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    Combustível


    Preço da gasolina aumenta cerca de 8% e manauaras são afetados

    É a terceira vez, neste ano, que a refinaria brasileira aumenta o preço da gasolina. O reajuste passa a valer a partir de terça-feira (9)

     

    O preço médio do litro de combustível, que era de R$ 0,17, passará a custar R$ 2,25
    O preço médio do litro de combustível, que era de R$ 0,17, passará a custar R$ 2,25 | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Manaus – Já é terceira vez, neste ano, que a Petrobras aumenta o preço da gasolina. O reajuste de 8% passa a valer na terça-feira (9). Apesar de não ser o ajustamento final para os consumidores, e sim como será vendido para as distribuidoras, o preço médio do litro de combustível, que era de R$ 0,17, passará a custar R$ 2,25. Economistas explicam que a cotação do dólar influenciou o acréscimo e preveem que o bolso do manauara será afetado. 

    O reajuste também chega a alterar o preço do óleo diesel, que passa de R$ 0,13 o litro para R$ 2,24, com um aumento de 6%. O Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha, é outro que não foi deixado de lado, sofrendo um reajuste de 5%. De R$ 0,14 kg, o gás de botijão irá custar R$ 2,91 Kg, ou então, R$ 37,79 por 13 kg.

    Apesar do aumento ser direcionado as distribuidoras, os consumidores também serão afetados, principalmente para quem depende de combustível para trabalhar. Esse é o caso do motorista de aplicativo Eduardo Henrique Sena, 35, que atua no ramo em Manaus desde 2018. O profissional conta que o preço do etanol e da gasolina são reajustados sempre para cima, assim como a taxa das plataformas que são colocadas para os motoristas. Contudo, o valor das corridas não acompanha o aumento dos gastos.

    Sena descreve a dificuldade que o ramo enfrenta com os reajustes. “O preço do combustível sempre foi um empecilho nos ganhos da nossa profissão. Cerca de 50% do acumulado dos ganhos de um dia de trabalho, volta como capital de giro do negócio, ou seja, de combustível para abastecer o carro. É positivo para o cliente e negativo para o motorista, pois o preço da gasolina aumenta e o da corrida não. Para piorar, estou desde o dia 14 de janeiro sem trabalhar por conta da pandemia”, ressalta.

     

    Apesar do aumento ser direcionado as distribuidoras, os consumidores também serão afetados
    Apesar do aumento ser direcionado as distribuidoras, os consumidores também serão afetados | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Para a economista Denise Kassama, o aumento nos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha atinge os manauaras de forma direta e indireta, uma vez que todos os produtos consumidos no Amazonas são produzidos em outras localidades. Ou seja, o valor final que chega para o consumidor amazonense é maior, assumindo as despesas de frete. 

    Kassama avalia que o acréscimo se deu por conta da alta das cotações internacionais do petróleo e do dólar. “Desde que a Petrobrás adotou a política de preços alinhada com o mercado internacional, estamos sujeitos a tais flutuações - sempre para mais, raramente para menos. Além disso, deve-se considerar que o país ainda importa boa parte do petróleo. As altas taxas do dólar também contribuem para o aumento do preço final. De uma forma ou outra, quem sofre os impactos é a população”, explica.

    Ainda de acordo com Kassama, os custos de produção ou da refinaria representam cerca de 32% da composição do preço final. Cerca de 44% representam tributos estaduais, como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e federais - CIDE, PIS e COFINS. Os outros percentuais são referentes ao restante do acréscimo do etanol, além dos custos de distribuição e venda nos postos de gasolina.

    “No caso do Amazonas, o ICMS sobre a gasolina representa cerca de 20% do total arrecadado pelo tributo. Esse recurso tem sido fundamental para as ações de combate à Covid-19, bem como para fomentar o auxílio emergencial anunciado pelo Governo Federal. A redução tributária pode impactar diretamente em tais ações”, explica a economista.

    Para o economista Origenes Martins, essa constante crescente no preço do combustível ainda piora pela refinaria não ser mais uma empresa 100% estatal, com interferência também de ordem empresarial. Com esse aumento, ele declara que haverá uma interferência direta nos preços de diversos produtos em plena pandemia.

    “O que o governo pode fazer para impedir que este aumento interfira no processo econômico, é diminuir a carga de tributos, o que tem sido uma discussão acirrada do Ministério da Economia com o Congresso Nacional. Quando o preço da gasolina aumenta, um dos principais problemas é a influência negativa para a inflação, em um período onde uma faixa significativa da população está com a renda muito ruim ou mesmo sem renda. No caso de Manaus, temos ainda a influência do preço dos alimentos que dependem do transporte, seja rodoviário ou aéreo”, complementa.

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