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    Com a Palavra


    'Nunca estive tão motivado para uma disputa', diz Marcos Rotta

    Ex-deputado estadual e federal, o vice-prefeito busca se articular para conquistar a principal cadeira da Prefeitura de Manaus

    Com relação rachada com o prefeito Arthur Neto, o vice-prefeito diz que não quer o apoio dele para a sua candidatura | Foto: divulgação

    Manaus - Jornalista por formação, o paranaense Marcos Rotta (DEM), 53 anos, é hoje vice-prefeito de Manaus, com uma extensa carreira na política no Amazonas. Ele conta com quatro mandatos como deputado estadual e um como deputado federal pela bancada amazonense. Em meio a um rompimento de relação política com o prefeito, Arthur Neto (PSDB), Rotta agora busca a principal cadeira da Prefeitura de Manaus. Ele afirma que nunca esteve tão motivado e preparado para uma disputa majoritária.

    Herdeiro do programa de TV Exija Seus Direitos inaugurado nos anos 1990 pelo hoje senador Omar Aziz (PSD), Rotta conquistou espaço político no comando do programa, de 1996 a 2017. Durante esse período ele foi eleito pela primeira vez deputado estadual - recebendo 12.552 votos. Depois foi reeleito mais três vezes até virar deputado federal, em 2014. No pleito de 2016, ao compor chapa com o tucano Arthur Neto, se tornou vice-prefeito e ocupou, por 11 meses, o cargo de secretário municipal de Infraestrutura, até a sua aproximação com outro grupo político que nas internas o levou ao afastamento de uma das principais pastas da Prefeitura de Manaus. Leia mais na entrevista exclusiva ao EM TEMPO:

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    Gosto de trabalhar, de estar nas ruas, de conversar com as pessoas; carrego comigo a certeza de que você pode e deve fazer da boa política um instrumento em favor da sociedade. Penso que as pessoas compreenderam isso e, como base, tenho o resultado de minhas votações, graças a Deus e a gentileza da população "

    Marcos Rotta, vice-prefeito e pré-candidato a prefeito, sobre sua trajetória política

    EM TEMPO - O senhor já foi deputado estadual e federal e agora é vice-prefeito de Manaus. O que lhe fez optar por lançar sua pré-candidatura para a Prefeitura?

    Marcos Rotta - Creio que minha disposição em continuar fazendo tudo que está ao meu alcance para retribuir a cidade de Manaus, aos manauaras e aqueles que, iguais a mim, não tiveram o privilégio de nascer aqui. Essa capital é a grande responsável pelas minhas eleições, então a ela todo meu carinho, atenção e eterna gratidão. Tenho consciência de que nunca estive tão motivado e preparado para uma disputa majoritária. Em 2016, era também pré-candidato e meu partido optou por uma composição, que me trouxe algo que sinceramente me faltava: a experiência administrativa. Hoje, conheço a administração, sei dos problemas, como buscar as soluções, mas também sei o que não deve ser continuado.

    EM TEMPO - Como deputado, tanto estadual quanto federal, quais feitos o senhor acredita terem sido os seus maiores pelo Amazonas e pela capital?

    Marcos Rotta - Como deputado estadual, tive o privilégio de presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Telefonia, da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e a Comissão de Defesa do Consumidor, além de realizar dezenas de fiscalizações em restaurantes, supermercados, frigoríficos e vários outros estabelecimentos comerciais, sempre com o objetivo maior de retirar de circulação produtos impróprios ao consumo humano. Alterei, além disso - com a ajuda dos deputados a época - a Constituição do Estado, aumentando as prerrogativas do Poder Legislativo amazonense. Fato que possibilita até hoje um trabalho diferenciado da Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (CDC/Aleam).

    Rotta diz que prefeitura precisa de alguém com o mínimo de conhecimento para fazer  a sua gestão
    Rotta diz que prefeitura precisa de alguém com o mínimo de conhecimento para fazer a sua gestão | Foto: divulgação

    EM TEMPO - O senhor é jornalista e já foi chefe de gabinete da Secretaria de Comunicação do Estado do Amazonas, em 1994. Como o senhor acredita que sua formação e experiência nessa área pode lhe auxiliar na Prefeitura de Manaus?

    Marcos Rotta - Estou convicto de que o que irá me ajudar na administração é minha experiência adquirida no serviço público de uma maneira geral, trabalhando em parceria com vários órgãos importantes, como a imprensa, por exemplo. O que fará a diferença mesmo é o conhecimento, a aprendizagem e maturidade que adquiri nos últimos anos. Mesmo porque a Prefeitura de Manaus não tem como ser gerida por alguém que não tenha o mínimo de conhecimento sobre sua estrutura e funcionamento, sua grandiosidade, seus problemas e desafios. Definitivamente, Manaus não suportaria.

    EM TEMPO - Com sua trajetória na política, quais os setores de Manaus que receberão mais a sua atenção, se eleito prefeito? Quais são os maiores desafios a serem vencidos na capital amazonense?

