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    Turismo em baixa


    Amazonenses ainda com medo de comprar pacotes de férias para 2020

    Agências de turismo registraram 96% de queda e proprietários afirmam que passageiros continuam receosos de viajar

    A procura por pacotes até começaram nas agências, mas a maioria para as férias de 2021 | Foto: MarcioMelo

    Manaus – O amazonense parece ainda não muito animado com possíveis passeios em feriados prolongados, como a semana da pátria, nem com as férias do fim de ano. Mesmo com a retomada gradual do setor aéreo e das atividades comerciais nas cidades turísticas no Sul e no litoral nordestino, a procura por pacotes nas agências de Manaus ainda é baixa e os empresários do segmento, sem sinais de recuperação, andam muito preocupados.   

    Com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) que começou a atingir o país, em março deste ano, o setor do turismo foi um dos mais atingidos na economia brasileira. Diante deste cenário, as agências do segmento sofreram com prejuízos na receita de até 96%, segundo a Associação Brasileira das Agência de Viagens (Abav).

    Segundo a Infraero, um dos exemplos da queda nas viagens pode ser representado pelos dados levantados pela empresa no mês de maio deste ano, quando o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes (AM) registrou, aproximadamente, apenas 509 operações de aviação comercial regular, com 17.061 passageiros. O volume é quatro vezes menor ao mesmo mês do ano passado, quando foram registradas 2.126 operações, com 216.982 passageiros.

    Tio Acram diz que a grande dificuldade é que os países estão fechados para o Brasil
    Tio Acram diz que a grande dificuldade é que os países estão fechados para o Brasil | Foto: Divulgação

    O empresário Acram Isper, da agência Tio Acram, diz que começou a atender as procuras para setembro e fim de ano, no entanto, tudo muito ainda "suave". Segundo ele, a grande dificuldade é o fato de que muitos países estão fechados para o Brasil por conta do quadro da Covid-19, e diante disso, os agentes brasileiros estão sentindo muita dificuldade de fazerem as suas projeções de charters (avião alugado por contrato para fim específico, como o de viagens de turismo).

    "O problema que temos que analisar é o fato de que os países estão fechados para os brasileiros, e por isso nós não conseguimos fazer projeção de charters", explica Tio Acram, especialistas em passeios turísticos para a região do Caribe e Estados Unidos da América. Para ele, em razão da crise do novo coronavírus que o Brasil ainda vive, a recuperação do segmento está muito longe. "Isso (recuperação) é coisa para 2022", estima.

    Para não ficar no vermelho, Acram diz que a sua agência está fazendo reservas e parcelamento com garantia de devolução. “A nossa aposta e grande teste é setembro em Aruba. A Disney vai ser só em julho do ano que vem. Estou financiando em 24 meses. A coisa está meio perdida”, lamenta o empresário

    Com o sentimento de que os viajantes amazonenses vão tentar viajar para lugares mais próximos e mais seguros, ele vai apostar também em pacotes nacionais. “Acho que é a vez o Brasil. Vou apostar nos destinos de praia do Brasil e vou tentar um ônibus para adolescentes no Sul do Brasil, com o mesmo estilo de Disney, com toda segurança, muita cultura e diversão”, afirma.

    Ainda sem lazer

    O gerente da Discovery Viagens, Victor Ferreira, 38 anos, relata que a procura segue insatisfatória mesmo com a reabertura das agências e do comércio. “Os clientes estão buscando por viagens necessárias para destinos específicos e não com a finalidade de lazer. A venda de pacotes turísticos caiu muito”, afirma.

    Gerente da Discovery Viagens, Victor Ferreira
    Gerente da Discovery Viagens, Victor Ferreira | Foto: Divulgação

    Victor afirma que sua empresa está focando na divulgação de vendas nacionais devido ao alto valor do dólar e as diversas fronteiras ainda fechadas. Além disso, ele ressalta que os próprios passageiros amazonenses ainda estão com certo receio ao pensar em ingressar em outros países.

