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    Emprego


    'Futuro do emprego no PIM será diferente', diz coordenador do Cieam

    Apenas 10% da população educacional brasileira tem formação nas áreas Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática

    O emprego na indústria está mudando e em ritmo cada vez mais acelerado
    O emprego na indústria está mudando e em ritmo cada vez mais acelerado | Foto: Divulgação

    Manaus - O emprego na indústria está mudando e em ritmo cada vez mais acelerado. No Polo Industrial de Manaus (PIM) não é diferente. Esse processo de disrupção intensificado com a indústria 4.0 evidencia a necessidade urgente de capacitação tecnológica para suprir a intensa demanda do mercado. Apenas 10% da população educacional brasileira tem formação nas áreas chamadas STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, na sigla em inglês). O índice ideal é de 40%.

    A informação é de Paulo Xavier, socio manager para América Latina da Technicolor, coordenador da Comissão de Desenvolvimento Automação e Inovação (Cedae) do Centro da Indústria do Amazonas (Cieam), da Coordenadoria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e da subcâmara da Feira do Polo Digital.

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    “Tem um desequilíbrio, não é a demanda, por não haver uma mentoria indicando para onde a pessoa deve caminhar, no Estados Unidos, na China. Na Europa é diferente, nós não vamos ter profissionais para suprimir a demanda que está sendo criada, nós não vamos conseguir em curto, médio prazo, vai ser em longo prazo. Vai demorar para chegar. É preciso fazer um trabalho de orientação à comunidade”, disse o executivo. A demanda necessária está principalmente nas áreas de Processamento de Dados, Engenharia, Eletrônica, Computação e Design. "

    Paulo Xavier, Coordenador da Comissão de Desenvolvimento Automação e Inovação (Cedae) do Cieam

    Paulo Xavier é Coordenador da Comissão de Desenvolvimento Automação e Inovação (Cedae) do Cieam
    Paulo Xavier é Coordenador da Comissão de Desenvolvimento Automação e Inovação (Cedae) do Cieam | Foto: Daisy Melo

    Busca pela qualificação

    O indicador de que o cenário do emprego no PIM mudou é que os 50 mil trabalhadores que saíram do PIM nos últimos anos dificilmente retornarão caso não busquem qualificação. “Há muitos empregos disponíveis por falta de pessoas capacitadas. O que essas pessoas que saíram do PIM estão fazendo para se recolocar? Se você não se atualiza, sua profissão vai ser engolida, as pessoas têm o costume de se acomodar, essa mentalidade tem que mudar”, comentou.

    A cultura de investir em conhecimento e qualificação é reforçada por Paulo Xavier como uma oportunidade não apenas para manter empregos, mas para incrementar a renda. Como exemplo, o executivo cita que o salário médio mínimo de um operário do PIM é de R$ 1,5 mil enquanto que o de um iniciante na área de tecnologia é de R$ 10 mil.

    Novas Profissões

    Muito além das ocupações já existentes, esse novo cenário do emprego ainda cria novas profissões.

    “O futuro do emprego no PIM vai ser completamente diferente. São outras profissões, algumas que irão acontecer como, por exemplo, o de analista de dados, porque hoje a indústria está com sensores que geram muita informação e a indústria vai precisar de um profissional para analisar essas informações que o gestor precisa. Hoje não há ninguém que faça isso, a pessoa terá que estudar para  trabalhar no Distrito, em função de tecnologia”, explicou.

    Manufatura enxuta

    Esse processo de disrupção dominado pela tecnologia e o desenvolvimento de capacitação, segundo Xavier, foi iniciado muito antes da quarta revolução industrial com a aplicação do lean manufacturing (manufatura enxuta). “Essa movimentação vem vindo há 10 anos com a melhora, a organização dos processos para ter menos pessoas fazendo mais, começou há muito tempo, mas a tecnologia acelera, isso é processo de melhoria, é uma evolução”, disse.

    Mais eficiência, mais lucro, melhores salários

    Apesar de enxugar o estoque de empregos, na opinião do executivo, esse novo momento tem como vantagem a oferta de melhores salários. “A empresa pode pagar um salário de um nível melhor porque a empresa está tendo lucro, sendo mais eficiente, menos custo fixo, consegue ser mais lucrativa”, comentou. Nessa perspectiva, os profissionais habilitados têm a possibilidade de negociar seus próprios salários. “É aquela questão de oferta e demanda, se você é um profissional de tecnologia no mercado, você fala o quanto quer ganhar, você dita”.

    Workshop e Feira

    Na construção dessa qualificação necessária ao mercado, a indústria tem desenvolvido uma série de ações. Entre elas está a realização da Feira do Polo Digital que terá a 2ª edição neste ano de 15 a 17 de outubro, no Studio 5 Centro de Convenções.

    Outra iniciativa é o projeto Îakaê (“caminhos”, na língua Tupi). Organizado por Cieam, Fieam, Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e Samsung Ocean, o encontro teve a primeira edição em maio e o próximo será no dia 29 de julho deste ano e com programação também de 30 de julho a 1º de agosto.“O workshop tem a participação das indústrias junto com o ecossistema. São palestras com profissionais de fora do Estado e daqui, estudos de caso, demonstração de cases de sucesso, troca de informações entre as empresas para discutir quais são os problemas que tem na indústria, isso é material para que as startups já vão preparando e pensando quais são as soluções, essa é a ideia”, explicou.

    Com base nesse levantamento de dados, a indústria prepara também a realização, em setembro, de um hakaton. “É o momento que vamos entregar todos esses problemas levantados. De 15 a 20 startups vão apresentar soluções, isso está dentro do projeto Îakaê, a solução pode ser trazida por aplicativo, sistema, é uma solução tecnologia para diminuir esse gap”, finalizou.

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