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    Produção de queijo segue em expansão no Amazonas

    Em todo o Amazonas, são produzidas, por mês, 435 toneladas de queijo

    | Foto: divulgação

    Manaus - A produção de queijo corre em ritmo acelerado no município de Autazes (localizado a 113 quilômetros de Manaus). Pioneira no país na modalidade de queijarias flutuantes, a terra do leite já dispõe de seis fábricas de laticínios, seis queijarias flutuantes e nove queijarias com Serviço de Inspeção Estadual (SIE), outras 14 em processo de obtenção do selo.

    Somente em Autazes, são mais de 70 mil cabeças de gado e, aproximadamente, 1000 criadores. Em todo o Amazonas, são produzidas, por mês, 435 toneladas de queijo.

    Somente em Autazes, são mais de 70 mil cabeças de gado e, aproximadamente, 1000 criadores
    Somente em Autazes, são mais de 70 mil cabeças de gado e, aproximadamente, 1000 criadores | Foto: Divulgação

    Ao todo, 23 fábricas de laticínios possuem o Serviço de Inspeção Estadual, sendo 13 queijarias oriundas da agricultura familiar, distribuídas nos municípios de Parintins, Careiro da Várzea, Distrito de Novo Céu e Autazes. O setor primário já representa 8% da economia no Amazonas. Isso compreende toda a economia gerada pela agricultura, pecuária, extrativismo e pesca.

     O setor primário já representa 8% da economia no Amazonas
    O setor primário já representa 8% da economia no Amazonas | Foto: Divulgação

    Na laticínios AmazonLact, situada em Autazes, 20 colaboradores estão envolvidos na produção de queijo tipo Coalho Especial, Coalho de Búfala, Coalho Bovino, Minas Frescal Búfala, Minas Frescal Bovino, Ricota Fresca de Búfala, Mussarela de Búfala e Mussarela Trançado e o Queijo de Manteiga Artesanal, além de manteigas, doce de leite, coalhada e iogurte. Luciano Braga, diretor administrativo, , destaca o impacto da produção na renda das famílias envolvidas.

    “Possuímos uma bacia leiteira com capacidade de 10 mil litros por dia, na média do ano, o nosso laticínio está absorvendo apenas 20% desse total. Mesmo assim, temos hoje uma compra de leite in natura de 10 produtores rurais, gerando emprego e renda a várias famílias da região. Só a nossa indústria emprega 20 colaboradores e contribui indiretamente com muitos outros”, revela Luciano.

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    A produção na fábrica, que gira em torno de 100kg de queijo por dia, já é industrializada e possui o SIE; e as vendas, por enquanto, ocorrem somente dentro do Estado, com produtos disponíveis nos supermercados de Manaus, Autazes, Itacoatiara, Parintins, Tefé , Coari, Manacapuru e Tabatinga. O quilo do queijo coalho é comercializado a R$ 28, mas chega às prateleiras no valor aproximado de R$ 42.

    Famosa pela resistência dos índios Mura ao sistema colonizador português no século XVIII, Autazes também reúne outras histórias de superação. Há 15 anos, vitimado por uma doença em último estágio, o senhor Odemar Souza não viveu a doença, mas celebrou a vida. Isolado em uma fazenda, às margens do rio Mamori, o empreendedor rural construiu sua trajetória de sucesso, partindo de uma produção artesanal para a construção de uma fábrica de laticínios, a Autalac, que, hoje, gera emprego e renda diretamente a 34 famílias e indiretamente a mais 62 fornecedores. Ellen Leda Souza, filha do proprietário, conta como tudo iniciou.

    “Há 15 anos, meu pai se isolou na fazenda. Via as pessoas passarem nas embarcações levando os queijos e resolveu fazer uma coisa diferente. Foi uma forma de não pensar na doença. Seguiu o tratamento, saiu do interior, veio para a estrada, montou uma fábrica. Em 2009, com a enchente, a fábrica foi para o fundo e ele ocupou um espaço no comércio em Autazes. Houve incentivos e ele legalizou com SIE, em 2011. A fábrica ganhou mercado com produto de qualidade, mas se tornou pequena. Há seis anos, construiu uma ainda maior. Em 2018, ele falou ‘Ellen, você nunca vai conseguir encher esse espaço que construí’. Há 15 dias, ele estava pensativo. Perguntei o que houve e ele respondeu que estava procurando um espaço para colocar os novos equipamentos, resultado do crescimento em dois anos”, relatou emocionada.

