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    Vendedores de mingau driblam crise e faturam pelas ruas de Manaus

    Na situação econômica do país que ainda segue com 14 milhões de desempregados, homens e mulheres em Manaus vencem a falta de oportunidades com direitos trabalhista a partir da venda do tradicional do mingau de banana, mungunzá ou arroz

    Elieser de Souza fatura R$ 600 por semana | Foto: Ione Moreno

    Vendedor de mingau em Manaus
    Vendedor de mingau em Manaus | Foto: Ione Moreno

    Manaus - Na situação econômica do país que ainda segue com 14 milhões de desempregados, homens e mulheres em Manaus vencem a falta de oportunidades com direitos trabalhista a partir da venda do tradicional do mingau de banana, mungunzá ou arroz. Mas, o negócio no campo da informalidade que tem reunido mais mingauzeiros para a atividade, nesse período de crise, é um trabalho já antigo em Manaus, que tem sustentado famílias com histórias de sucesso.

    É comum vendedores de mingau nas ruas dos principais pontos comerciais e principalmente nas proximidades de centros de saúde, com um carrinho de mão e duas panelas de alumínio com o alimento bem aquecido. Uma das “atrações” da Policlínica Gilberto Mestrinho, na avenida Getúlio Vargas, Centro, Zona Sul, é o seu Elieser de Souza, 47. Ele vende mingau há 27 anos na cidade, tempo em que conquistou muitos clientes.

    Há 27 anos Elieser de Souza vende mingau de banana e mungunzá pelas ruas de Manaus e fatura até R$ 600 por semana
    Há 27 anos Elieser de Souza vende mingau de banana e mungunzá pelas ruas de Manaus e fatura até R$ 600 por semana | Foto: Marcely Gomes

    Elieser conta que com a renda da venda do produto conseguiu ao longo dos anos comprar o um carro, uma moto e a sua casa. “Sou muito abençoado. Não sou rico, mas vivo com dignidade e sei que se não fosse pelo mingau eu não teria conquistado essas coisas, já que falta oportunidade no mercado de trabalho”, diz o mingauzeiro.

    ​Para garantir o sustento da família, Elieser precisou de uma estratégia para transformar um produto sazonal em algo que pudesse lhe garantir lucro o ano todo. Hoje ele fatura por semana R$ 600 líquido, em média, com expediente das 15h às 18h, de segunda a sexta. “Para deixar o mingau bem gostoso eu coloco bastante leite. Além disso, um bom atendimento é muito importante. Eu trato bem as pessoas, converso e sempre faço muitas amizades. Se não tratarmos bem, hoje eles compram e amanhã não compram mais", avalia.

    Elieser conta que já vendeu muito mingau percorrendo pelas avenidas Castelo Branco, na Cachoeirinha, e também na Eduardo Ribeiro e Marechal Deodoro, no Centro. Hoje, o seu ponto de parada principal é em frente ao Colégio Brasileiro Pedro Silvestre, na rua 10 de julho, Centro. Vez ou outra ele substitui o seu irmão em frente a policlínica Gilberto Mestrinho, na avenida Getúlio Vargas. O sucesso do mingau de Elieser foi tanto que ele vende um outro carrinho de mingau para um amigo.

    Vendedor de mingau em Manaus
    Vendedor de mingau em Manaus | Foto: Marcely Gomes

    Outra minguazeiro de sucesso nas ruas de Manaus é o Marcos Guimarães, 28. Desde de adolescente ele busca uma oportunidade de trabalho. Ao ouvir comentários de que muitos amigos estavam “se dando bem” com a venda de mingau, ele resolveu investir no ramo. “Juntei dinheiro e vim para cá. Estava desempregado e sem perspectiva. Não tive uma educação boa. Então resolvi investir. O mingau de banana e mungunzá é como se fosse uma tradição de família. Eu e meu irmão vendemos em lugares diferentes da cidade”, conta.

    Durante a entrevista, Marcos substituia o irmão mais velho que também vende mingau em frente ao Hospital Samel, na Avenida Joaquim Nabuco, Centro, Zona Sul, mas o seu ponto fixo é no Sesi Saúde, na avenida Getúlio Vargas.

    O vendedor disse que fatura R$ 1 mil líquido, por semana. Com o recurso ele ajuda a manter o sustento da família e junta para pagar a faculdade da filha. “Graças a Deus e ao diferencial do meu atendimento consegui conquistar, aos poucos, o que tenho hoje. Não tenho vergonha de dizer que sou vendedor de mingau”, diz.

    Vendedor de mingau em Manaus
    Vendedor de mingau em Manaus | Foto: Marcely Gomes

    Desocupação

    Durante o primeiro trimestre de 2019, Manaus foi apontada como a capital com a maior taxa de desocupação do país (15,9%). No último trimestre do ano anterior, a taxa foi de 14,4%, uma variação de 1,5 pontos percentuais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a mais elevada desde o terceiro trimestre de 2017, quando alcançou 16%.

    Em toda a série histórica, que começou em 2012, a menor taxa que o Amazonas registrou, aconteceu no terceiro trimestre de 2014, com 6,7%. Já a maior taxa ocorreu no primeiro trimestre de 2017 com 17,7%. A taxa de desocupação de Manaus, alcançou 19,4%, depois de registrar 18,3% no trimestre anterior, superando Rio Branco e passando a ter a maior taxa entre as capitais.

    Para o economista Wallace Meireles, a taxa de desocupação é reflexo do baixo crescimento e da alta ociosidade do comércio, indústria e em outras atividades produtivas da economia brasileira. “As pessoas estão se virando como podem, com os meios que possuem, vendendo sorvete, mingau, churrasquinho, pois precisam sustentar a si e suas famílias. Infelizmente é tímida, para não dizer apática ou irresponsável a atuação das três esferas de poder: estadual, municipal e federal, no estímulo à produção, geração de renda e consumo”, diz.

    O especialista avalia que não vê por parte dos entes governamentais uma programação para o desenvolvimento do empreendedorismo, da desburocratização das relações com o Estado, da capacitação da mão de obra, no curto prazo e da infraestrutura e logística para o longo prazo, por exemplo. “Estes cortes de gastos governamentais, neste momento de economia desaquecida, ajudam a equilibrar suas contas, por outro lado deprimem ainda mais a economia", explica o Meireles. 

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