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    Desemprego


    No AM, 12,3% dos trabalhadores domésticos ficaram desempregados

    No último trimestre de 2019, o estado contava com 73 mil profissionais empregados na área, no mesmo período de 2020, o número caiu para 64 mil

    Além disso, cerca de 7 mil domésticos caíram na informalidade desde o início da crise
    Além disso, cerca de 7 mil domésticos caíram na informalidade desde o início da crise | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Manaus – No Amazonas, 12,3% dos trabalhadores domésticos ficaram desempregados com a chegada da pandemia. No último trimestre de 2019, o estado contava com 73 mil profissionais empregados na área, no mesmo período de 2020, o número caiu para 64 mil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, cerca de 7 mil domésticos caíram na informalidade desde o início da crise.

    O levantamento do IBGE demonstra que, além do desemprego e da falta de oportunidade, o número de empregados com carteira assinada caiu drasticamente.

    No último trimestre de 2019 eram 12 mil trabalhadores domésticos formais, no mesmo período de 2020 o dado caiu para somente 5 mil funcionários formais. Indicando que, possivelmente, cerca de 7 mil acabaram se tornando informais.

    Uma das afetadas pela crise no Amazonas foi a doméstica Keitia Jane Almeida, 49. Há 19 anos atuando no ramo - na maioria das vezes na informalidade - ela ficou sem trabalhar por dois meses em decorrência da pandemia e, por não ter a carteira assinada, não recebeu seus benefícios nesse período.

    Recentemente Keitia voltou a fazer diárias, mas prefere trabalhar com seus direitos garantidos e sente falta de uma representatividade para sua classe no estado, por meio de uma associação.

    “Trabalhar de carteira assinada é bom porque temos nossos direitos. Acho que com uma associação nossa seria ainda melhor. Com as diárias, por exemplo, só recebemos aquilo e pronto, nada mais. Quando deixamos de fazer não temos direito a nada”, lamenta a trabalhadora.

    A pandemia também afetou a vida da doméstica Adriana Gomes, 38, que ficou quatro meses sem trabalhar durante o momento mais crítico da crise. Mesmo tendo recebido seu salário normalmente no período, pois conta com a carteira assinada, a trabalhadora relata que várias colegas vivem na informalidade.

     

    Além do desemprego, a informalidade também toma conta do mercado de trabalho
    Além do desemprego, a informalidade também toma conta do mercado de trabalho | Foto: Arquivo EM TEMPO

    “Hoje em dia, algumas patroas querem pagar R$ 50,00 em uma diária e acabam acumulando serviços de um mês para fazer em dois dias. Tenho muitas colegas empregadas na informalidade, porque os contratantes não querem assumir os benefícios”, revela Adriana.

    A trabalhadora afirma que, como passar dos anos, os direitos estão voltando a fazer parte da realidade de sua classe, contudo o processo ainda ocorre de forma muito lenta.

    Adriana conta que sua mãe, depois de trabalhar 20 anos para uma mesma família, foi mandada embora sem nenhum benefício após adoecer. “Muitos contratantes têm condições de pagar, mas se aproveitam das pessoas e não legalizam o trabalho”, salienta.

    De acordo com o economista Origenes Martins, o trabalho doméstico remunerado foi bastante afetado no ano passado e teve relação com a queda na renda dos contratantes, ou seja, as famílias que dispensaram esses trabalhadores também estavam passando por dificuldades financeiras. Além do medo de contaminação pela Covid-19.

    “Logicamente esta situação promoveu um desemprego, que obrigou este contingente de trabalhadores a buscar opções. Os que não conseguiram se realocar ou se reinventar, foram obrigados a enfrentar o mercado informal e até mesmo a redução salarial. Algumas famílias que tinham os trabalhadores domésticos em tempo integral passaram a utilizar o sistema de trabalho diário”, ressalta.

     

    O trabalho doméstico remunerado foi bastante afetado na pandemia
    O trabalho doméstico remunerado foi bastante afetado na pandemia | Foto: Divulgação

    Martins ainda salienta que a redução no valor do auxílio emergencial do Governo Federal surpreendeu negativamente a população.

    “O governo não consegue chegar em um valor maior por conta da legislação, o teto de gastos. Por outro lado, o governo está incitando os governadores e prefeitos a promoverem esta remuneração. Caso fosse feito, talvez houvesse uma melhora para esta faixa de população que está à deriva”, pontua Martins.

    Dados nacionais

    Os dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostraram que houve uma queda de 23,4% na quantidade de pessoas empregadas no setor, caindo de 6,4 milhões, no quarto trimestre de 2019, para 4,9 milhões no mesmo período do ano passado.

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