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    Economia


    Fábricas do Polo Industrial param por conta do coronavírus

    Com risco de desabastecimento de insumos chineses, linhas de produção antecipam férias coletivas e interrompem atividades

    Manaus - As dificuldades logísticas causadas pelo coronavírus começam a atingir o Polo Industrial de Manaus (PIM). Pelo menos 15 fábricas de bens finais do polo eletroeletrônico já interromperam atividades e deram férias coletivas antecipadas, por falta de componentes. As informações de, aproximadamente, 2,5 mil trabalhadores estarem parados é do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas do Amazonas (Sindmetal-AM).

    Por conta do temor de uma pandemia do coronavírus, vários fornecedores estão parados na China. Indústrias ao redor do mundo, inclusive no Brasil, passam a sentir os efeitos da falta de matéria-prima para fabricação de produtos.

    É curioso verificar que a paralisação do PIM ocorre em um período que o setor intensifica as atividades para uma das datas importantes para o comércio, o Dia das Mães.

    De acordo com informação divulgada no último dia 19 de fevereiro, no EM TEMPO, pelo presidente do Centro da Indústria do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, já há relatos de redução de atividades de fabricantes de smartphones, como Samsung e Motorola. Empresas já estudam a possibilidade de férias coletivas ou licença remunerada pela falta de material.

    “Quanto mais tempo as fábricas chinesas demorarem a retomar suas atividades, maior é o risco de desabastecimento para nós”, afirma Périco. “A possibilidade de paralisação das linhas de produção depende de cada empresa e segmento, mas o eletroeletrônico é o mais afetado, assim como o de duas rodas”, explica.

    ‘Férias coletivas’

    De acordo com o presidente do Sindmetal-AM, Valdemir Santana, as férias concedidas aos trabalhadores já estavam programadas desde o ano passado, e não tem relação alguma com a ‘questão do coronavírus’.

    Santana também constatou que, até então, o efeito não está sendo tão grave no PIM. ‘’Mesmo os resultados não sendo alarmantes, estamos conduzindo reuniões para conversar com diversas empresas a fim de analisar caso por caso do que pode vir a faltar para que a produção continue’’, esclareceu.

    ‘Torce para situação ser controlada’

    Wilson Périco afirmou que. até o momento. o caso está ocorrendo na região do Sudeste do Brasil, em São Paulo. e que torce para que a situação seja controlada e não se espalhe como ocorreu na China.

    ‘’O que temos visto nos outros países é que a proliferação não tem sido grande, exatamente por conta dos cuidados tomados. e eu espero que isso se replique no Brasil’’, declarou o presidente.

    Além disso, Périco comunicou que a preocupação com a continuidade das atividades da China é uma realidade, uma vez que o abastecimento do PIM também depende desta. ‘’Vamos acompanhar e observar. durante as próximas semanas. se retomam as atividades e se conseguiremos minimizar os impactos para a atividade do Polo Industrial de Manaus,’’ alegou.

    Em relação à questão do abastecimento, um levantamento feito pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), com as empresas fabricantes do setor eletroeletrônico e de tecnologia da informação (celulares, computadores), mostrou que 52% das entrevistadas já apresentam problemas no recebimento de matérias, componentes e insumos provenientes da China.

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