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    Natal


    No AM, microempreendedores aproveitam o Natal para driblar a crise

    Com a produção de doces típicos e artefatos natalinos, pequenos empreendedores estão na expectativa para as vendas de Natal

     

    Diante das perdas ocasionadas pela pandemia, pequenos negócios buscam aproveitar datas comemorativas para recuperar os prejuízos
    Diante das perdas ocasionadas pela pandemia, pequenos negócios buscam aproveitar datas comemorativas para recuperar os prejuízos | Foto: Reprodução

    Manaus – Às vésperas das festividades de fim de ano, em especial o Natal, microempreendedores se organizam e aproveitam para recuperar os prejuízos deixados pela pandemia. Com a fabricação caseira de doces típicos, como panetones e sobremesas, donos de pequenos negócios em Manaus acreditam que um aumento nas vendas será observado. Especialista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae-AM) traz dicas de como conquistar clientes nessa época do ano.

    Waldinelha Francilane dos Santos é uma das manauras que, para driblar o desemprego, começou a vender bolos no pote, empadas, pastéis suíços e pães recheados. Ela conta com cinco pessoas no trabalho de confeitaria e panificação, em um negócio familiar. No início da pandemia, os pedidos eram em grande proporção, mais do que a equipe estava acostumada receber, porém, as vendas começaram a cair.

    Com criatividade, a microempreendedora tem procurado inovar para reverter o quadro de perdas. “Fazemos produtos o ano todo, mas, nas datas comemorativas, estamos sempre inovando. As redes sociais foram a nossa melhor estratégia para conseguir manter as vendas nesse período. Adotamos algumas táticas para fazer com que o cliente conseguisse chegar até nós e nós até eles”, afirma.

    Apesar de ter o negócio há um ano e meio, a proprietária da Nelinha Sabores abriu um ponto físico em julho deste ano
    Apesar de ter o negócio há um ano e meio, a proprietária da Nelinha Sabores abriu um ponto físico em julho deste ano | Foto: Divulgação/Karla Vieira

    Para se adaptar à época, a Nelinha Sabores está preparando cestas natalinas de café da manhã, tortas da felicidade e panetones. Neste ano, a microempresa fez uma parceria com um outro ateliê para vender panetones, produzidos por ele. Em julho deste ano, a proprietária abriu um ponto físico, dentro de uma academia, e tem obedecido às regras sanitárias para conseguir se manter funcionando.

    O negócio familiar existe há um ano e meio e segue com esperança de bons resultados com as festas natalinas. “As expectativas são as melhores possíveis! Desejo que as vendas aumentem para conseguir lucrar e arcar com todo esse prejuízo que ficou ao longo desses meses de pandemia. Que esse Natal seja bom, não só para nós, mas para todos os microempreendedores. Que possamos ter mais incentivos para conseguir dar continuidade ao sonho de empreender”, almeja Waldinelha.

    As cestas de Natal são uma das estratégias adotadas pela Waldinelha para vender nessa época
    As cestas de Natal são uma das estratégias adotadas pela Waldinelha para vender nessa época | Foto: Divulgação/Karla Vieira

    Outra forma de lucrar nesse período de festas é por meio de artefatos natalinos. Foi assim que, usando seu talento artístico, Amanda Delgado criou, há um ano, a microempresa Artes Mariana, especializada em confecção e montagem de produtos. A proprietária aproveita as datas comemorativas - como a Páscoa, o Dia das Mães e o Natal - para potencializar as vendas.

    Amanda conta que os negócios foram severamente afetados pela pandemia e que a maioria dos clientes não tinha renda para arcar com gastos extras. “Nós vendemos canecas personalizadas e caixas artesanais para essas comemorações. Sem dinheiro extra, os consumidores não conseguiram chegar até nós para comprar", diz.

    Diante dessa realidade complicada, a Artes Mariana contou com a ajuda da família e dos amigos para se manter, com divulgação boca a boca e pelas redes sociais. Amanda afirma que essas foram as ferramentas adotadas para lidar com a crise. No Instagram, por exemplo, ela fez sorteios com os parceiros para se fazer ainda mais conhecida.

