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    Navegabilidade


    Exportação e importação comprometidas sem dragagem no rio Madeira

    Empresas de navegação do Amazonas reduziram 10% das cargas transportadas e custos de produtos serão afetados

    A dragagem é fundamental em vários rios para aumentar a profundidade e garantir maior calado para navegação | Foto: Divulgação/ Sindarma

    Manaus - A falta dos serviços de dragagem no rio Madeira ainda é um dos fatores que prejudica a importação e exportação de produtos na região Norte e preocupa o setor de navegação, principalmente com a chegada do período da vazante. As empresas reduziram 10% das cargas transportadas e ainda o tempo de viagem de Manaus (AM) a Porto Velho (RO), o que impacta no custo de viagem e como consequência, no preço dos produtos.

    De acordo com o Sindicato das Empresas de Navegação Fluvial no Estado do Amazonas (Sindarma), as embarcações que trafegam pelo rio Madeira já perceberam determinados trechos como a Travessia dos Papagaios, Curicacas, Cujubim, Tamanduá e principalmente no trecho Humaitá-Porto Velho com limitação de calado.

    “Nessa segunda quinzena de julho, nossas embarcações já estão saindo com cargas reduzidas na ordem de 10% e isso reflete diretamente no custo de viagem em razão que vai demorar mais tempo para chegar em Porto Velho, porque determinadas passagens de Humaitá para ‘cima’ só se faz de dia”, explica o conselheiro do Sindarma, Dodó Carvalho.

    Para o conselheiro, a velocidade que é dragado é muito lento em relação a necessidade. Ele acredita que para ter uma dragagem satisfatória teria que ter quatro dragas simultaneamente em trechos diferentes para poder atender a velocidade do rio.

    “A dragagem está no trecho do Cujubim e do Tamanduá. Ela começa de cima para baixo, inicia em Porto Velho no sentido de Humaitá, mas ela não atende, porque a velocidade é muito lenta em relação a vazante do rio. Assim que terminar de dragar nesses trechos, quando chegar em Curicacas e nos Papagaios vamos ter outros problemas”, salienta.

    Prejuízos

    Conforme Carvalho, os prejuízos acontecem principalmente no final de agosto para setembro. Caso a estiagem for muito grande, começa a faltar ou encarecer os produtos na mesa do manauara, em razão de que o rio está em grande dificuldade, tempo de viagem e capacidade de transportação. “Nós simplesmente trabalhamos no prejuízo. Tentamos reduzir os custos nas outras épocas do ano, para poder tentar segurar no verão”.

    De acordo com o Sindarma, anualmente, são transportados 13 milhões de toneladas incluindo todos os tipos de cagas como combustíveis, soja, carne em geral e madeira pela Hidrovia do Madeira com cargas que sai e entra por Itacoatiara, Manaus, Belém e Santarém. Na seca, o número de comboios chega quase a metade.

    Solução apontada

    A solução apontada pelo Sindarma seria um estudo aprofundado de que é possível fazer uma auto-dragagem e também a sinalização dos trechos críticos. “Nós não temos nenhuma sinalização. Sabemos dos pontos críticos porque nossas tripulações são experientes, mas como o Madeira é um rio novo, ele muda o seu leito, é um rio de auto sedimento, não muda os pedrais, mas onde é banco de areia e praia muda muito. Não temos uma sinalização que acompanhe essas sinalizações.É necessário oferecer um serviço de dragagem mais eficiente”.

    A sinalização é crucial para evitar acidentes causados por colisões de embarcações com bancos de areia e pedras. A dragagem é fundamental em vários rios para aumentar a profundidade e garantir maior calado para navegação. A dragagem é o procedimento para remoção dos sedimentos que se encontram no fundo do rio para permitir a passagem das embarcações em áreas mais assoreadas.

    “As embarcações só podem passar de dia e tem trecho que elas têm que procurar um canal para passar e isso é a ausência da sinalização e resulta em ter que fazer muitas manobras para poder passar por determinados trechos”, conta.

    ‘Investimento de mais de R$ 50 milhões em dragagem’

    O Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT) informou, por meio de nota, que em 2017 iniciou os serviços de dragagem nos passos críticos para eliminar os gargalos criados pelo acúmulo de sedimentos no canal de navegação do Rio Madeira, nos Estados do Amazonas e Rondônia. 

    O contrato firmado pelo DNIT prevê a dragagem de mais de um milhão de metros cúbicos de sedimentos anualmente. A intenção é manter profundidades mínimas de 3,5 metros no canal de navegação ao longo de toda a estação seca.

    “Desde o ano de 2017, o DNIT já investiu mais de R$ 30 milhões para assegurar a dragagem do rio. Neste ano, a previsão é que os serviços sejam efetuados entre os meses de julho e outubro, quando se inicia o período de cheia. A dragagem deverá ser retomada normalmente no início da vazante do rio Madeira de 2020, após o término dessa temporada”, diz nota.

    O DNIT acrescenta que até 2021, está previsto investimento de mais de R$ 50 milhões na dragagem do Rio Madeira.  Além disso, o órgão está planejando a implantação de monitoramento nas hidrovias.

    Saiba Mais

    O Rio Madeira é uma das principais passagens logísticas do país e integra o Arco Norte, região que compreende os estados de Rondônia, Amazonas, Amapá, Pará e segue até o Maranhão. Pela hidrovia ocorre o escoamento da produção agrícola, principalmente soja e milho de Mato Grosso e Rondônia. E também insumos como combustíveis e fertilizantes, com destino a Porto Velho e Manaus, além de alimentos e produtos produzidos na Zona Franca de Manaus.

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