    Marcos Rotta – O transporte público está sem a devida atenção há muito tempo. Paradas sem as mínimas condições, pessoas expostas ao sol e a chuva, ônibus sucateados, gerenciamento ultrapassado, modelo arcaico, sem conforto algum. Mas, principalmente, uma relação entre empresários e o poder público que eu não tive, não tenho e não terei. A prefeitura precisa rever sua política social e investir mais em quem menos tem. Rever a questão da mobilidade urbana, acessibilidade, devolver ao consumidor o Procon Municipal que foi fechado, rever a Guarda Municipal, colocar para funcionar as creches. Enfim, como disse, são muitos os desafios que irão necessitar do próximo gestor.

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    Nunca tive problema de relacionamento. Nunca. Tenho uma convicção e uma certeza sobre isso. Não partiu de mim qualquer ação para qualquer distanciamento. É só ver o meu histórico e comparar. Sinceramente não espero muita coisa dele, nem em termos de aliança, nem para Manaus. Somos dois desiludidos: eu e Manaus "

    Marcos Rotta, vice-prefeito e pré-candidato a prefeito, sobre a relação com o prefeito Arthur Neto

    EM TEMPO - O senhor é filiado e lançou sua pré-candidatura pelo Democratas (DEM), mas já esteve no Partido Social Democrata Cristão (PSDC), no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e também no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). O que essa trajetória pelos partidos foi capaz de lhe ensinar politicamente?

    Marcos Rotta - Creio que cada um, ao seu modo, me ensinou um pouco e foram importantes na minha trajetória. Por exemplo, se eu não estivesse em um desses partidos, não teria sido vice-líder e muito menos vice-presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara [dos Deputados], algo que muito me honrou e contribuiu bastante para um aprendizado maior. Contudo, acredito que, sem dúvida, o Brasil precisa diminuir a quantidade de partidos.

    EM TEMPO - Após rompimento na relação com prefeito de Manaus, Arthur Neto, nas eleições de 2018, o senhor acredita que, a 80 dias da eleição deste ano, é possível reatar a aliança e ser o candidato do prefeito?

    Marcos Rotta - Nunca tive problema de relacionamento. Nunca. Tenho uma convicção e uma certeza sobre isso. Não partiu de mim qualquer ação para qualquer distanciamento. É só ver o meu histórico e comparar. Sinceramente não espero muita coisa dele, nem em termos de aliança, nem para Manaus. Somos dois desiludidos: eu e Manaus.

    Rotta não, no momento, relação da sua pré-candidatura com o Governo do Estado
    Rotta não, no momento, relação da sua pré-candidatura com o Governo do Estado | Foto: divulgação

    EM TEMPO - O Democratas está sob o comando do ex-deputado federal Pauderney Avelino, que está no governo Wilson Lima (PSC). Nesse cenário, o senhor acredita que pode ter a sua candidatura apoiada pelo atual governador?

    Marcos Rotta - Pauderney é meu amigo. Grande parlamentar com quem convivi dois anos na Câmara dos Deputados. Temos um ótimo entendimento sobre as prioridades e projetos para Manaus. Mas, temos também o entendimento que não podemos misturar as coisas. Mesmo porque, não creio que exista relação com o fato dele estar no Governo e nossa candidatura. Contudo, como homem de diálogo que sempre fui, estarei sempre a disposição de qualquer pessoa ou instituição.

    EM TEMPO - Nas eleições de 2018, o senhor aderiu à campanha do ex-governador Amazonino Mendes (Podemos), além de ter sido oficializado como titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Manaus (SRMM) pelo mesmo. Em aliança, o senhor viria como vice dele nessa eleição?

    Marcos Rotta - Como secretário de Estado da Região Metropolitana, tive a honra de gerenciar, talvez, o maior programa de recapeamento asfáltico do Governo do Estado para Manaus. Foram quase 200 quilômetros de asfalto de qualidade e chegamos a locais nunca visitados pelo poder público. Tenho muito orgulho de ter participado desse programa, pois ele conseguiu levar mais conforto, dignidade e infraestrutura para milhares de pessoas. Com relação a aliança, não discuti nada a respeito.

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    Muitas articulações ainda estão por vir, muitos cenários serão construídos, muitas composições serão feitas e até desfeitas. Então não tenho com o que me preocupar, a não ser promover discussões em alto nível, mantendo sempre a seriedade que me acompanha "

    Marcos Rotta, vice-prefeito e pré-candidato a prefeito, sobre a sua baixa pontuação na última pesquisa

    EM TEMPO - O senhor acredita que existe um cenário propenso para que seja eleito como prefeito, uma vez que em pesquisa feita pela EAS Consultoria Estatística, o senhor aparece somente com 3,7% das intenções de voto?

    Marcos Rotta - Apesar de não conhecer o "EAS", tenho absoluta certeza que pesquisa representa um momento. Muitas articulações ainda estão por vir, muitos cenários serão construídos, muitas composições serão feitas e até desfeitas. Então não tenho com o que me preocupar, a não ser promover discussões em alto nível, mantendo sempre a seriedade que me acompanha, projetando ações exequíveis para a cidade e, sobretudo, mantendo o respeito a Manaus e seus moradores. No mais, vamos em frente e que Deus nos abençoe.

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