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    Projeção


    Amazonenses devem consumir menos, caso a Selic chegue a 3,5%

    Segundo a projeção do Boletim Focus, a taxa Selic pode chegar a 5,5% ao ano no final de 2021 e 6% em 2022

      

    Aumento da Selic poderá conter a inflação dos alimentos
    Aumento da Selic poderá conter a inflação dos alimentos | Foto: Brayan Riker

    Manaus – Como se não bastasse o aumento da taxa básica de juros da economia (Selic) pela primeira vez em seis anos na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), há uma estimativa que a Selic passe de 2,75% para 3,5% ao ano.

    O mercado ainda prevê que até o final de 2021, a Selic chegue a 5,5%, segundo a projeção do Boletim Focus. Especialistas no mercado e representante do comércio avaliam que a possibilidade do aumento da Selic é positiva para a aplicação de investimentos, porém, sinaliza uma redução do consumo dos amazonenses para conter a inflação.

    Na última reunião do Comitê, a Selic subiu 0,75% e foi de 2% para 2,75% ao ano. Além da previsão da taxa chegar a 5,5% até o final de 2021, a tendência é aumentar mais e alcançar 6% ao ano em 2022, conforme prevê o Boletim Focus. Apesar do aumento recente, vale relembrar que a taxa Selic já chegou ao exorbitante 45% em 1999.

    Mais recentemente, em 2015, a taxa de juros básica esteve em 14,25% ao ano e apresentou o mesmo percentual até outubro de 2016. Após esse momento, o Banco Central (BC) voltou a reduzir a taxa até chegar a 2% em agosto de 2020 e conservar-se assim até março deste ano. Reunidos desde terça-feira (4), o Copom deve divulgar a definição da taxa Selic nesta quarta-feira (5).

    Como esse aumento afeta a população?

    De forma mais agressiva ou mais sútil, dependendo da esfera, a mudança no valor da taxa Selic influencia a vida dos amazonenses. Por exemplo, se a taxa básica de juros - responsável por controlar todos os juros do país estiver alta, automaticamente a tarifa dos empréstimos, do cartão de crédito e dos financiamentos fica mais cara. Com essa elevação, os bancos são os que saem no lucro e a população é prejudicada.

    Segundo a assessora de investimentos Ana Carolina Oliveira, a taxa básica de juros afeta de forma positiva ou negativa a vida dos amazonenses e funciona como um termômetro econômico, contendo a inflação.

      “Quanto maior a taxa Selic, menor a concessão de crédito e menor o consumo. Assim, a inflação tende a diminuir, já que menos pessoas estão consumindo. Em um cenário contrário, onde ocorre uma diminuição da taxa, o consumo tende a aumentar, pois está mais barato conseguir crédito”, explica.  

    Diante da inflação dos produtos básicos e no cenário de pandemia, a especialista em investimentos acredita que essa alta seja positiva, na intenção de conter o aumento no preço dos alimentos. Dessa forma, as pessoas irão consumir menos e desacelerar a economia.

     

    Aumento da Selic poderá conter a inflação dos alimentos
    Aumento da Selic poderá conter a inflação dos alimentos | Foto: Brayan Riker

    De acordo com a economista Denise Kassama, esse é o momento de a população amazonense segurar as compras de bens mais duráveis. Caso for comprar, ela recomenda muita pesquisa, pagamento à vista e evitar fazer prestações, pois os juros serão mais altos, como móveis, imóveis, entre outros.

    Diante dessa projeção de aumento da Selic, Denise ressalta que esse é o momento de conter o consumo e procurar fazer aplicações financeiras para aumentar o dinheiro. “Quando a taxa de juros está mais alta, fica mais interessante aplicar o dinheiro do que consumir. [Caso tenha um controle de gasto], o dinheiro que não está dando para se manter vai ficar mais difícil ainda”, salienta.  

    Diferente das implicações para o consumidor, o mercado especulativo favorece o empresário. É o que afirma o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio/AM), Aderson Frota. Em sua visão, com o aumento do dólar, o investimento na moeda brasileira acaba sendo atraente para o estrangeiro.

    Neste sentido, caso a taxa Selic chegue a 3,75% ao ano, pode favorecer os empresários, responsáveis por gerar emprego para a população.

      “A nossa preocupação é que não se desloque recursos para a especulação. Quanto mais a taxa estiver elevada, igualmente privilegia a especulação, e não os investimentos. Na indústria, no comércio e na agropecuária tem um efeito muito bom para os empresários, que é o de criar um incremento na economia, gerar emprego e renda”, descreve Frota.  

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