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    Finanças


    Saber onde investir pode ser a saída para a crise financeira no AM

    Consultores de investimentos afirmam que o Tesouro Direto pode ser uma boa opção para os amazonenses que querem começar a investir para driblar a crise pandêmica

     

    | Foto: Divulgação

    Manaus – Diante da crise econômica ocasionada pela pandemia da Covid-19, a busca por estratégias para driblar as dificuldades financeiras tem sido a prioridade de grande parte da população do Amazonas. Em abril de 2020, mais de 2,38 milhões de pessoas físicas estavam cadastradas na Bolsa de Valores no país (B3), segundo levantamento da Folha de S. Paulo. Consultores de investimentos afirmam que, para os amazonenses que querem investir, como uma alternativa, o ideal é entender o ramo e saber como e onde aplicar seu dinheiro. 

    Em Manaus, a estudante de jornalismo Ana Beatriz Miranda, 21, investe há dois anos. A disposição para investir surgiu quando a acadêmica acabou sendo confrontada com a crise e a necessidade de fazer um planejamento financeiro para sair do antigo emprego na cidade. Pensando em como ficaria sua renda nos meses posteriores, Miranda passou a pesquisar opções, na internet, de como fazer render seu dinheiro. 

    Durante a procura, Miranda encontrou diversos textos e vídeos sobre o assunto e aproveitou para estudar com cautela e se aprofundar no mundo dos investimentos. Atualmente, seguindo seu planejamento pessoal e sabendo o básico sobre aplicações, ela chega a aplicar R$ 100,00 todo mês no Tesouro Direto. 

    Segundo a estudante, o novo conhecimento trouxe liberdade. “Depois que comecei a investir sinto que criei mais independência, ficando menos preocupada. Mesmo durante a pandemia, consegui me sentir tranquila em relação ao meu dinheiro, pois, se ficasse desempregada ou se tivesse gastos com a família, teria para onde recorrer. E com o dinheiro que já tenho investido, posso fazer planos concretos para o futuro, com a certeza que terei como realizá-los”, salienta.

    Segundo o assessor de investimentos Renato Oliveira, assim como Miranda, muitos amazonenses têm se interessado mais pelo ramo dos investimentos, buscando realmente conhecer o mercado financeiro. Atuando nesse campo há quatro anos em uma corretora na capital, Oliveira tem notado - com base nos clientes que costuma atender - uma ruptura de pensamento em relação ao mundo econômico, principalmente entre os mais jovens e as pessoas mais idosas. 

    Mudança que, segundo ele, tem começado pelo básico, como deixar de depositar o dinheiro na poupança, compreendendo que o rendimento não vale a pena. Com a rentabilidade em torno de 1,9% ao ano, esse meio é o primeiro a ser descartado pelos investidores quando alguém busca consultoria sobre o tema. "Quando colocamos na ponta do lápis e explicamos que é possível aplicar o dinheiro em um local seguro e que rende bem mais, as pessoas acabam tendo mais noção com o tempo", explica. 

    Por onde começar?

    Em meio à crise financeira, o amazonense pode começar investindo no Tesouro Direto, se o intuito for assegurar um dinheiro para cobrir gastos mensais existentes durante um período de seis meses, caso seja demitido, por exemplo. O assessor orienta que o interessado deve transferir o valor, por meio de uma corretora confiável, para o Tesouro Selic, título do Tesouro Direto. Conhecido como um investimento mais seguro e de liquidez diária - ou seja, com retirada do valor em até 24 horas - essa aplicação é a mais indicada para a reserva de emergência.

    Após garantir essa renda para o período de seis meses, o aplicador pode partir para os investimentos na Bolsa de Valores. “Passado por esse processo, o interessado pode, gradativamente, comprar ações, com uma corretora a taxa zero. Não precisa de muito para comprar, pode ser a partir de R$ 10,00”, recomenda Oliveira, justamente para o investidor começar aos poucos e criar experiência na área.

    Para ter acesso às informações sobre como comprar ações, o assessor e investidor mostra que não existe uma recomendação direta de investimentos, mas diversas explicações em vários sites e canais do YouTube, por exemplo. No entanto, Oliveira lembra que a compra de ações, que representa parte de uma empresa, possui maiores riscos, que precisam ser estudados. 

    Investir com pouco

    O consultor Adonias Brandão atua no ramo há 12 anos em Manaus e explica que investir é uma maneira de fazer o dinheiro ‘trabalhar para o investidor'. Depois de entender o básico, quando tiver um conhecimento maior, Brandão afirma que o interessado poderá aplicar os recursos em renda variável, com risco e rentabilidade maiores.

    De acordo com Brandão, diferentemente do que muitos pensam, é possível começar a investir com pouco dinheiro. No Tesouro Direto, por exemplo, o trabalhador pode iniciar com transferências mensais, com variação entre R$ 30,00 e R$ 100,00. O consultor esclarece que essa educação financeira resultará em liberdade. 

    Educação financeira gratuita

    Com o avanço da tecnologia, é possível aprender um idioma ou até mesmo contratar um serviço, tudo através da tela do celular. O mesmo vale para quem quer aprender mais sobre o mundo das finanças. O Youtube, a título de exemplo, conta com uma gama de conteúdos sobre educação financeira e sobre como fazer investimentos. Alguns canais citados pelos consultores são: 'O Primo Rico', 'Me Poupe!', 'EconoMirna' e 'Gustavo Cerbasi'. 

    Citando o 'Me Poupe', a jornalista, especialista em finanças e criadora do canal, Nathalia Arcuri, começou com um blog sobre o assunto em 2013 e hoje possui mais de 5 milhões de seguidores. Por lá, o interessado encontra informações para começar sua jornada longe das dívidas e sabendo onde aplicar seu dinheiro.

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