    “O público do Amazonas gosta de praia, então os destinos mais procurados são sempre os do Nordeste. Alguns até estão interessados em aproveitar os feriados para viajar e os preços estão bons para isso, contudo, a finalização da compra ainda não está como esperamos”, avalia o gerente.

    Gerente da Discovery Viagens diz que o público do Amazonas gosta de praia, por isso prefere o Nordeste
    Gerente da Discovery Viagens diz que o público do Amazonas gosta de praia, por isso prefere o Nordeste | Foto: Divulgação

    Medo da Covid-19

    A proprietária de uma franquia da CVC Amazonas, localizada no bairro Dom Pedro, Cristiane Pontes, 39 anos, diz que a baixa procura é justificada pelo medo do novo coronavírus que ainda existe entre os viajantes. “Os consumidores ainda estão retraídos para comprar pacotes de viagens, mas os que nos procuraram, em sua maioria, buscam pelo réveillon nacional. Os destinos mais queridos são sempre para o Nordeste, sendo Fortaleza o número ”, revela.

    Segundo Cristiane, houve uma baixa no preço das viagens e pacotes para incentivar a ocupação dos voos e manter o fluxo de caixa das companhias aéreas. “Algumas seguem com valores altos, mas muitas companhias têm feito promoções para tentar estimular os consumidores”, comenta.

    "Os destinos mais queridos são sempre para o nordeste", diz Cristiane
    "Os destinos mais queridos são sempre para o nordeste", diz Cristiane | Foto: Divulgação

    O dono de uma franquia na agência de viagens AG TECH, Glauber Monteiro, 32 anos, diz que na sua empresa a procura pelos destinos nacionais está voltando aos poucos e já vem apresentando uma melhora considerável no mês de junho, se comparado com os meses anteriores, abril e maio. “Na nossa agência a procura está em, aproximadamente, 100% para destinos nacionais, mas somente para viagens no ano que vem”, comenta.

    Glauber salienta que os preços estão bem atrativos e que as melhores ofertas têm sido para as viagens programadas com maior antecedência. De acordo com ele, o maior fluxo de vendas está sendo para abril e maio de 2021 devido as facilidades de parcelamento no boleto pré-pago, sem burocracias e sem consultas aos órgãos de proteção ao crédito que a sua agência tem ofertado.

    Agências de Manaus apontam que houve uma baixa no preço das viagens aéreas
    Agências de Manaus apontam que houve uma baixa no preço das viagens aéreas | Foto: Divulgação

    Amazonastur

    Durante o debate virtual “Turismo comunitário na Amazônia em tempos de covid-19”, que ocorreu no dia 10 de junho, a presidente da Amazonastur, Roselene Medeiros, previu um retorno das atividades de turismo no Amazonas entre agosto e setembro.

    De acordo com ela, o Governo do Estado realiza atividades para o reposicionamento do turismo amazonense em nível nacional e internacional. “Vamos contratar uma empresa de renome para a criação do plano estadual de turismo, junto com o apoio de lideranças locais e instituições envolvidas com o setor”, diz.

    Em nota, a Infraero esclarece que o serviço aeroportuário tem ocorrido normalmente
    Em nota, a Infraero esclarece que o serviço aeroportuário tem ocorrido normalmente | Foto: Reprodução

    Em nota, a Infraero esclarece que o serviço aeroportuário no Aeroporto Internacional de Manaus e nos demais aeroportos sob administração da empresa tem ocorrido normalmente e a oferta de voos está seguindo a malha aérea definida pelas empresas aéreas e Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

    Segundo a empresa, para informações sobre remarcações e cancelamentos de voos, a orientação é que o passageiro faça contato direto com as empresas aéreas, que passaram a adotar uma nova malha aérea, divulgada pela Anac no final de março. Eles explicam que as companhias aéreas é que estabelecem o fluxo de cancelamentos e alterações na malha.

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