamental tê-los sempre à mão, em caso de algum acidente ou outra necessidade menos grave.

    4. Fique atento ao trânsito

    Ao pedalar sozinho, o cuidado com o trânsito deve ser redobrado porque você estará mais vulnerável.

    5. Faça vistorias na bike para pedalar sozinho com segurança

    Imagine que você esteja em um trajeto a quilômetros de casa e, de repente, sua bike tem algum problema. Para se livrar desses apertos, faça a manutenção com frequência na bicicleta e revise todas as peças antes de sair de casa: pneus, guidão, freios e equipamentos de segurança.

    Bke

    Edição: Bruna Souza

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