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    Reconhecimento


    Amazonas é o terceiro maior produtor de abacaxi na região Norte

    Além de receber o terceiro lugar no Norte, a produção em Itacoatiara ganhou a sétima colocação nacional com 89 milhões de frutos e um faturamento de R$ 133,5 milhões

    O cultivo de abacaxi no Amazonas contribuiu com 4,47% da produção nacional, segundo o IBGE
    O cultivo de abacaxi no Amazonas contribuiu com 4,47% da produção nacional, segundo o IBGE | Foto: Arthur Castro/Secom

    Manaus –  Forte na agricultura do Amazonas, a produção de abacaxi, com seu plantio e manejo, tem sido reconhecida nacionalmente. O município de Itacoatiara, por exemplo, a 268 quilômetros de Manaus, ficou em terceiro lugar como maior produtor da região Norte do Brasil e obteve o sétimo posto nacional em 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Representantes do setor consideram a produção relevante para movimentar a economia do Estado, principalmente em meio à pandemia.

    De acordo com os dados do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), de janeiro a setembro de 2020, mesmo com as dificuldades em virtude da pandemia de Covid-19, a estimativa de produção do abacaxi foi de 89 milhões de frutos, que correspondem a um faturamento de aproximadamente R$ 133,5 milhões. Em 2019, a estimativa de produção foi de 94,3 milhões, com um faturamento aproximado de R$ 141,4 milhões.

    Para obter esses resultados, de acordo com o Idam, 4 mil produtores familiares são os responsáveis pelo plantio nos municípios do Amazonas, como Careiro da Várzea e Novo Remanso, em Itacoatiara, contribuindo com 79% da produção. Um deles é o produtor Ricardson Procópio, 35, que cultiva o fruto há 20 anos.

    Com seis hectares, ele aprendeu todos os processos do cultivo do abacaxi com a mãe e os tios desde os 15 anos e hoje já é dono de sua produção. Procópio conta com seis homens para o plantio e colheita dos    quilos produzidos por ano. “Sinto-me muito feliz pelo nosso abacaxi ter recebido esse selo. Esse reconhecimento veio agora, mas já levamos há bastante tempo o produto para o povo do Amazonas”, revela o produtor de Novo Remanso.

    Assim como Procópio, o produtor Marcos Antônio da Silva, 50, aprendeu a função na juventude. Dono da própria plantação, ele cultiva de 30 a 40 mil abacaxis por ano. Apesar de considerar seu plantio pequeno em Novo Remanso, Silva é sócio do irmão, que produz de 300 a 400 mil frutos por ano.

    Ao receber a terceira colocação de produção no Norte do Brasil, o Amazonas participa com 14,22% da produção do fruto
    Ao receber a terceira colocação de produção no Norte do Brasil, o Amazonas participa com 14,22% da produção do fruto | Foto: Divulgação/Encarem

    Prestígio

    Conhecido pelo sabor doce e leve acidez, o abacaxi de Novo Remanso, distrito de Itacoatiara, recebeu - em junho deste ano - o selo de Indicação Geográfica (IG), na categoria Indicação de Procedência (IP), do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). O IP indica quando a qualidade de um fruto passa a apresentar um diferencial no mercado, ao ponto de ser reconhecido em todo o país.

    Ainda neste ano, em novembro, sancionada pelo Governo do Amazonas, a produção de abacaxi em Novo Remanso foi considerada Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas, por meio da Lei nº 5.306.

    Segundo a assessoria do Idam, o diferencial do sabor do abacaxi colabora para o reconhecimento. “Trata-se de um fruto muito doce devido sua baixa acidez, o que diferencia dos demais frutos, e de outras variedades cultivadas no restante do país. A IG foi concedida em nome da Associação dos Produtores de Abacaxi da Região de Novo Remanso (Encarem) ”, declara.

    Para o presidente da Associação Comunitária Agrícola São Francisco do Caramuri (ACASFC), área rural de Manaus, e também diretor presidente da Associação de Produtores de Abacaxi da Região de Novo Remanso (Encarem), Daniel Leandro da Silva, esse valor que o fruto tem recebido é consequência de anos de dedicação dos produtores, somado a estrutura dos órgãos que regulam, colaboram com a produção, gerando possibilidades futuras.  

    “Receber a indicação de procedência do abacaxi, nos dá a oportunidades de vislumbrar um leque de possibilidades, entre eles, saber que o nosso produto está garantido por lei. Tudo isso vai agregando à nossa produção valor, reconhecimento, viabilidade de mercado, um olhar mais preciso do Estado para a política no âmbito do setor primário. O agricultor também saiu da visão de monocultura para a policultura, possibilitando maior oportunidade de geração de renda”, revela.

    Desafios para exportação

    Apesar do prestígio, a maior dificuldade para a exportação é a durabilidade do abacaxi. “Esse quesito é um desafio muito grande, porque queremos exportar o fruto, para a Europa, Ásia, África, América do Norte, mas precisamos vencer o prazo de prateleira. Outro empecilho é a conquista de mercado. Precisamos de apoio do poder público e privado para a absorção desse produto com o selo. Hoje conseguimos exportar para Roraima, mas sempre preocupado com o tempo até chegar ao cliente final”, considera Silva.

    A durabilidade do fruto ainda é um empecilho para a exportação
    A durabilidade do fruto ainda é um empecilho para a exportação | Foto: Ione Moreno/Arquivo

    Segundo o economista Origenes Martins, do ponto de vista econômico, o aumento na produção de abacaxi no Amazonas, com todo o reconhecimento, é positivo. Sendo ainda mais uma opção de geração de renda e emprego. “Quando analisado do ponto de vista macroeconômico, a intervenção de empresas de desenvolvimento do porte do Idam, vem para mostrar que a tecnologia e o estudo das condições geológicas da nossa região são fundamentais para se desenvolver muitos tipos de culturas por aqui”, declara.

    Apesar do reconhecimento, o economista considera que tecnicas e insumos adequados ainda estão em falta para que possa existir um aproveitamento de todos os recursos naturais provenientes da Amazônia. "Precisamos conhecer e aproveitar tudo aquilo que nossa região tem a oferecer, levando além das fronteiras também do Estado", finaliza.

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