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    Negócio verde


    Com delivery, pequenos agricultores orgânicos driblam crise

    Com pouco apoio, pequenos empreendedores se mostraram verdadeiros guerreiros e conseguiram contornar as dificuldades econômicas na pandemia e têm até aumento nas vendas

    Agricultores relatam dificuldades e como as venceram na pandemia | Foto: Divulgação

    Manaus - Não houve setor que saísse intacto após os efeitos econômicos gerados pela pandemia da Covid-19. Por causa da doença, comerciantes fecharam as portas para evitar aglomeração, dentre eles também produtores rurais, conhecidos por vender alimentos orgânicos. Para evitar maiores prejuízos, esses comerciantes buscaram se reinventar para vencer o momento, em especial com vendas por entrega, dentre outras ideias. 

    Um deles foi Marcos Eduardo Ibiapina Lopes, proprietário da Hidrosol Folhosas, uma empresa que vende hortaliças desde 2011. O agricultor vende verduras, salsa, agrião, manjericão, alface roxa, dentre outras. E assim conta que passou por momentos difíceis durante o pior momento da crise econômica gerada pela pandemia.

    Marcos (à direta) conta que vendia cerca de duas mil plantas semanalmente antes da pandemia
    Marcos (à direta) conta que vendia cerca de duas mil plantas semanalmente antes da pandemia | Foto: Michel Mello/Secom

    "No começo fomos afetados em cheio porque o fechamento do comércio nos pegou de surpresa. As vendas caíram bastante, e logo tivemos a ideia de implantar o formato de entrega à domicílio. Reativamos o site que tínhamos e inserimos a possibilidade de comprar on-line e receber as hortaliças em casa. Isso nos ajudou muito", conta o empreendedor.

    Quanto aos  clientes, Marcos diz que os números foram crescendo no decorrer da recuperação econômica. A recuperação já tem até mesmo alcançado níveis similares aos anteriores à pandemia.

    De todos os produtos, Marcos afirma que a alface-americana é o produto que mais sai nas vendas
    De todos os produtos, Marcos afirma que a alface-americana é o produto que mais sai nas vendas | Foto: Michel Mello/Secom

    "Nesse formato de entrega eu comecei com poucos clientes, mas foi melhorando e agora estamos super bem. Já consigo escoar a produção com isso, o que tem ajudado muito. Eu reabri também pontos de venda presenciais, em especial em feiras de produtos orgânicos em shoppings. Dia de quarta-feira, eu vendo no Ponta Negra Shopping e na semana passada consegui vender mais do que saía normalmente antes da pandemia. Ao invés de levar 600 hortaliças, como comum, levei 800 e vendi praticamente tudo", afirma o agricultor.

    Cuidados na pandemia

    Outro aspecto surgido durante a crise da Covid-19 foi o cuidado com a produção e venda dos produtos orgânicos. Nesse caso, um exemplo de como tudo mudou é contato por dona Walda, como se denomina. Ela é agricultora e tem o empreendimento Cesta Verde. Os produtos são vendidos em duas opções de cestas que são verdadeiros kits saudáveis com diversas raízes, folhas, frutos, temperos e outros. 

    Dona Walda conta que a pandemia fez mudar dois protocolos em todo o processo de vendas das hortaliças. O primeiro deles afetou diretamente a base de tudo, as plantações.

    Dona Walda lembra que comer é um ato político e diz esperar que depois da pandemia as pessoas procurem uma alimentação mais saudável
    Dona Walda lembra que comer é um ato político e diz esperar que depois da pandemia as pessoas procurem uma alimentação mais saudável | Foto: Divulgação

    "Estruturamos um protocolo com uma série de cuidados para que fosse possível manter os trabalhos da horta e a chegada da produção até as pessoas com segurança.  Então, quem trabalha e mora na horta ficou na horta, em isolamento social", explica a agricultora.

    Não foi diferente na ponta do processo, ou seja, as vendas. De acordo com a empreendedora, cuidados com os alimentos já existiam nos protocolos da empresa, mas foram redobrados com a pandemia.

    "Em Manaus, mantivemos com todo o cuidado o sistema de delivery, com procedimentos duplicados de desinfecção de embalagens (as cestinhas plásticas que vem os produtos) e 'etiqueta social' para as entregas (álcool em gel, máscara, não contato físico, distância entre pessoas). Certamente a maior preocupação continua sendo de manter os trabalhos com segurança para todos, mas seguimos com todos os protocolos e não realizamos nenhum relaxamento dos cuidados", garante dona Walda.

    Quanto aos impactos econômicos, com felicidade, ela diz que quase não os sentiu. O motivo, segundo ela, é que seu modelo de venda já adotava o modo de entrega à domicílio. 

    "Tivemos um impacto positivo durante esta pandemia que está ocorrendo, com aumento de mais de 100% nas vendas. Cresceu a procura pelo sistema de assinaturas (principalmente com o serviço de delivery) e chegamos a nossa capacidade de produção para este momento", afirma a vendedora.

    Comércio on-line

    Inúmeros agricultores foram afetados durante a pandemia, e se junta também aos exemplos acima Mario Oiram Fogaça, dono da 'Oiram - Sabores Amazônicos. A empresa que vende geleias e temperos chegou a ter paralisação total de  vendas e lucro, deixando muito prejuízo.

    "Antes da pandemia eu faturava cerca de R$ 150 mil e durante o pior momento do isolamento social, eu zerei as vendas. Agora estou reiniciando por meio da internet, já que resolvi apostar no comércio digital, em especial em plataformas", conta o advogado e administrador.

    Oiram iniciou seu negócio ainda em 1998, quando, à época, vendia bombons recheados com geleias amazônicas
    Oiram iniciou seu negócio ainda em 1998, quando, à época, vendia bombons recheados com geleias amazônicas | Foto: Divulgação

    Oiram diz que passou por momentos difíceis e critica a burocracia para conseguir ajuda governamental. "Eu me descapitalizei [perdeu dinheiro] e não houve apoio dos governos, não fizeram projeto de apoio a microindústria e ficamos sem crédito, sem recursos. Consegui me levantar com as ideias que tive", ressalta o vendedor.

    A recuperação tem sido lenta, mas ele garante que tem visto bom resultado. Oiram aposta agora nas vendas comerciais e diz que nesta semana pode ainda começar as vendas de seus produtos em pelo menos 12 plataformas digitais.

    Oiram vende temperos amazônicos únicos como o famoso arubé, considerado o mais antigo do Brasil
    Oiram vende temperos amazônicos únicos como o famoso arubé, considerado o mais antigo do Brasil | Foto: Divulgação

    "A reabertura começou lenta, não houve reação significativa, muito devagar. Estamos 10% do que tinha e ainda é cedo para avaliar, mas estou acreditando muito na venda através da internet", afirma ele.

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