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    Zona Franca


    PIM será prejudicado com a paralisação de montadoras no país

    O Polo Industrial de Manaus (PIM), responsável por produzir insumos para fabricantes de veículos no Brasil, acabará atingido com a suspensão das atividades nas empresas

     

    Os efeitos danosos das suspensões, a longo prazo, podem surtir em demissões em massa
    Os efeitos danosos das suspensões, a longo prazo, podem surtir em demissões em massa | Foto: Divulgação

    Manaus – Até o momento, dez fabricantes de veículos já paralisaram suas atividades no Brasil, em decorrência do agravamento da pandemia da Covid-19. Com isso, o envio de insumos produzidos pelo Polo Industrial de Manaus (PIM) para outros estados será prejudicado. Em 2020, por exemplo, o modelo produziu mais de 1.336.483 unidades de autorrádios para montadoras do país, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam). Representantes da indústria analisam que, se as suspensões forem prolongadas, os efeitos negativos serão ainda maiores.

    Mesmo com a diminuição no número de casos do novo coronavírus no Amazonas, nas últimas semanas, a situação está se agravando no restante do país. Por isso, montadoras como Honda, Volkswagen, Toyota, entre outras, ficarão com suas atividades produtivas suspensas de 15 a 20 dias, de acordo com a decisão de cada empresa e dos decretos governamentais em cada estado.

    Nesse contexto, o PIM, que conta com os autorrádios como um dos principais itens manufaturados fabricados pelo modelo, poderá sofrer um impacto no envio desses insumos. Em 2019, antes do surgimento da pandemia, o polo produziu 2.228.278 unidades de autorrádios, ou seja, 40% a mais do que em 2020.

    Impacto

    Segundo o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o PIM pode ser abalado, já que as peças do setor automotivo são confeccionadas por fábricas do polo e enviadas para as grandes montadoras do país. Com a suspensão das atividades produtivas no ramo, os insumos deixam de ser entregues, gerando queda na fabricação.

    “Muitas empresas fabricam produtos que vão integrar outros que são desenvolvidos em outras regiões do país, como os aparelhos de autorrádio e alarmes, que são utilizados na fabricação de veículos, como os da Volkswagen. Consequentemente, esse reflexo da paralisação recai sobre as indústrias que produzem esses insumos utilizados pelas empresas”, esclarece o representante.

    Périco ainda salienta que, se a situação for prolongada, existe o risco de a indústria sofrer sérias consequências, como ocorreu no Amazonas em 2020, quando o comércio ficou fechado por três meses e não foi possível entregar os produtos do PIM para as revendedoras.

    Pensamento semelhante ao de Périco - sobre as consequências negativas para o modelo - tem o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva. De acordo com Silva, todos os setores que fabricam produtos considerados não essenciais acabam prejudicados pela situação econômica atual gerada pela pandemia, pois possuem uma baixa demanda. “Sem consumo, não há para quem produzir”, avalia.

    Desemprego

    O presidente da Fieam confirma a contribuição do modelo para a indústria brasileira e explica que os efeitos danosos dessas suspensões, a longo prazo, podem surtir em demissões em massa, além da perda do poder aquisitivo das pessoas, agravando ainda mais a situação financeira do Brasil e, consequentemente, dos amazonenses.

    “Nosso principal mercado é o nacional, os bens finais aqui produzidos são remetidos às outras Unidades da Federação. [...] A indústria é a base da cadeia econômica, um fechamento prolongado pode implicar em um aumento de demissões e, consequentemente, em uma diminuição do poder aquisitivo da população, o que geraria ainda menos demanda por consumo e traria grande prejuízo para o segmento industrial”, considera Silva.

    Baixo consumo

    A economista Denise Kassama enfatiza que a economia brasileira está em passos lentos, com baixo rendimento produtivo. Em 2020, por exemplo, o Produto Interno Bruto (PIB) sofreu uma queda de 4,1%, a maior desde 1996, segundo a análise do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

    Por essa lentidão, o consumo acaba voltado para itens essenciais, como alimentação, saúde, vestuário e locomoção, segundo a economista. Com o baixo consumo em outros segmentos, a Zona Franca de Manaus (ZFM) acaba sendo afetada por não produzir elementos primários da manutenção humana.

    “A ZFM está desde o início do ano, em suas atividades regulares, mantendo os protocolos sanitários para todos os trabalhadores. Entretanto, a baixa atividade econômica afeta diretamente a demanda pela maioria dos produtos fabricados pelo PIM, uma vez que, na maioria, são bens de consumo final. Ou seja, diante da incerteza econômica, o brasileiro está reticente em trocar de televisor, celular ou até mesmo automóvel, preferindo direcionar para itens prioritários ou até mesmo poupar para situações emergenciais”, finaliza Denise.

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