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    Imóveis


    Mesmo com inflação de 20,56%, valor do aluguel não aumentou em Manaus

    Profissionais do mercado imobiliário em locação revelam preço do aluguel estável e aumento na demanda

    Segundo presidente do Creci, a demanda em Manaus não parou | Foto: Ione Moreno

     Manaus - Apesar do Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) apresentar inflação de 18,20% no valor do aluguel no Brasil, nos últimos doze meses e prever, em outubro, que esse percentual suba para 20,56%, o preço do aluguel em Manaus não aumentou, segundo profissionais do mercado imobiliário.

    Além da estabilidade no valor, especialistas em locação na capital amazonense revelam um aumento na demanda em pontos comerciais e residenciais.

    O empresário Luiz Alberto de Oliveira aluga um ponto comercial há um ano e meio para atender clientes em sua barbearia, em Manaus. Ele tem um contrato de locação de três anos. Assim como outros estabelecimentos no pico da pandemia, Oliveira precisou fechar seu empreendimento, porém, não saiu no prejuízo.

    “O meu aluguel não aumentou, mas tive dificuldade em pagar o valor na pandemia porque tive que fechar o estabelecimento e os atendimentos reduziram em 50%. Como aluguei com o proprietário, ele decidiu me cobrar apenas a metade do preço. Não cheguei a atrasar o pagamento por conta dessa ajuda que recebi dele”, declara o empresário.

    Como Oliveira, o agente de saneamento Josué Benevides também não teve reajuste em seu aluguel residencial. Ele mora na Zona Leste, em Manaus, há onze meses e não sentiu dificuldades em quitar o valor da locação por se manter o mesmo.

    Em sua casa, moram quatro pessoas e só ele está empregado, no entanto, não atrasou o pagamento mensal.

    Locatário x locador

    A estabilidade no valor do aluguel auxiliou tanto quem depende desse meio para morar como para quem trabalha como locador. Como é o caso do autônomo Gibran Rezala.

    Ele aluga apartamentos há quase dez anos e não aumentou o valor da locação precisamente pela crise.

    “Meus contratos tem a duração de 12 meses e, com a pandemia, um ou outro atrasou um pouco, mas todos me pagaram. Há pouco mais de um mês, aluguei o único que estava desocupado. Fiquei surpreso com o aumento da demanda, pois, além da época boa para alugar ser em dezembro, março e abril, estamos presenciando uma crise”, observa Rezala.

    A consultora de imóveis Maria Alves também ficou surpresa com o crescimento na procura. Maria atua no ramo há dez anos com aluguéis em condomínios residenciais e, atualmente, os clientes fazem fila para conseguir locar uma casa ou um apartamento, mas ela revela que algumas casas que aluga sofreram reajuste.

    “Em todos esses anos de trabalho, nunca vi uma procura tão grande de imóveis para locar. No condomínio onde moro, por exemplo, não tenho nenhum imóvel para locar, aliás tenho fila de espera. Antes da pandemia, conversei com o gerente da imobiliária que trabalho dizendo que a crise poderia afetar tanto a ponto de os clientes entregarem os imóveis ou até atrasarem o pagamento. Mas nenhuma das alternativas aconteceu. Em algumas casas, o valor aumentou”, ressalta a consultora.

    Análise do aumento na procura

    Segundo o presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis dos Estados do Amazonas e Roraima (Creci), Paulo Carvalho, o mercado imobiliário de Manaus sobre locação não parou.

    “Há uma procura grande nos imóveis comerciais e residenciais. Tenho experiência de clientes procurando galpões, fábricas, e também de outros que querem morar em uma casa mais confortável", diz Carvalho.

    Sobre valores desse segmento, Carvalho explica que o índice aplicado é do IGP-M, mas hoje o proprietário procura conversar com o cliente. Como responsável pelo Creci e corretor, esse é o conselho que dá aos locadores. Com esse diálogo e combinação entre as partes, o valor se mantém o mesmo.

    O presidente do Creci ainda diz que outro motivo desse resultado, já na busca por apartamentos, é justamente pelos clientes desejarem morar em lugares mais próximos do trabalho e da faculdade, para quem estuda.  

    “Na quarentena, os clientes perceberam que tinham uma necessidade de ter um imóvel maior. O cliente quer morar próximo do colégio dos filhos ou o jovem perto da faculdade e do trabalho. Então, com o vencimento do contrato, as pessoas decidiram se mudar para facilitar o dia a dia”, finaliza o presidente.

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