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    Indústria


    Superando o resultado de 2019, Zona Franca fatura R$ 95,49 bilhões

    Apesar do resultado positivo, representantes do setor encontram dificuldades em delinear como será o ano de 2021 para o PIM, principalmente por conta da reforma tributária

     

    Os bens de informática do Polo Eletroeletrônico cresceram 25,87% em relação ao mesmo período de 2019
    Os bens de informática do Polo Eletroeletrônico cresceram 25,87% em relação ao mesmo período de 2019 | Foto: Alberto César Araújo

    Manaus – Apesar do ano caótico nos aspectos econômicos e sanitários, a Zona Franca de Manaus (ZFM) conseguiu superar os resultados do ano passado. De janeiro a outubro deste ano, a ZFM faturou R$ 95,49 bilhões, enquanto no mesmo período de 2019, o resultado foi R$ 87,04 bilhões, segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Representantes do setor industrial do Amazonas e do Polo Industrial de Manaus (PIM) fazem projeções para 2021, contudo, a demora da vacina contra a Covid-19 e a reforma tributária geram incertezas.  

    Em dólar, o faturamento deste ano somou US$ 18.24 bilhões, contra US$ 22.21 no mesmo período de 2019. Neste ano, o resultado representa um aumento de 9,71% em relação ao mesmo período de 2019.

    Segundo o superintendente da Suframa, Algacir Polsin, o resultado foi além do esperado, considerando a crise gerada pela pandemia, que trouxe um impacto para o segmento industrial em todo o mundo, com a falta de insumos, contêineres e matéria-prima para a fabricação de produtos. “A Suframa continuará a focar na busca por melhores condições de negócios e na atração de novos investimentos para a região”, comprometeu-se para 2021.

    Baseado nos resultados das indústrias em 2020, o presidente da Fieam, Antônio Silva, afirma que as projeções do novo ano dependem do controle da pandemia e da reforma tributária e administrativa. “Qualquer projeção que se faça, encontra nesses variáveis obstáculos enormes para uma previsão de razoabilidade aceitável. Caso houvesse uma probabilidade concreta de que o início de vacinação se daria num prazo máximo de 60 dias, talvez pudéssemos prever algo com maior possibilidade de acerto, dada as consequências das dificuldades até então enfrentadas”, revela.

     

    O segmento de eletroeletrônicos mostrou resultado de R$ 24,58 bilhões e desenvolvimento de 5,86%
    O segmento de eletroeletrônicos mostrou resultado de R$ 24,58 bilhões e desenvolvimento de 5,86% | Foto: Dhyeizo Lemos

    Semelhante pensamento sobre a incerteza do futuro tem o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, que avalia a insegurança da reforma como um obstáculo para avançar com novos parceiros para a ZFM. “A reforma tributária, que deve ter a discussão intensificada no primeiro semestre de 2021, o que é um grande risco, e traz incerteza aos investidores, atrapalha o avanço com os investidores. A estabilidade política e a segurança jurídica, atrelada a essa reforma, também somam para essa conta. Precisamos estar atentos a esses fatos que podem colocar mais pedra no nosso caminho”, ressalta.

    Apesar do primeiro semestre ter apresentado resultados desastrosos, Périco valoriza os ganhos e os acertos do segundo. “Neste ano, lidamos com o imponderável. Mesmo assim, o segundo semestre foi de aquecimento, inclusive com geração de empregos no Distrito Industrial por conta do auxílio emergencial”, pontua.

    Melhores resultados no PIM

    Os resultados favoráveis na ZFM foram puxados, principalmente, pelos segmentos eletroeletrônico, metalúrgico, termoplástico e mecânico, que apresentaram um percentual de crescimento positivo nos dez meses deste ano, conforme informa o levantamento da Suframa por meio da assessoria.

    Os bens de informática do Polo Eletroeletrônico tiveram o faturamento de R$ 25,08 bilhões e crescimento de 25,87%. O eletroeletrônico mostrou o resultado de R$ 24,58 bilhões e desenvolvimento de 5,86%. No metalúrgico, o setor se apresentou com o lucro de R$ 7,84 bilhões e ascensão de 16,94%. Já o termoplástico, o faturamento foi de R$ 6,05 bilhões, com o crescimento de 6,99%, enquanto o mecânico, se apresentou com o ganho de R$ 5,92 bilhões e avanço de 18,15%.

     

    "Nosso desejo é que 2021 represente a arrancada da economia do Brasil e consequentemente da ZFM", espera o presidente da Fieam
    "Nosso desejo é que 2021 represente a arrancada da economia do Brasil e consequentemente da ZFM", espera o presidente da Fieam | Foto: Diego Janatã

    Como um dos representantes do segmento, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), José Jorge Nascimento Júnior, espera que o ano de 2021 tenha resultados semelhantes ou ainda melhores com o quarto trimestre, pois no primeiro semestre o setor apresentou estagnação de 80%.

    Com a recuperação no segundo semestre, diminuindo o prejuízo dos primeiros seis meses do ano, ele faz uma previsão positiva para o ano que vem. “O setor de eletroeletrônicos é um dos segmentos que teve um resultado positivo no Polo Industrial. Estamos bem esperançosos e a expectativa é de dar continuidade, principalmente na produção de televisores e ar-condicionado. No Brasil, esses produtos são todos fabricados no PIM”, enfatiza Júnior.

    Produtos mais fabricados

    No Distrito Industrial, tablets, microcomputadores portáteis, artigos para atividades físicas, e barbeadores foram os itens mais fabricados, respondendo a demanda dos fornecedores.

    No total, 733.975 tablets, com um crescimento de 131,67%, 500.760 unidades de microcomputadores portáteis, com o resultado de 73,55%, (disco digital a laser gravado com 6.314.488 unidades produzidas, com 72,27% de lucro), artigos e equipamentos para a cultura física, tais como esteiras e bicicletas ergométricas, com 67.619 unidades e o crescimento de 32,69%, e 1.493.904 unidades de aparelhos de barbear, totalizando 14,99% de lucro, foram os campeões.

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