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    Construção civil


    Acima da média nacional, setor de construção civil cresce 10,82% no AM

    Com o balanço de 2020 no Amazonas, segmento fechou o ano em alta de 10,82%, 0,66 pontos percentuais a mais que o resultado nacional, de 10,16%

     

    Neste mês de janeiro, as construtoras continuam ativas, porém, seguem com os horários de restrições do toque de recolher, das 19h às 6h
    Neste mês de janeiro, as construtoras continuam ativas, porém, seguem com os horários de restrições do toque de recolher, das 19h às 6h | Foto: Divulgação

    Manaus – Mesmo com os efeitos negativos da pandemia, o resultado do setor de construção civil superou a média nacional. Com o balanço de 2020, o segmento fechou em alta de 10,82%, deixando a média para trás, de 10,16%, segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatísticas (IBGE). Representante do setor e engenheiros civis alegam que esse saldo positivo foi possível por conta da demanda de donos de imóveis, que quiseram melhorar o ambiente de casa, adaptando ao home office.

    Ainda conforme os dados do levantamento do IBGE, baseado no Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), se comparado o resultado de 2020, de 10,82%, com o de 2019, de 5,61%, o setor no Amazonas teve um crescimento de 5,21 pontos percentuais.

    Segundo o engenheiro civil, Bruno Silva, neste momento de segundo pico da pandemia, o cuidado tem sido redobrado com as medidas de segurança na empresa em que atua, mas as obras continuam. Ele confirma que o setor está em ascensão e que irá apresentar melhores resultados ainda no primeiro semestre de 2021.

    “Eu atuei diretamente em construções de residências durante a pandemia. No primeiro semestre de 2020, houve uma redução no volume de obras, mas continuamos trabalhando. Já no segundo semestre, tivemos contratação de novas obras. Apesar de 2021 ter começado com uma certa retração, devido ao aumento dos casos da Covid-19 no estado, acredito que a partir do segundo trimestre do ano ocorra uma retomada de novas obras, em especial nas residências”, prevê Silva.

    Insumos importados

    Para o também engenheiro civil, Hiran Galvão Junior, a venda de materiais para a construção civil é mais complexa e de alto custo no Amazonas. Isso ocorre em função da logística para trazer os insumos, que depende do transporte fluvial e aéreo, já que a maioria dos insumos é importada de outros estados.

    “Aqui no estado, por exemplo, não existe siderurgia para ferro e aço. Apenas uma ou duas fábricas de cimento. Os insumos da indústria de material orgânico, como porcelanato, louças sanitárias, cerâmicas, são importados para a demanda local, em Manaus”, explica Junior.

     

    O Sinapi mede o custo nacional para o setor habitacional por metro quadrado
    O Sinapi mede o custo nacional para o setor habitacional por metro quadrado | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Por conta dessa dificuldade de não contar com indústrias locais pertencentes ao segmento, a pandemia ocasionou na falta de estoque para as vendas. Junior conta que com a injeção financeira do auxílio emergencial, os cidadãos das classes C e D ganharam poder de compra, aumentando a demanda ao buscar pela melhoria de seus imóveis no isolamento, mas haviam poucos produtos para atendê-los.

    “Todos esses fatorem influenciaram na inflação do produto final e interferiram nas construções de Manaus. O mercado da construção não estava compreendendo como seria a demanda nesse intervalo de pandemia, por isso, a oferta não estava preparada para atender tanta demanda. No final do ano, fez gerar esse acréscimo no Índice Nacional de Custo da Construção Civil (ICC)”, destaca o engenheiro.

    Mesmo atuando como engenheiro civil, Junior trabalhou em obras em outras funções durante o segundo semestre de 2020, se adaptando aos efeitos da pandemia. Ele diz que o trabalho não parou e que o preço de alguns produtos voltou ao normal com o tempo. No primeiro pico da pandemia em Manaus, as obras que não tiveram condições de continuar foram suspensas, mas os clientes que puderam arcar com a inflação, se comportaram bem, segundo ele.

    “Apesar dos pesares, a construção civil continua trabalhando a pleno vapor. Porém, existe uma cautela em começar uma obra agora, por conta das instituições e dos órgãos competentes estarem atuando. Em relação aos materiais, a demanda exigida no primeiro pico já chegou em Manaus e os preços voltaram ao normal”, afirma Junior.

    De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Amazonas (Sinduscon), Frank Souza, a pandemia gerou efeitos negativos e positivos para o setor no estado. “Com todos os altos e baixos, o setor não parou, tanto obras públicas como privadas. Essa pandemia foi boa para a construção civil porque, como as pessoas cortaram despesas de compras e viagens, o dinheiro sobrou e foi diretamente investido em suas casas ou apartamentos”, analisa.

    Alta demanda

    Diante dessas circunstâncias, com o aumento do home office, as pessoas investiram na infraestrutura no imóvel. Em 2021, Souza espera um ano de crescimento de 10% no setor em relação a 2020, que fechou positivo, em 10,82%. Independentemente dos resultados do ano passado, ele descreve alguns pontos negativos e positivos evidentes.

    “O ponto negativo foi a inflação dos materiais de construção, como o aumento de 100% de alguns materiais. O desabastecimento que houve de julho para cá, influenciou muito a entrega das obras com data prevista. Acredito que só vai estabilizar a falta de materiais no segundo semestre de 2021”, pondera Souza.

    Ele explica ainda que como a mão de obra segue o valor da inflação, houve um lado positivo para o segmento, com o aumento de contratações pela alta demanda de obras. Souza salienta ainda que a taxa de juros, Selic, em 2% está favorável para o setor.

    “Nós temos favorável a taxa de juros, a Selic, em 2%. Para 2021, temos uma nova gestão municipal, que deve aumentar o número de obras públicas, por conta da Covid-19, com melhor infraestrutura, buscando um menor risco de contaminações. Quando conseguirmos sair desse momento de gasto na saúde, teremos um investimento na reforma de escolas, entre outros”, finaliza o presidente da Sinduscon.

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