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    Coronavírus


    Fim de festa: setor de eventos é afetado pela crise de Covid-19

    Se em fevereiro o Brasil pulava o Carnaval, em março o que restou foram salões fechados, pratos vazios e muitas incertezas

    Setor registra congelamento total de eventos | Foto: Freepik

    Manaus - Dos bolos, balões, músicas e muita comida para salões fechados, pratos vazios e isolamento social. Essa é a realidade vivida por boa parte da população mundial que agora precisa fazer quarentena para evitar o colapso do sistema de saúde durante a pandemia de coronavírus. Mas, quem trabalha com festas e antes fazia a alegria de todos, agora sente de perto a mudança da realidade.

    O fechamento do comércio e a orientação para evitar aglomeração de pessoas foram determinados no dia 23 de março, pelo governo do Estado, 12 dias até o fechamento desta reportagem. Com o curto prazo, ainda não há dados oficiais sobre como o setor de festas está prejudicado, mas trabalhadores já relatam impactos econômicos. 

    É o que conta o fotógrafo Edivan Farias, de 42 anos. Ele, que registrava momentos felizes de eventos, precisou deixar a máquina fotográfica 'de canto'. "Já tive seis eventos cancelados. Meus colegas também estão desesperados. Por trás das festas, têm muitos trabalhadores. Cerimonialistas, garçons, buffet e outros", comenta ele. 

    Edivan Farias, fotógrafo
    Edivan Farias, fotógrafo | Foto: Divulgação

    Embora seja jornalista, Edivan trabalha há 10 anos com o setor de festas, sendo sua principal fonte de renda. "Os governos decretaram isolamento e outras medidas para combater o vírus, mas como essas pessoas vão viver sem ter dinheiro?

    É o sentimento de preocupação que aflige a dona de um salão de festas, Luiza Santos. "Os eventos de abril foram todos adiados. Estamos aguardando agora o final do mês para vermos como vai ficar em Maio", conta ela.

    Segundo Luiza, ela e a família não vivem exclusivamente do aluguel do salão. Mas ela ressalta que possui funcionários que dependem dos eventos que antes eram realizados. "Com eles, temos dado o apoio que podemos. Eles têm ficado em casa", afirma. 

    "Efeito de guerra mundial"

    É fala da cerimonialista Lena Souza, que preferiu não informar a idade. "É como descreve a crise financeira que afetou setores do mundo inteiro".  E ela continua. "Confesso que não tenho a menor noção dos verdadeiros efeitos que isso vai causar", diz ela, que trabalha há 20 anos com festas.

    Os maiores medos de Lena são não conseguir arcar com as contas e mesmo se manter. Ela diz ter custos como folha de pagamento e aluguel do escritório. "Pelos meus cálculos eu consigo me manter até julho, mas depois já não sei como vai ser", conta ela.

    Lena Souza, cerimonialista
    Lena Souza, cerimonialista | Foto: Divulgação

    Como possíveis soluções para o 'pós-crise' a cerimonialista sugere "se reinventar". Ela diz que quando a poeira baixar, mesmo os clientes não estarão bem financeiramente, e por isso é uma boa ideia lançar promoções para atrair novos eventos. "Não vai adiantar termos o produto ou serviço para vender, se as pessoas não tiverem poder aquisitivo e condições de comprar", observa Lena.

    Manaus congelada

    O decreto 42.105 de 23 de março de 2020, do governo do Estado, suspendeu o comércio para os serviços não considerados essenciais. A medida foi necessária para seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Ministério da Saúde (MS) do Brasil no combate à pandemia do novo coronavírus. A nova doença ainda não tem cura, mas pesquisas internacionais e nacionais têm demonstrado que isolamento social reduz o nível de contágio do coronavírus, ajudando a não afogar o sistema de saúde, público e privado. 

    Wilson Lima, governador do Amazonas
    Wilson Lima, governador do Amazonas | Foto: Maurílio Rodrigues/ Secom

    A Prefeitura de Manaus, no dia 25 de março, decretou regime de teletrabalho por 30 dias para servidores públicos municipais. A única exceção é para as secretarias responsáveis por lidar com serviços essenciais, como saúde. 

    O prefeito Arthur Virgílio Neto já havia anunciado medidas de redução da aglomeração de pessoas na capital do Amazonas. O recesso escolar municipal foi antecipado, assim como foram fechados espaços de esporte e lazer administrados pelo município.

    Arthur Neto, prefeito de Manaus
    Arthur Neto, prefeito de Manaus | Foto: Divulgação

    A Secretaria de Comunicação da prefeitura afirmou, em nota para esta reportagem, que a prefeitura ainda suspendeu licenças para eventos acima de 100 pessoas, por 30 dias, assim como tem atuado nas feiras municipais, obedecendo as recomendações de saúde.

    "Além disso, a Visa Manaus atua no apoio da medida estadual, fiscalizando, em sistema de ronda, nos 60 bairros da capital ao mesmo tempo. As rondas têm como prioridade os estabelecimentos que pertencem aos segmentos considerados essenciais, como alimentos e medicamentos e os orientam sobre medidas de higiene e distanciamento social, além de inspecionar os serviços para verificação do cumprimento das recomendações emitidas pelas autoridades sanitárias", consta no  texto.

    Colapso na Saúde

    Nesta sexta-feira (3) a Fundação de Vigilância do Estado do Amazonas confirmou um total de 260 infectados pelo novo coronavírus no Estado. É o maior da Região Norte. As mortes já chegam a sete. Desde o último sábado (27) a transmissão comunitária já acontece no Amazonas. O fenômeno significa que o vírus já circula entre pessoas que não viajaram para fora do Estado. 

    Na mesma live no Facebook onde anunciou os novos casos de Covid-19, o secretário de Saúde do Amazonas, Rodrigo Tobias, disse que um colapso no sistema de saúde do Estado pode acontecer, como reportou o Em Tempo.

    Rodrigo Tobias, secretário de Saúde do AM
    Rodrigo Tobias, secretário de Saúde do AM | Foto: Michel Mello/Secom

     “Nosso sistema de saúde é limitado. Estamos tratando de uma pandemia. Não temos leitos suficientes. O Governo do Estado tem adquirido leitos, respiradores. Temos feito de tudo. Mas o colapso pode acontecer sim, domingo, segunda, não sabemos. Mas se as pessoas não respeitarem as orientações de ficar em casa, o vírus vai se propagar”, enfatizou Tobias, no vídeo. 

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