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    Inflação


    Alta na inflação deixa amazonenses de baixa renda sem poder de compra

    Para as famílias de renda baixa a inflação ficou em 0,92% em maio; para as classes mais altas, o percentual foi bem menor, em torno de 0,49%

     

    Os ramos de habitação e de transportes foram os que mais contribuíram para o aumento inflacionário
    Os ramos de habitação e de transportes foram os que mais contribuíram para o aumento inflacionário | Foto: Divulgação

    Manaus - Mesmo com a melhora no quadro pandêmico no Amazonas, a situação econômica no estado continua gerando instabilidade para as famílias de renda mais baixa. Em maio, a inflação ficou em 0,92% para esse grupo, enquanto para a população de classe mais alta, o percentual foi bem menor, em torno de 0,49%, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Economista analisa que, sem poder de compra, os mais pobres são sempre os mais prejudicados.

      O levantamento do Ipea demonstra que todas as classes de renda foram afetadas pelo aumento na inflação, contudo, as famílias mais atingidas pelo crescimento correspondem às com renda domiciliar abaixo de R$ 1.650, 50. Os amazonenses com renda mais alta, de receita mensal entre R$ 8.254,83 e R$ 16.509,66, foram menos impactados.  

    Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o mês de maio com um aumento de 0,83%, enquanto o de abril apresentava uma elevação de 0,31%.

    Maiores responsáveis

    Os ramos de habitação e de transportes foram os que mais contribuíram para o aumento inflacionário. No primeiro grupo está a energia elétrica (5,4%), a tarifa de água e esgoto (1,6%), o gás de botijão (1,2%) e o gás encanado (4,6%), já no segundo; a gasolina (2,9%), o etanol (12,9%) e o gás veicular (23,8%).

     

    O gás de botijão sofreu alta de 1,2% e o gás encanado de 4,6%
    O gás de botijão sofreu alta de 1,2% e o gás encanado de 4,6% | Foto: Divulgação

    Para a agente de limpeza Adriana Gomes, 38, esse acréscimo no preço dos bens e serviços dificulta a manutenção das famílias amazonenses, porque o salário não acompanha a inflação. Sem receber nenhum reajuste na renda desde o ano passado, a manauara só presenciou aumento no valor dos produtos.


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    A situação está difícil, porque, se a gente não buscar outra renda, não dá para fazer quase nada. A última vez que comprei o gás cheguei a pagar R$ 98,00. A alimentação na capital está caríssima, e não tem como cobrir todas as despesas. Uma família tem gastos com roupa, alimentação, manutenção da casa, enfim, é muito complicado viver hoje em dia com um salário tão baixo e produtos tão caros "

    Adriana Gomes, agente de limpeza

     

    O economista Origenes Martins esclarece que a população de baixa renda é sempre a maior prejudicada pelo aumento no preço dos produtos, justamente por terem um menor poder de compra em comparação com as classes mais ricas. Além disso, o especialista comenta sobre o cálculo da inflação.

    “Quando a inflação é calculada, leva-se em consideração uma série de produtos com suas variações de preço em determinado período. A questão é que alguns destes produtos não fazem parte do dia a dia das famílias de baixa renda. No entanto, são, no geral, aqueles produtos que sofrem as maiores variações”, detalha o economista.

    IPCA e INPC

    Para calcular a variação do custo médio das famílias com renda mensal de um a 40 salários mínimos, o IBGE usa o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), baseado em informações de 11 principais regiões do país.

    Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) serve para analisar a alteração do custo médio das famílias entre um e cinco salários mínimos, porém, tratam-se de uma maior parte da população, que usa a renda para consumo básico - como alimentação, transporte, remédio, entre outros.

    No entanto, Martins ressalta que o IPCA chega mais próximo da inflação real. “Porém, acaba afetando mais a faixa da população de baixa renda, pois sua aferição utiliza itens que não condizem com a realidade destes”, finaliza.

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