    Ellen nos conta que o trabalho começa cedo, às 5h da manhã, quando a primeira turma já sai para coletar o leite nas fazendas, e retorna às 9h. Hoje, por conta da pandemia, a fábrica trabalha com aproximadamente 2 mil litros de leite, mas tem capacidade para 10 mil. Produz 300 kg por dia, dependendo do produto que varia entre queijo, requeijão, manteiga e iogurte, maioria derivados de leite de búfala. E toda produção ainda é destinada somente ao mercado de Manaus, ela explica o porquê. 

    “O Amazonas faz parte da zona vermelha, livre de febre aftosa com vacinação. No dia que for livre de febre aftosa sem vacinação, vamos dar um grande salto para exportação. A fábrica está toda adequada para o SIF, Selo Federal. Tudo o que o dono recebe investe na própria empresa, na qualidade de vida dos funcionários, na cidade, gerando grande impacto na economia do município”, relatou.

    Em todo o Amazonas, são produzidas, por mês, 435 toneladas de queijo
    Em todo o Amazonas, são produzidas, por mês, 435 toneladas de queijo | Foto: Divulgação

    Muni Lourenço, presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), destaca o crescimento da atividade e o impacto para a economia do Amazonas. “A expectativa é que essa trajetória de incremento persista. É um segmento que vem crescendo no campo, com investimentos dos pecuaristas em melhoramento genético do rebanho e aprimoramento da estrutura produtiva. O resultado é que os lácteos produzidos hoje no Amazonas estão cada vez mais presentes nas gôndolas dos supermercados do Estado. E isso é relevante porque é sinônimo de interiorização da nossa economia e geração de emprego e renda no campo.

    A Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas (Adaf) é responsável pela promoção da saúde animal e vegetal e pela inspeção dos produtos de origem animal que estão sob o Serviço de Inspeção Estadual do Estado do Amazonas, que concede ao produtor a certificação sanitária do estabelecimento, viabilizando a comercialização de produtos. Esclarece que a fiscalização ocorre em caráter periódico por equipe determinada pela agência, seguindo um cronograma estabelecido de acordo com o cálculo do Risco Estimado Associado ao estabelecimento, considerando vários aspectos.

    Queijarias flutuantes

    Pioneira, neste segmento, no país, a primeira queijaria foi inaugurada em 2015, em Autazes
    Pioneira, neste segmento, no país, a primeira queijaria foi inaugurada em 2015, em Autazes | Foto: Divulgação

    Nem mesmo o ciclo das águas consegue interromper a produção do queijo. Modalidade que garante emprego e renda com produto de base familiar, o ano todo, as queijarias do tipo flutuantes se adaptam ao bioma amazônico e garantem a fabricação tanto na época da cheia, quanto da estiagem. Pioneira, neste segmento, no país, a primeira queijaria foi inaugurada em 2015, em Autazes. Hoje, no Estado, há oito estabelecimentos que possuem o SIE.

    É vencendo as forças das águas do Solimões que o senhor Honório Gomes, proprietário da Queijaria Divino Sabor, que fica no Careiro da Várzea, conta a sua história. “A queijaria é artesanal, familiar. Eu coloquei uma boia de alumínio bem no meio para flutuar melhor. Trabalham quatro pessoas, mas ao todo são nove funcionários envolvidos na ordenha do leite, no campo, no atendimento. Já certificada com o Selo de Inspeção Estadual, a produção é manual e chega a 500 litros de leite e 68 quilos de queijo coalho por dia, que é comercializado a R$ 25,00 o quilo, garantindo indiretamente a sobrevivência de muitas famílias com emprego e renda”.

    Queijarias do tipo flutuantes se adaptam ao bioma amazônico
    Queijarias do tipo flutuantes se adaptam ao bioma amazônico | Foto: Divulgação

    Escoamento da produção

    No Amazonas, os rios são estradas. Luciano Braga lamenta o transporte apenas por via fluvial. “Produzimos, em média, 100 kg de queijo por dia, 3000kg no mês, e 36000kg no ano, e em torno de 5 toneladas de manteiga ao ano. Além do próprio iogurte com a coalhada que também agregam muito a nossa indústria. Temos dificuldades por não ter estradas, e termos que transportar nossos produtos por barcos. Aproximadamente cinco comunidades dependem de um ramal. Ajudaria a alavancar nossa produção e iria promover melhorias em emprego e renda”.

    Segundo Muni Lourenço, Além de Autazes, também Careiro da Várzea, Apuí, Manicoré, Presidente Figueiredo, Parintins, entre outros representam uma cadeia produtiva rural que envolve milhares de empregos ao longo de todo segmento até o beneficiamento, transporte e comercialização, gerando impacto direto na economia do Amazonas.

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