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    Projeto de Lei viabiliza linhas de crédito para startups no Amazonas

    O PL, de autoria do senador Eduardo Braga (MDB), incentiva a criação de startups por seu grande potencial econômico e modelo sustentável e escalável

     

    A novidade chamou a atenção de proprietários de startups em Manaus
    A novidade chamou a atenção de proprietários de startups em Manaus | Foto: Divulgação

    Manaus – Com o intuito de incentivar a criação de novas startups, o Senado aprovou um Projeto de Lei (PL), de autoria do senador Eduardo Braga (MDB), que disponibiliza linhas de crédito para empreendedores neste ramo de negócios. Em 2020, o Brasil possuía 12.700 startups, número que representa um crescimento de 27% em comparação com as 10 mil existentes em 2018, segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups). Analista técnica do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Amazonas (Sebrae-AM) afirma que há espaço para este segmento e que ele será tendência nos próximos anos.

    O resultado positivo e consecutivo conquistado em 2018 e 2019 - com startups que chegaram a alcançar o valor de mercado de US$ 1 bilhão - apresenta um estímulo aos novos investidores do ramo, que podem ser micro, pequenos e médios empreendedores, por exemplo. De acordo com o Sebrae, em 2019, o Amazonas contava com 79.316 Microempreendedores Individuais (MEI). Já em 2020, o número correspondia a 108.055, registrando um crescimento de 36,4%.

    Com esse crescimento estadual e nacional, e buscando estimular a abertura de novos negócios no Amazonas, o PL 5.306/2020 viabiliza linhas de créditos por meio de recursos dos Fundos Constitucionais de Desenvolvimento Regional (FCDR) para novos empreendedores, especificamente de startups. O PL foi encaminhado, na última quinta-feira (25), para a Câmara dos Deputados e o próximo passo é aguardar a votação.

    A novidade chamou a atenção do proprietário de uma startup em Manaus, Léo David Cunha, 29, que criou o negócio para atender postos, conveniências e serviços automotivos. A ideia surgiu em julho de 2019, mas foi oficializada em fevereiro de 2020. O fundador da empresa conta com mais quatro pessoas para criar soluções inovadoras, afim de resolver os problemas reais que surgem nas companhias dessas categorias.

    “Temos uma plataforma que mostra os preços dos combustíveis em tempo real para os motoristas e estamos desenvolvendo outra voltada para os postos e conveniências, com dados, pagamentos e fidelização. No início da pandemia, criamos uma base para ajudar as pessoas a encontrarem os produtos de limpeza e proteção contra a Covid-19, como álcool em gel, luva, máscara e produtos de limpeza com o melhor preço”, explica Cunha.

    Nesse sentido, ao usar a criatividade para elaborar alternativas para as dificuldades do dia a dia, as startups acabam sendo opções atrativas para quem tem interesse em utilizar o modelo em determinada área. A opção de conquistar um grande mercado sem aumentar os custos na mesma proporção é uma das vertentes que atrai Cunha.

    Sobre o PL, o empreendedor manauara vê essa formulação como viável, como uma oportunidade de tirar ideias do papel e estimular a prática, ainda mais no cenário de crise econômica. “Acredito que este projeto e outras iniciativas podem ser de grande importância para quem está empreendendo em um negócio de extrema incerteza como este”, salienta.

    Ainda de acordo com o empresário, é justamente essa parte financeira que impede a manutenção de um time engajado e a concretização de ideais. E além desse desafio, Cunha enfatiza que captar clientes até se manter estabelecido também é um processo trabalhoso. Porém, antes de montar uma startup, ele aconselha a procura de um especialista na área contábil ou jurídica para analisar a melhor opção – ser um MEI, ter uma Microempresa (ME) ou Empresa de Pequeno Porte (EPP).

