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    Polo Industrial de Manaus


    Vídeo: crise reduz salário no PIM para valor abaixo do chinês

    Queda no valor da mão de obra, na ZFM, associada ao consumo de eletrônicos tem gerado transferência de linhas de produção da China para o PIM

    Número de trabalhadores do PIM que recebe salários mais elevados caiu nos últimos anos | Foto: Arquivo Em Tempo

    Manaus - Com um contingente de 12,8 milhões de desempregados, a crise econômica brasileira achatou o salário dos trabalhadores. No Polo Industrial de Manaus (PIM), o valor médio da remuneração de um industriário equivale à metade do salário de um operário chinês. Essa redução no custo da mão de obra, associada à demanda por determinados bens, tem provocado a transferência de fabricações chinesas para o Brasil.

    “A diferença, hoje, da China para o Brasil é o custo da mão de obra. Um salário de um brasileiro em linha de produção está em torno de R$ 1,5 mil, existem os encargos sociais e tudo mais. O salário hoje de um empregado numa fábrica chinesa já é em torno de R$ 3 mil”, afirmou o diretor técnico e de comércio exterior da Mondial, Jacques Ivo Krause.

    O número de trabalhadores do PIM que recebem de 1,5 salário mínimo de 2 a 4 salários mínimos representa, hoje, mais do que a soma dos que recebem de 2 a 15 salários mínimos. De acordo com dados dos Indicadores de Desempenho do PIM da Superintendência da Zona Franca de Manaus (ZFM), divulgados na sexta-feira (23), em 2019, 45.720 mil trabalhadores recebem os menores salários contra 30.846 com renda superior.

    A produção industrial de Manaus está seguindo as expectativas, diz especialista
    A produção industrial de Manaus está seguindo as expectativas, diz especialista | Foto: Márcio Melo

    Nos últimos anos, o total de trabalhadores do PIM que recebe as faixas salarias mais elevadas apresentou redução. Os que ganham de 2 a 4 salários mínimos caíram de 25.430 mil para 18.549 mil. Já os que recebem de 6 a 10 salários mínimos caíram de 5.022 mil para 3.951 mil.

    Pesquisa do Euromonitor International aponta que o salário médio, por hora, na indústria chinesa triplicou entre 2005 e 2016, saindo US$ 1,20 para US$ 3,60. No mesmo período, a remuneração no setor industrial brasileiro caiu de US$ 2,90 para US$ 2,70. O levantamento demonstra, segundo o economista Ailson Rezende, que os salários na indústria chinesa crescem, enquanto no Brasil são reduzidos anualmente.

    Os dados da pesquisa Euromonitor revelam que a renda em países latino-americanos estagnou ou caiu em termos reais. “A crise econômica achatou os salários no Brasil”. Os trabalhadores chineses ganham mais, por hora, do que a maior parte dos trabalhadores da América Latina, com exceção dos chilenos, segundo o levantamento.

    Economista Ailson Rezende
    Economista Ailson Rezende | Foto: Reprodução

    Diante dessa realidade, o diretor da Mondial afirmou que a empresa é mais competitiva fabricando determinados produtos eletrônicos no Brasil. “A China está mais cara. O Brasil tem hoje uma condição de competitividade um pouco maior e, na linha de eletrônicos, Manaus passa a ser uma possibilidade de produção local mais atrativa do que uma importação de produtos da China. Quando se tem volume, vale a pena trazer o produto para produção nacional”, avalia o executivo.

    Apesar da queda no salário do empregado ter tornado o Brasil um pouco mais atrativo para o empresariado, o economista Ailson Rezende destaca que os encargos sociais ainda ‘pesam’. “O salário não é um bom referencial, pois os encargos sobre a folha de pagamento deixam os valores iguais. No Brasil, os encargos sociais chegam a 110% do salário do empregado”, informa.

    A média mensal de “salários, encargos e benefícios” reduziram com os anos, de acordo com dados dos Indicadores de Desempenho do parque fabril da Zona Franca de Manaus. O valor saiu de US$ 201,4 milhões (em 2013) para US$ 114,6 milhões (até maio de 2019). No mesmo período, a mão de obra caiu de 113.220 mil trabalhadores para 76.391 mil.

    Demanda determinante

    Muito além do salário, Rezende explica que o principal atrativo está na demanda nacional. “O Brasil é o quinto pais em população e com uma demanda interna completamente insatisfeita, o que for produzido, com qualidade e preço acessível é consumido em grande escala”, comenta o economista.

    Com a existência dessa demanda aquecida, a localização da produção no país é estratégica. Nessas circunstâncias, de acordo com Jacques Ivo Krause, uma venda repentina expressiva pode ser atendida entre 15 a 20 dias com a produção nacional, enquanto que, com fabricação do bem fora do país, esse prazo salta para de 90 a 120 dias.

    Diretor técnico e de comércio exterior da Mondial, Jacques Ivo Krause.
    Diretor técnico e de comércio exterior da Mondial, Jacques Ivo Krause. | Foto: Divulgação

    “Quando conseguimos ver vantagem competitiva na produção interna, nós vamos verticalizando, [na unidade da Mondial] em Manaus. Nós estamos usando todo o know how que existe na Zona Franca de Manaus, na parte de montagem de placas principalmente”, afirma. O diretor informa que a fábrica não opera com terceirizações e a maior parte do processo é executado dentro da própria unidade, com exceção das linhas de SMT (Surface Mount Technology/Tecnologia de Montagem em Superfície).

    Um exemplo dessa transferência das linhas de produção da China para o Brasil é o de caixas de som multimídia. Até o ano passado com produção chinesa, a fabricação de dois modelos deste produto foi iniciada em fevereiro deste ano na unidade da Mondial, no PIM. Com o resultado satisfatório, o diretor conta que a empresa tem planos de ampliação a partir de 2020.

    “A produção em Manaus está seguindo as expectativas. A ideia é ampliar lá [no PIM]. Nós estamos olhando para alguns projetos novos dentro da linha de áudio e vídeo, alguns produtos que a gente já importa e vende hoje. A ideia é nacionalizar mais um ou dois”, adianta Krauser.

    Assista à reportagem da TV Em Tempo:

    Assista a reportagem | Autor: Juliano Couto/ TV Em Tempo
     


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