    Com o trabalho dela e de mais duas pessoas, que auxiliam na montagem das caixas e nas artes, a proprietária acredita ter um bom retorno nas próximas semanas. “Esperamos que tudo dê certo. O Natal sempre foi uma época mais movimentada, então, esperamos um bom resultado. Esse ano vamos oferecer as canecas personalizadas que, acreditamos, ser algo que terá saída com mais facilidade”, alega Amanda.

    A Artes Mariana aproveita todas as datas do ano para faturar com canecas personalizadas e caixas artesanais
    A Artes Mariana aproveita todas as datas do ano para faturar com canecas personalizadas e caixas artesanais | Foto: Divulgação/Amanda Delgado

    Para quem tem paixão pelo empreendedorismo, mesmo com uma pausa, o segredo é sempre continuar. Pelo menos foi assim com a proprietária do Coisinhas da Edilene. Especializada em acessórios para meninas, Edilene Vieira produz, há um ano, laços que combinam com uniformes, festas junina e datas especiais.

    Com a confecção de itens para meninas durante o ano, ela aprendeu a costurar máscaras durante a pandemia. “Sempre fui empreendedora. Com a pandemia, não trabalhei com laços, fiquei meio perdida no início sem saber o que fazer, simplesmente não consegui dar continuidade ao meu trabalho. Aproveitei para colocar a casa em ordem e cuidar dos meus pais idosos”, revela a microempresária. 

    Apesar de ter que diminuir o ritmo para cuidar da família, com risco de contágio, ela quer aproveitar o fim de ano para recuperar as perdas, com a fabricação de tiaras e laços de cabelos para recém-nascidos. “Vou recomeçar com muita novidade nas Coisinhas da Edilene e futuramente ampliar para outros segmentos da costura”, prevê Edilene. 

    Consequências e resultados

    Segundo a economista e gerente de gestão estratégica do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae), Socorro Corrêa, a pandemia atingiu os pequenos negócios locais de quatro formas.

    A primeira foi evidenciada na inclinação acentuada nas vendas, especialmente entre os meses de abril a junho. “Essa queda foi pior para as atividades de serviço. Depois tivemos a paralisação temporária do negócio, que não deixou de gerar os custos do aluguel e muitos optaram por fechar o estabelecimento físico, apesar de continuar com as vendas”, resume duas das consequências.

    Corrêa afirma que a demissão de funcionários formais e informais em decorrência do declínio no faturamento por período prolongado resumiu o terceiro efeito. Por último, a falta de materiais e produtos, em seus fornecedores, ou a elevação do preço foi mais um efeito negativo da crise pandêmica para os pequenos negócios.

    De acordo com a economista, essa é a última oportunidade para os pequenos empreendedores venderem seus produtos neste ano e ainda oferece dicas para guinar os negócios neste período.

    Economista sugere que os donos de pequenos negócios invistam também na parte externa do que está sendo oferecido
    Economista sugere que os donos de pequenos negócios invistam também na parte externa do que está sendo oferecido | Foto: Divulgação/Karla Vieira

    “O Natal traz, independente do apelo comercial, um sentimento de celebração, de partilha, de agradecimento e de bons sentimentos. Dar presentes acaba sendo uma forma de demonstrar amor e gratidão.  Logo, os empreendedores devem se apropriar desse momento usando toda a criatividade para atrair a atenção dos clientes. Para o sucesso, é fundamentar investir em mídias digitais, ter bons produtos, vender no cartão, além de oferecer um bom preço”, orienta Socorro. 

    A gerente de gestão sugere ainda que os donos de pequenos negócios invistam também na parte externa do que está sendo oferecido, onde o cliente terá o primeiro impacto. “Outra dica é a apresentação dos produtos, visto que muitos serão para presentes. As pessoas têm um valor a gastar com presentes, importante que os produtos sejam acessíveis”, finaliza.

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