     

    No AM, de 2019 para 2020, o número de MEIs registrou um crescimento de 36,4%
    No AM, de 2019 para 2020, o número de MEIs registrou um crescimento de 36,4% | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Impulso financeiro

    De acordo com a assessoria do autor do PL, senador Eduardo Braga, o projeto foi formulado e baseado em dados que demonstram que as startups são empresas com maior vulnerabilidade e limitações, em relação a outros tipos de negócios convencionais. Por isso, em sua visão, se faz necessário um impulso financeiro para instigar a criação de empresas nesse ramo. 

    “As startups devem ser estimuladas, porque têm grande potencial econômico, tendem a operar com bases digitais - em um contexto de crescente digitalização da economia -, são predispostas à internacionalização e tem potencial de atração de investimentos estrangeiros. Também geram posições de trabalho, são propensas a desenvolver soluções sustentáveis e com impactos positivos no meio ambiente, e mostram-se, em geral, inclusivas”, destaca a assessoria.

    O PL menciona que as linhas de crédito darão prioridade para startups que desenvolvam soluções para os problemas enfrentados durante a crise sanitária da Covid-19. Mesmo sem mencionar os valores, o documento cita que o crédito será suficiente para “adquirir bens de capital e despesas com a folha de pagamento, com a remuneração de estagiários, com o capital de giro quando exclusivamente associado ao investimento, com o treinamento e a capacitação, com o aluguel de equipamentos e outros bens, bem como com os serviços necessários à viabilização do projeto de crescimento e desenvolvimento das startups".

     

    As linhas de crédito darão prioridade para startups que desenvolvam soluções para os problemas enfrentados durante a crise sanitária da Covid-19
    As linhas de crédito darão prioridade para startups que desenvolvam soluções para os problemas enfrentados durante a crise sanitária da Covid-19 | Foto: Arquivo EM TEMPO

    O que são startups?

    Nada mais são que um modelo de negócio, geralmente criado por jovens, em que o proprietário queira colocar em prática a sua ideia, mas em um ritmo mais lento, já que exige um tempo de pesquisa e etapas a serem respeitadas até o lançamento de um produto ou conceito, por exemplo. Por ser uma percepção nova no Amazonas e um negócio independente, não se tem registro do número de startups na região, segundo o Sebrae.  

    Apesar de recente, a analista técnica do Sebrae no estado, Miza Arruda, esclarece melhor a concepção desse novo conceito no mercado. Miza explica que a startup é um modelo sustentável e escalável, porque a partir da definição, pode-se produzir 300 mil ou 10 mil, sem fazer mudanças no número de pessoas ou na estrutura da empresa.

    A analista dá um exemplo recente, como a criação de aplicativos que oferecem uma plataforma para pedidos de comida no formato em delivery. Dentro dessa ideia, o criador disponibiliza o acesso para empresas se cadastrarem e, consequente, aos clientes. “Nesse sentido, independe para o dono que sejam 10 ou 10 mil clientes. Foi criado um projeto, com o tempo de pesquisa e a validação da ideia, que se sustenta, é inovador e escalável”, exemplifica.

    Por ser um modelo independente, o criador é um empreendedor, podendo se denominar uma micro, pequena ou média empresa. Além desses formatos, uma empresa de grande porte também pode desenvolver, dentro de sua estrutura já estabelecida, uma startup, principalmente quando se trata do desenvolvimento de um produto, passando por todas as etapas de experimento até o lançamento.

    Nesse processo de análise, há espaço para pesquisa de campo, por exemplo, no qual os clientes podem ser captados e indagados se pagariam ou não para usufruir da inovação. A partir desse estudo, é possível viabilizar o empreendimento. Segundo Miza, esse modelo tende a crescer bastante nos próximos anos.

    “Por isso, vemos algumas startups que começam com uma ideia simples, mas que conseguem escalar ou atingir um grande número de clientes ou vendas do negócio que está se propondo. Esse modelo é tendência, pois facilita em alguns pontos. Inicialmente uma pessoa não tem uma despesa grande e pode contar com todas essas etapas, validar a ideia e iniciar de fato um negócio que já tenha toda a estrutura, inclusive os clientes, que se dispuseram a comprar o produto ao ser lançado”, finaliza a analista.

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