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    Cheia no AM


    Cheia do AM causa prejuízo de R$ 65 milhões ao produtores rurais

    O plantio da cultura banana, contabilizou a maior perda no Estado do Amazonas estimada em R$ 33,6 milhões

    Enchente no município de Anori
    Enchente no município de Anori | Foto: Yasmin Feitosa


    Manaus - A cheia dos rios do Amazonas no primeiro semestre deste ano contabiliza prejuízos na agricultura e na pecuária de R$ 65,9 milhões, até o momento, de acordo com dados do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam). O órgão fez levantamento com base nas informações coletadas junto aos agricultores dos municípios do Estado.

    Em relação aos produtos mais afetados, a banana aparece em primeiro lugar na lista, com um prejuízo aproximado de R$ 33,6 milhões. Outros produtos mais prejudicados são a macaxeira, a mandioca, o milho e o maracujá. Conforme o Idam, as hortaliças e a cultura do cacau também registraram perdas significativas. O Instituto também afirma que as regiões mais afetadas com a cheia são as do rio Madeira, do município de Manacapuru e entorno de Manaus.

    Há 19 anos na Comunidade Flexal, no município Humaitá (a 590 quilômetros de Manaus), na região do rio Madeira, o produtor Judival Menezes, 49, contou que perdeu cerca de 600 pés de banana com a cheia deste ano. O produtor cultiva também hortaliças e macaxeira e afirma que perdeu toda a vegetação. “Estamos vivendo em uma balsa, onde eu estou buscando outras alternativas para manter o sustento da minha família, como a venda de pescados. Eu perdi tudo nessa cheia e estou aguardando para começar a plantar de novo”, frisou o agricultor.


    Em relação aos produtos mais afetados, a banana aparece em primeiro lugar na lista com um prejuízo de R$ 33.639.650, 00
    Em relação aos produtos mais afetados, a banana aparece em primeiro lugar na lista com um prejuízo de R$ 33.639.650, 00 | Foto: Yasmin Feitosa

    Morador do município de Anamã, o produtor rural Edilson da Silva, 40, também perdeu uma quantidade significativa da plantação de banana, macaxeira, chicória e jerimum. “Alagou praticamente todo o município. Ainda não temos o prejuízo em valores, porque não realizamos o levantamento de toda a perda da produção do município, mas estima-se um valor elevado porque se perdeu muita coisa”, disse o produtor.

    Edilson que trabalha há 20 anos com agricultura, disse que é comum ter prejuízos econômicos nesse período. Ele também frisou que uma das principais alternativas encontradas pelos agricultores do município é a busca por terra firme para realizar plantios. “Os que não tem terra firme devem suspender as sementes e aguardar o rio secar para começar a plantar de novo. A alternativa é recomeçar”, apontou.

    O Serviço Geológico do Brasil (CPRM) divulgou no mês de junho que a cota máxima dos rios do Amazonas pode variar entre 29,18 metros a 29,33 metros. De acordo com a Defesa Civil do Estado, na Calha do rio Madeira, 51.717 pessoas foram atingidas pelas enchentes. Na Calha do rio Purus, 16.118 e na do rio Juruá foi 51.407 ribeirinhos foram afetados.

    Enchente no município de Anori
    Enchente no município de Anori | Foto: Yasmin Feitosa

    Redução de danos

    O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, disse que a federação vai adotar medidas necessárias para a redução dos danos nas produções, como a busca de ajuda humanitária e apoio no que diz respeito a negociação de dívidas dos produtores que foram atingidos pela cheia.

    “A nossa expectativa é que o período de vazante possa iniciar o quanto antes para que esses prejuízos econômicos possam ser minimizados. Nesse momento, a maioria dos produtores está procurando evitar maiores perdas. Seja na agricultura ou na pecuária. Nesse momento, na pecuária, muitos criadores estão tendo que viabilizar áreas de terra firme para a manutenção dos animais com custos adicionais, como alimentação e suplementação alimentar para esse rebanho”, frisou o presidente.

    Apoio

    O diretor do Idam, José Milton também afirmou que em alguns municípios do Estado já foram iniciadas ações de distribuição de sementes de milho e feijão para apoiar esses agricultores afetados com a cheia dos rios. “Estamos conversando com a Sepror e outros órgãos para adquirirmos também sementes de hortaliças. Nosso objetivo é oferecer um apoio maior a esses agricultores descapitalizados e mais prejudicados com a cheia”, destacou.

    O Governo do Estado, por meio da Defesa Civil do Amazonas, realizou a primeira fase da Operação Enchente 2019
    O Governo do Estado, por meio da Defesa Civil do Amazonas, realizou a primeira fase da Operação Enchente 2019 | Foto: Divulgação / Secom

    O Governo do Estado, por meio da Defesa Civil do Amazonas, realizou a primeira fase da Operação Enchente 2019. A Defesa Civil afirma que um total de 15 municípios das calhas do Juruá, Purus e Madeira foi atendido durante a operação.

    Ao todo, 13.436 famílias foram atendidas com ajuda humanitária, que contempla: cestas básicas, kits higiene, kits com redes, lençóis e mosqueteiros, kits de limpeza, colchões, jogos de cama, travesseiros e 92 purificadores de água do projeto Salta-Z. Mais de 8 milhões foram investidos em insumos só nesta 1ª fase.

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