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    EFEITO COVID-19


    Emplacamentos de veículos caem 73,5% em abril durante a pandemia

    Comercialização de todos os segmentos automotivos acumula retração de 27,13% no primeiro quadrimestre do ano

    Concessionárias buscam reabertura das portas junto aos governo, com a justificativa de que são essenciais | Foto: Arquivo Em Tempo

    Manaus - O volume de emplacamentos de veículos automotores no Brasil sofreu uma queda de 73,57% no mês de abril - pico da pandemia do novo coronavírus (Covid-19) no país -, em relação ao mesmo mês de 2019, de acordo com dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), nesta segunda-feira (4). O levantamento da entidade considera todos os segmentos automotivos.

    Conforme os dados da Fenabrave, entre automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, implementos rodoviários e motocicletas, foram emplacados 89.692 veículos em abril deste ano, contra 339.388 em igual mês de 2019. Se comparado a março de 2020, abril mostrou queda de 64,04% e, na relação do acumulado do quadrimestre (janeiro a abril), o ano de 2020 está 25,17% abaixo do mesmo período do ano passado.

    “Passamos de 1.244.086 unidades, emplacadas no acumulado de 2019, para 930.918 veículos, no mesmo período deste ano. Isso demonstra o resultado da chamada parada súbita de nossa economia, e da inoperância da maior parte das Concessionárias, em decorrência da quarentena, decretada pelos estados, em função do Coronavírus, que determinou o fechamento do comércio na maior parte de nosso País”, avalia o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior.

    A comercialização de automóveis e comerciais leves teve queda de 76,79% entre os meses de abril de 2019/2020, passando de 221.292 unidades, comercializadas, em abril do ano passado, para 51.362 unidades, vendidas em abril de 2020.

    No acumulado do quadrimestre, a retração foi de 27,13%, com 583.905 autos e leves vendidos entre janeiro a abril de 2020, contra 801.280 comercializados em igual período de 2019. “Lamentavelmente, voltamos aos patamares de vendas, registrados há 14 anos, para automóveis e comerciais leves e, para o setor em geral, retornamos aos volumes de 1992, ou seja, voltamos aos resultados de 28 anos atrás”, aponta Assumpção Júnior.

    No caso de caminhões, a retração no acumulado foi de apenas 2 anos, mas, chegou a 26 anos de retrocesso, se forem considerados, apenas, os dados de abril. Para motos, houve retrocesso de 24 anos, em relação aos dados de abril/2020, e de 17 anos, no acumulado do quadrimestre.

    Retorno às atividades

    Ainda sem poder fazer projeções sobre os resultados do Setor, para 2020, em função da falta de previsibilidade do retorno da economia à normalidade, o Presidente da Fenabrave afirma que as Concessionárias de Veículos encontram entraves importantes, para a retomada, ainda que gradativa, dos volumes de antes da crise, iniciada em março deste ano. “Precisamos ter previsibilidade de retorno e liquidez, para sobreviver”, alerta Assumpção Júnior.

    O primeiro entrave, citado por ele, é que, atualmente, há poucos estados onde as concessionárias foram autorizadas, pelo Governo Estadual e Municipal, a voltar a operar 100%, ou seja, com vendas de veículos, além de peças e serviços de manutenção. “Em estados onde a quarentena foi flexibilizada, como em Goiás, por exemplo, a queda do setor foi menor, tanto na comparação entre abril de 2020 e de 2019 (-47,8%), como no acumulado do ano (-6,7%)”, declarou o presidente da Fenabrave.

    Prontos para voltar

    Com isso, o primeiro passo, para o retorno do equilíbrio das 7.300 concessionárias de veículos, existentes no Brasil, na avaliação de Assumpção Júnior, deve ser o imediato retorno às atividades normais. Segundo ele, em todos os ofícios enviados pela Federação, e nas reuniões remotas, entre a Fenabrave e Governos - sejam Federal, Estadual ou Municipal -, o setor está prontos para voltar seguindo, rigorosamente, todos os protocolos de saúde e cuidados sanitários, preconizados pela OMS, Ministério da Saúde e demais Autoridades Sanitárias.

    “Vale ressaltar que as Concessionárias não são locais que provocam aglomerações. Além disso, outro argumento irrefutável refere-se à importância das atividades das Concessionárias, que garantem a mobilidade e manutenção de veículos que são primordiais nessa fase, já que transportam cargas e pessoas, por todo o País”, argumentou Assumpção Júnior.

    Nesse sentido, pleito da entidade, encaminhado ao Governo Federal, incluindo Presidência da República, Ministério da Economia, Infraestrutura e Casa Civil, já foi atendido, pelo recente Decreto número 10.329, que prevê a inclusão das concessionárias de veículos no rol de atividades essenciais: "....atividades de comércio de bens e serviços, incluídas aquelas de alimentação, repouso, limpeza, higiene, comercialização, manutenção e assistência técnica automotivas, de conveniência e congêneres, destinadas a assegurar o transporte e as atividades logísticas de todos os tipos de carga e de pessoas em rodovias e estradas".

    “No entanto, este Decreto não afasta a competência ou a tomada de providências normativas e administrativas pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, em conformidade com a decisão do Supremo Tribunal Federal, de 15 de abril de 2020, segundo a qual, Estados e Municípios têm o poder de estabelecer políticas de saúde, inclusive questões de quarentena e a classificação dos serviços essenciais. Por isso, continuaremos trabalhando para a retomada total das nossas atividades, em todos os estados e municípios do País, sempre observando as cautelas sanitárias necessárias, de forma a possibilitar a sobrevivência do nosso setor”, esclarece o presidente da Fenabrave.

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