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    Força de vontade


    Casal amazonense constrói casa própria vendendo 'bolo de pote'

    Márcia e Ítalo conciliam a produção e a venda dos produtos com a faculdade

    O casal conta a história ao Portal Em Tempo | Autor: Marcely Gomes
     

    Iranduba (AM) - "Como construir a casa própria?".  Foi esse questionamento que o casal de universitários amazonense Márcia Pinheiro de Souza, de 23 anos, e Ítalo dos Santos Carlos, de 22 anos, buscou em sites na internet. Conforme as orientações retiradas das páginas de empreendimentos, o casal decidiu comercializar 'bolos de pote' com o objetivo de arrecadar fundos para construção da tão sonhada moradia.

    Moradores do município de Iranduba, localizado na zona metropolitana de Manaus, o casal está junto desde 2015. Márcia conta que ela e o marido já comercializavam sobremesas para adquirir uma renda extra quando moravam alugado. Entretanto, depois de um tempo, o casal viu nas vendas a oportunidade, não somente de uma renda extra, mas de construir a casa própria. 

    O casal está junto há quatro anos
    O casal está junto há quatro anos | Foto: Marcely Gomes

    Com um brilho do olhar, a estudante de técnico em enfermagem conta como tudo começou. "A gente tinha somente R$ 50 quando decidimos ter nossa casa própria. Compramos as forminhas, os ingredientes e começamos a vender na rua até conquistarmos os clientes que temos hoje. Quando nos mudamos para a nossa casa tínhamos apenas uma caixa de papelão e um colchão que achamos na beira do rio", conta.

    O casal batalhou e conseguiu conquistar uma grande clientela. Mas agora eles tinham um novo desafio: conciliar o trabalho com a faculdade. Quem faz essa dupla jornada sabe o quanto é cansativo, mas quem pensa que eles desistiram está enganado.  

    Pelo contrário, o casal viu na faculdade, além do sonho da formação profissional, a chance de expandir as vendas.

    Força de vontade move o casal
    Força de vontade move o casal | Foto: Marcely Gomes

    Divisão dos trabalhos

    Segundo Ítalo, após chegarem da faculdade, às 22h, eles começam a preparação dos produtos que venderão no dia seguinte. Márcia fica responsável pela fabricação dos recheios, enquanto Ítalo prepara a massa dos bolos.

    O processo todo acaba por volta das 2h da madrugada, que é quando eles vão dormir. Após acordarem, às 6h, saem de casa com 25 unidades para vender na sede de Iranduba.

    Além de bolos de pote, o casal também vende trufas e salgados
    Além de bolos de pote, o casal também vende trufas e salgados | Foto: Arquivo Pessoal

    "Vendemos a unidade maior por R$ 5 e a menor por R$ 3. Tem dias que as vendas estão ótimas e conseguimos voltar para casa entre 11h e 12h. Tirando os gastos do preparo, conseguimos tirar um lucro de R$ 80, por dia", disse ítalo.

    O restante da produção é levado para as faculdades em que eles estudam. "Muita gente já reserva alguns sabores comigo. Já chegamos a receber encomendas de clientes que conquistamos ao longo desse tempo", contou com entusiasmo.

    O casal ganhou da avó de Ítalo um terreno para construir a casa. Com o lucro das vendas eles compraram, aos poucos, os materiais de construção. Inclusive, no momento da obra, o casal também arregaçou as mangas e participou dos trabalhos. 

    Atualmente, eles já moram na residência, mas ainda faltam alguns acabamentos para terminar a obra. "É um sonho realizando. Poder acordar e dormir na nossa casa. Ainda faltam algumas coisas, mas tenho certeza que juntos vamos conseguir", fala Márcia com bastante otimismo. 

    Economista

    A iniciativa do casal, segundo o economista Wallace Meirelles, é uma ótima alternativa para tempos de crise.  

    “Estimular o empreendedorismo deve ser objetivo de qualquer gestão governamental. O que constrói a riqueza de um país é a produção. Quando o estímulo de empreendedorismo vem da própria sociedade, isso é muito bom. Nos anos 90, por exemplo, o Brasil já tinha uma propensão muito boa a ter empreendedores que se voltavam para atividades produtivas para sobreviver”, comentou o economista.

    A atividade de Ítalo e Márcia, segundo o economista, é altamente produtiva e buscando especializações podem garantir mais lucros no futuro.

     “A venda do bolo é uma atividade altamente produtiva e interessante se olhar de imediato as possibilidades que tem em seu entorno. Visando o crescimento, este jovem casal deve estudar o mercado, o público-alvo, aprimorar a técnica, realizando assim um trabalho com qualidade e produtividade”, confessou Wallace.

    Sonhos

    Além da construção da casa própria, ítalo, que conseguiu uma bolsa integral para estudar enfermagem na Universidade Paulista (Unip), por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni), programa que concede bolsas para as melhores notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), conta que ambos sonham em trabalhar na área da saúde.

    Casal vende bolo de pote em prol a construção da casa própria
    Casal vende bolo de pote em prol a construção da casa própria | Foto: Marcely Gomes

    "Assim como eu, ela também estuda enfermagem. Esse mês foi bem difícil porque, coincidentemente, a nossa semana de provas caiu no mesmo período. Isso afetou nas nossas vendas, pois tínhamos que estudar para as provas", disse.

    Mesmo enfrentando esse desafio de construir a casa própria, o casal não nega ajuda para os pais de Márcia, que enfrentam também dificuldades de moradia, pois moram na região do Cacau Pirêra, que todo ano é afetado pela enchente.

    "Meus pais não trabalham. Então sempre que eles pedem ajuda a gente dá. A avó do Ítalo cedeu o terreno para construção da nossa casa. Então, temos certeza que todo esse trabalho não será em vão", concluiu.

    Quem quiser encomendar os produtos do casal, pode entrar em contato pelo número (92) 994789452.

    Conselhos e dicas para quem quer empreender

    O economista afirma que qualquer pessoa pode garantir uma renda extra. Entretanto, segundo ele, um dos primeiros passos é fazer o que gosta. 

    “Primeiro a pessoa tem que saber o que gosta de fazer, procurar algo que lhe interessa, pois, fazer algo que não gosta acabam diminuindo as chances de sucesso. Segundo deve-se procurar o que é e como funciona. Ou seja, estudar a atividade que pretende realizar, os consumidores, o mercado, a possibilidade de receita. Terceiro, pôr em prática todo o planejamento e após isso, realizar uma autoanálise para identificar o que se deve aprimorar e por aí o ciclo continua”, orientou o economista.

    Edição: Mara Magalhães

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