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    INDÚSTRIA AMAZONENSE


    Setor eletroeletrônico do PIM ameaçado pelo coronavírus da China

    Com risco de desabastecimento de insumos chineses, linhas de produção podem parar na indústria de Manaus, aponta Abinee

    Indústria amazonense, em boa parte, depende de insumos chineses para produzir | Foto: Paulo Whitaker / Reuters

    Manaus -  Com o risco de desabastecimento de bens intermediários e insumos por conta  dos efeitos do coronavírus sobre a indústria chinesa, a produção de empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) pode estar ameaçada. Uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) revelou que, caso a paralisação das fábricas chinesas persista, 22% das empresas do setor eletroeletrônico brasileiro podem paralisar suas atividades.

    Esse é um dado preocupante para o Amazonas, pois a China é um dos mais importantes fornecedores de componentes para empresas das linhas branca e marrom da indústria amazonense. Um possível desabastecimento traria impactos negativos para o polo eletroeletrônico, responsável por maior parte do faturamento do PIM.

    De acordo com o presidente do Centro da Indústria do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, já há relatos de redução de atividades de fabricantes de smartphones como Samsung e Motorola. Empresas já estudam a possibilidade de férias coletivas ou licença remunerada pela falta de material. 

    “Quanto mais tempo as fábricas chinesas demorarem a retomar suas atividades, maior é o risco de desabastecimento para nós”, afirma Périco. “A possibilidade de paralisação das linhas de produção depende de cada empresa e segmento, mas o eletroeletrônico é o mais afetado, assim como o de duas rodas”, explica.

    Férias coletivas

    O ‘efeito coronavírus’ acelerou a programação de férias coletivas de pelo menos 20 empresas do Amazonas, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM), Valdemir Santana.

    De acordo com ele, as férias coletivas já estavam programadas para ocorrer logo após o Carnaval, mas como não tem material [para produzir], querem dar mais 10 dias além do previsto para os funcionários. “Não são todas as empresas, mas pelo menos 20 já procuraram os sindicatos para planejar isso”, relata o sindicalista. 

    Medidas

    Também ficou para depois do Carnaval a discussão sobre medidas para contornar os riscos que a produção industrial amazonenses está correndo. 

    “Vamos procurar soluções que permitam que as empresas recuperem a produção perdida sem ter impacto no custo. Provavelmente os funcionários ficarão em casa, recebendo, mas lá na frente pode ser que eles tenham que trabalhar em horário estendido para recuperar a produção. Vamos negociar isso para não ter nenhum risco a esses empregos”, afirma o presidente do Cieam. 

    Cauteloso, Wilson Périco diz que ainda é cedo para dizer se o efeito coronavírus impactará o desempenho de produção e faturamento do PIM no primeiro trimestre de 2020. “Pode ser que tenha sim um impacto, mas não deve ser muito sentido. O maior risco é de que os próximos insumos importados cheguem com atraso. Vamos aguardar para fazer um prognóstico mais acurado”, comentou.

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