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    Linha de Crédito


    Novas linhas não significam crédito fácil para empreendedores do AM

    Sebrae afirma que, dos 6,7 milhões de empreendedores de pequeno porte que tentaram, apenas 1 milhão acessaram o crédito

    Mesmo com novas linhas de crédito abertas pela Caixa, Fecomércio diz que dificuldade ainda é grande
    Mesmo com novas linhas de crédito abertas pela Caixa, Fecomércio diz que dificuldade ainda é grande | Foto: Lucas Silva

    Manaus - A Caixa passou a disponibilizar novas linhas de crédito para capital de giro, com garantia do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), na segunda-feira (24). As novas modalidades foram criadas para auxiliar empresas de pequeno e médio porte frente aos impactos econômicos da pandemia. Contudo, segundo a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio-AM), poucas empresas estão realmente conseguindo obter as linhas.

    Em levantamento feito pelo Sebrae, entre a primeira semana de abril e início de junho, período de conclusão da pesquisa, cerca de 6,7 milhões de Pequenos Negócios buscaram empréstimos em bancos e muitos tiveram o crédito negado ou ainda aguardam resposta das instituições financeiras. Dos 6,7 milhões de empreendedores de pequeno porte que tentaram, apenas 1 milhão efetivamente conseguiu acesso as linhas de crédito.

    Para o presidente da Fecomércio-AM, Aderson Frota, o comércio e o setor de serviços foram os mais atingidos da pandemia. Ele explica que, mesmo com mais de 100 dias parados, as empresas do setor tiveram que continuar gastando com folhas de pagamento para fornecedores e funcionários e alugueis, ou seja, queimando capital de giro.

    Mesmo com mais de 100 dias parados, as empresas continuaram queimando capital de giro
    Mesmo com mais de 100 dias parados, as empresas continuaram queimando capital de giro | Foto: Lucas Silva

    “A partir disso, nós entendemos que a intenção do Governo Federal é mobilizar recursos para que essas empresas não venham a falir. Contudo, ainda existe um excesso de burocracia que impede que os pequenos e microempresários tenham realmente acesso as linhas de crédito disponibilizadas”, salienta o presidente.

    Frota reforça que o governo precisa observar porque muitas empresas ainda estão fechando, tanto no Amazonas, quanto no Brasil. “Se tantas estão fechando é porque muitas não estão conseguindo obter a ajuda necessária do Estado. É importante lembrar que toda vez que uma empresa fecha as portas, ela desemprega uma massa de colaboradores, de trabalhadores. Então, esse aspecto merece uma observação”, afirma.

    Mesmo com o governo acumulando 13 medidas de acesso ao crédito para micro, pequenas, médias e grandes empresas dos setores de indústria, comércio e serviços, a Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea) registrou que, no Amazonas, no período mais crítico da pandemia da Covid-19 - de abril a junho de 2020 - 495 empresas foram extintas. Além disso, uma queda de 24% na criação de empresas foi observada.

    Reconhecendo a dificuldade do momento e do acesso, o próprio presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, já se pronunciou ao dizer que a pandemia expõe a dificuldade do Brasil para garantir crédito a MPMEs. Isso porque muitas das concessões dependem da aprovação dos bancos, que temem assumir riscos.

    Novas linhas são destinadas a empresas com faturamento superior a R$ 360 mil
    Novas linhas são destinadas a empresas com faturamento superior a R$ 360 mil | Foto: (Arquivo/Agência Brasil)

    Novas linhas

    As linhas são destinadas às empresas com faturamento fiscal superior a R$ 360 mil e inferiores a R$ 300 milhões ao ano, considerando a receita bruta apurada em 2019. No caso de grupos econômicos, é considerado o faturamento consolidado do grupo.

    O prazo total da operação é de até 60 meses, sendo que para as pequenas empresas a taxa de juros é a partir de 0,63% ao mês, a depender da garantia ofertada, com prazo de carência de 9 até 12 meses. A taxa de juros para as médias empresas é a partir de 0,53% ao mês.

    Como solicitar

    As pequenas empresas, com faturamento fiscal anual inferior a R$ 30 milhões, podem solicitar o crédito nas agências ou manifestar interesse pelo produto por meio de preenchimento de formulário no site CAIXA Com sua Empresa. Para as médias empresas, com faturamento fiscal anual superior a R$ 30 milhões, o cliente entra em contato diretamente com uma das agências empresariais, para coleta dos documentos e demais tramites de contratação.

    As contratações podem ser realizadas até 31 de dezembro de 2020, podendo ser prorrogadas caso haja alteração legal, ou até a utilização do limite disponibilizado para a CAIXA no Programa, o que ocorrer primeiro. A garantia é limitada a 80% do valor do crédito, mais o aval dos sócios, podendo ser agregadas outras garantias adicionais. As empresas também contarão com a isenção da Taxa de Abertura de Crédito (TAC).

    Limites

    Os empresários poderão solicitar o crédito no valor mínimo de R$ 15 mil até o valor máximo de R$ 10 milhões, considerando a soma das operações contratadas com garantia do FGI para o mesmo CNPJ, sendo o valor da contratação definido conforme a avaliação de crédito do cliente.

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