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    Finanças Pessoais


    Especialista orienta como controlar finanças e repensar gastos

    Em 2019, 48% dos brasileiros tiveram o CPF negativado por causa das dívidas excessivas

    34% dos brasileiros afirmam que refletem antes de fazer compras | Foto: Reprodução

    Manaus – Muitos brasileiros têm dificuldades em organizar suas finanças pessoais, acumulam dívidas de cartão de crédito e acabam tendo o CPF negativado. Segundo uma pesquisa divulgado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 48% dos brasileiros tiveram o CPF negativado em 2019. Esse contexto é o reflexo da falta de educação financeira da população.

    Organizar suas finanças e se educar financeiramente não consiste somente em aprender a economizar, cortar gastos, poupar e acumular dinheiro. Mas sim melhorar sua qualidade de vida atualmente e no futuro, proporcionando a segurança material necessária para aproveitar os prazeres da vida e ao mesmo tempo obter uma garantia para eventuais imprevistos.

    O grande desafio é reorganizar seus gastos, mas a tarefa pode ser mais fácil do que parece. A educadora financeira Natasha Gama explicou que a mudança precisa começar na forma de pensar.

    “Precisamos mudar nosso pensamento. Poucas pessoas se preocupam em guardar dinheiro para uma emergência ou para investir em algo, o ciclo dos brasileiros está em esgotar a sua renda, comprar com o cartão de crédito parcelando em várias vezes e depois trabalhar para pagar o cartão, então se torna um ciclo insustentável, a saída inicial é a gente dar prioridade para algumas despesas”, orienta.

    A profissional destacou a importância de reservar uma quantia para o futuro. “O ideal é guardar de 10% a 15% do que a gente ganha e entender que esse dinheiro é uma dívida que todos temos que ter com nós mesmos, se você tem um objetivo de comprar sua casa, seu carro ou qualquer outro investimento, opte por guardar e comprar o que deseja a vista, você receberá um desconto maior e não gerará dividas futuras”, diz.

    Para o assistente de comunicação Fernando Lima, a necessidade de se organizar financeiramente apareceu após perceber que estava em outro momento da vida.“Eu comecei a trabalhar aos 19 anos e meus amigos eram mais velhos, ganhavam mais e com isso viviam saindo, eu queria acompanhá-los e com isso acabei ficando sem dinheiro para nada, eu só saia e não via nenhum investimento. Foi quando eu me organizei e comecei a ver conteúdos no YouTube que me ajudaram muito a me organizar”.

    Emergências

    De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), 40% dos brasileiros não poupam nenhuma quantia. Dos que poupam, apenas 10% separam uma quantia por mês para a poupança, segundo relatório, outros 10% não poupam por escolha própria, ou seja, podemos dizer que metade da população brasileira gasta todo seu dinheiro sem se preocupar com o futuro. Natasha destacou ainda a importância de reservar dinheiro para situações emergenciais.

    “Se você tem filhos o ideal é que você guarde dinheiro para remédios, de uma eventual doença. Se você tem carro, para o concerto de um acidente no trânsito, na faculdade para o aumento da mensalidade ou rematrícula, enfim, em algum momento imprevistos podem acontecer e levar todo o seu salário sem você perceber”.

     Cartão de crédito

    Um dos inimigos do salário é o cartão de credito que apesar de parecer útil pode gerar grandes riscos para quem deseja controlar seus gastos. Mas se você está investindo na reorganização, saiba que é possível eliminar dívidas sem desistir do cartão.

    “O segredo é usar com responsabilidade, a gente consegue economizar de várias outras formas como débitos em conta ou até boletos para as contas de investimento. E analisar se é realmente necessário usar o cartão para algumas comprar, é pensar antes de comprar”, ressaltou Natasha.

    Ainda segundo a pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, aproximadamente 39% dos brasileiros disseram ter passado a controlar mais os gastos e 34% afirmam refletir mais antes de realizar compras. Outros 21% deixaram de emprestar nomes a terceiros e 18% passaram a evitar compras no cartão de crédito como é o caso do Fernando que teve um exemplo dentro de casa.

     “Minha mãe era descontrolada com cartão de credito qualquer coisa ela comprava no cartão e eu vi o reflexo disso muito cedo, eu era pequeno quando ela ficava cheia de contas por conta do cartão, hoje eu tenho cartão, mas evito usá-lo, procuro comprar à vista e eu consigo ver resultado porque ao invés de pagar uma roupa em várias vezes eu pago à vista, ganho desconto e não gero gasto para o mês seguinte", diz.

    Investimento

    Não é necessário deixar de se divertir para guardar dinheiro, mas diminuir a frequência do lazer para investir em ações, por exemplo, é uma atividade que possibilita o conhecimento do mercado financeiro e ainda pode dar retorno futuramente.

    “Eu invisto meu dinheiro na corretora de valores e apesar do mercado está instável eu ainda consigo ter noção de que daqui a 10 anos eu vou ter um ótimo retorno financeiro e isso vai me ajudar bastante, é um compromisso”, relata.

    O assistente de comunicação passou a rotina para os amigos que hoje também investem em ações e veem grandes resultados. “Nós gostamos muito. Hoje conversar sobre o mercado é o nosso maior hobby e isso é importante para gente ficar ciente de como está a economia do nosso país”, finalizou Fernando.

    Apesar de ser um mundo de possibilidades a educadora faz um alerta na hora de investir na bolsa de valores. “Invista se você tem uma renda boa e principalmente uma fonte de emergência. Não pegue seu dinheiro todo e jogue na bolsa de valores esperando ficar rico da noite para o dia, porque você também precisa se manter e usufruir do seu salário. Busque um especialista e se informe antes de qualquer investimento”, finalizou Natasha

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